Subnotificação: país tem 33 mil internações a mais em 2020 por doenças respiratórias

Mais de 90% dos testes deram negativo para gripes conhecidas; cerca de 20 mil casos estão sendo investigados pelo MS

Neste ano, 91% dos testes realizados para gripes já conhecidas apresentaram resultado negativo – Thomas Samson/AFP

Por Caroline Oliveira.

Dados dos sistemas MonitoraCovid-19 e do InfoGripe, elaborados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam para a subnotificação de casos de covid-19 no Brasil. A conclusão foi feita em cima do aumento expressivo do número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), em 2020, e a grande quantidade de testes negativos para gripes já conhecidas.

Somente até 4 de abril, ou seja, a 14º semana epidemiológica do ano, foram 34.594 internações por SRAG. A média foi cerca de 10 vezes maior do que em 2010, quando foram registradas 3,9 mil internações. E maior até mesmo do que em 2016, quando houve um surto de H1N1, resultando em 10,4 mil internações.

Em 2019, até a 14º semana epidemiológica, foram 1.152 hospitalizações. Neste ano, no entanto, 91% dos testes realizados para gripes já conhecidas apresentaram resultado negativo, o que indica que a maioria dos casos pode estar relacionada à covid-19.

No último boletim divulgado, a Fiocruz aponta que até o dia 21 de abril, já foram reportados 37.294 casos de SRAG no ano, sendo 8.532 com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 11.444 negativos, e ao menos 14.304 aguardando resultado. Dentre os positivos, 9% foram confirmados como Influenza A, 4% Influenza B, 5% vírus sincicial respiratório e 73% como Sars-CoV-2 (Covid-19).

Outro fator que corrobora com a suspeita de subnotificação é que, de acordo com o Ministério da Saúde, ainda há cerca de 20 mil casos de SRAG em investigação, para além do número alto de casos confirmados do novo coronavírus.

A plataforma MonitoraCovid-19 sistematiza os casos de contaminação e óbitos por covid-19. No Brasil, o registro de contaminação está dobrando em cerca de oito dias, enquanto o de óbitos em média aproximada de cinco dias: 13.717 casos no dia 7 de abril, para 28.320 no dia 15 de abril; e 486 mortes até o dia 05 de abril, e em apenas cinco dias, saltaram para 1.056 óbitos.

De acordo com a nota técnica da fundação, “existe controvérsia com relação ao número total de casos, sobretudo na comparação entre países. Isso se dá por conta da heterogeneidade de realização de exames para confirmação de casos”. Conforme a testagem se intensifica, o número cresce.

No entanto, se o registro por contaminação é impreciso, “a comparação entre óbitos é mais verdadeira, uma vez que é um dado mais inequívoco”, porque há mais testagem. Como colocado acima, o Brasil está entre os países que dobra o número de mortes no menor período: cinco dias. No Equador e nos Estados Unidos, que também figuram cenários assustadores da crise causada pela pandemia, os óbitos estão dobrando a cada seis dias. Na Itália e na Espanha, oito dias.

O que é coronavírus?

É uma extensa família de vírus que podem causar doenças tanto em animais como em humanos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em humanos, os vários tipos de vírus podem causar infecções respiratórias que vão de resfriados comuns, como a síndrome respiratório do Oriente Médio (MERS) a crises mais graves, como a síndrome respiratória aguda severa (SRAS). O coronavírus descoberto mais recentemente causa a doença covid-19.

Como ajudar a quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

Edição: Leandro Melito.

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