Sobre a falência do Jornalismo cultural

Publicado em: 07/04/2014 às 09:46
Sobre a falência do Jornalismo cultural

Por Bruno Nogueira.

Por mais que sites de redes sociais como o Twitter, Facebook, Instagram (Orkut, Badoo, MySpace, etc, etc, etc) não sejam mais uma novidade, a sensação é de que ainda vai levar muito tempo até que o jornalismo saiba lidar com responsabilidade com essas ferramentas. Essa semana surgiu mais um caso triste desses, do “jornalismo-vai com-Deus“, entre o produtor gaúcho Miranda e a cantora paraense Gaby Amarantos.

Em um resumo rápido: o Miranda comentou a nova música da Gaby em seu Facebook, isso virou matéria de jornal, revolta de fã, mais matéria de jornal, desgaste em bate boca de Facebook, etc. Costumo dizer que escrever é algo que qualquer um consegue fazer. O trabalho do jornalista não é escrever (algo que sempre digo a meus alunos no curso: se veio pensando nisso, saia logo. Vá ser escritor).

O verdadeiro esforço, que morre a cada dia – não apenas no jornalismo cultural, mas em todos os outros segumentos – deve ser o de apurar. Pesquisar, perguntar, duvidar, questionar, falar com as pessoas. E dito isso, vale o reforço: declaração em site de rede social não configura entrevista.

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Chega a ser desestimulante pensar que um grande portal paga um repórter que não consegue fazer a única coisa que deveria fazer. E se guarda na zona de conforto da mera reprodução preguiçosa de falas que podem render page-views no site. Que não consegue fazer um esforço crítico de entender a divisão entre o público e o privado, do pessoal e do profissional, da representação e não-representação disso em um site onde teoricamente você se conecta a amigos.

É mais impressionante ainda sabendo o quanto uma figura como Miranda, que segue sem ser entrevistado, é acessível. E como a história segue sem ninguém falar nada também com a própria Gaby (que pode muito bem estar consciente e sem aperreios com tudo isso).

Não me parece também pedir muito: se quer ser jornalista, entenda que o jornal não é sua timeline pessoal. E entenda que seu trabalho – a única coisa que cabe a você fazer – é saber apurar e conversar com as pessoas. “Disse em seu twitter”, “publicou em seu Facebook” e afins não são entrevistas.

Gaby Amarantos – Gaby Ostentação por thevideos no Videolog.tv.

Fonte: Quarenta e dois.

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