Servidores denunciam perseguição e demissões na Fundaj

A visita do ministro Mendonça Filho à Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), na última sexta-feira (23), pode ter sido o estopim de demissões no Museu do Homem do Nordeste. Segundo funcionários ouvidos pelo PorAqui e que preferiram não ter os nomes apresentados, um protesto feito por monitores e estagiários com copos que tinham a inscrição “Fora Temer” teria sido motivo para seis demissões no órgão.

Uma denúncia feita pela servidora Sônia Dantas ganhou as redes sociais e rapidamente chegou a mais de mil compartilhamentos no Facebook. Oficialmente, o ministro Mendonça Filho veio lançar o projeto Mestres dos Saberes e liberar R$ 20 milhões para a UFPE (incluindo R$ 6 milhões para a recuperação do prédio da Faculdade de Direito do Recife – FDR).

O fato acontece às vésperas da desincompatibilização do ministro, que pode ser candidato a governador, vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin, senador ou deputado federal.

O que dizem ministro e Fundaj

Contactada, a assessoria de imprensa do ministro mostrou estranhamento e garantiu desconhecer totalmente a informação, inclusive deixando claro que Mendonça Filho não percebeu o protesto. “Se teve demissões na Fundaj, é um trabalho deles lá”.

O ministro chegou a enfrentar protestos ano passado, durante a posse do presidente da Fundaj, Luiz Otávio de Melo Cavalcanti. Segundo a assessoria, Mendonça nunca perseguiu ninguém, tem enfrentado os protestos com tranquilidade e, na semana passada, teria estado apenas no hall do Museu do Homem do Nordeste e não visitou as salas da instituição.

Durante a visita, Mendonça afirmou em relação à disciplina sobre o golpe que será ministrada na UNB: “Quando você usa professores, servidores, salas de aula, infraestrutura como um todo da universidade para servir a uma disciplina que não tem nenhuma base científica e que está lá apenas para divulgar teses malucas do Partido dos Trabalhadores, você está fazendo o chamado patrimonialismo”.

Já a Fundação Joaquim Nabuco divulgou uma nota em que afirma que “com relação às mudanças no corpo técnico do Museu do Homem do Nordeste, essas já estavam em curso, obedecendo o critério de competência técnica e a autonomia de gestão”.

Clima

Na Fundação Joaquim Nabuco, reina o clima de medo após os afastamentos. O PorAqui conversou com pelo menos cinco servidores, que não quiseram ter seus nomes citados.

Segundo as fontes ouvidas, a primeira exoneração foi a de Silvana Araujo, que teria sido motivada porque a então coordenadora geral do Museu do Homem do Nordeste não queria ceder uma das salas da instituição museológica, que deve servir agora como cinemateca.

Para algumas das pessoas ouvidas, a saída já demonstrava uma disputa entre o grupo trazido pelo ministro e os profissionais com mais história na casa.

Após a visita do ministro Mendonça Filho, a Coordenadora de Ações Educativas Edna Maria da Silva foi avisada de que perderia seu cargo, na última segunda-feira (26), e também dois monitores e três estagiários seriam desligados.

Presidente da Fundação Joaquim Nabuco na gestão Dilma Roussef, Paulo Rubem diz que “desde o começo, uma das marcas dessa gestão tem sido o afastamento – inclusive de motoristas – para trazer pessoas que sejam da confiança de Mendonça Filho. A Fundaj tem um plano de desenvolvimento institucional, que eu acompanhei durante mais de um ano, mas ele não está sendo respeitado e fica bastante evidente que essa movimentação é indício de um aparelhamento”.

Na entrevista, Paulo Rubem inclusive citou nomes de pessoas exoneradas anteriormente, como o diretor de Planejamento e Administração da Fundação Joaquim Nabuco, Yves Goradesky. No início da noite desta quinta-feira (1º), o Coletivo Fundaj pela Democracia lançou uma nota intitulada Tempestade em Copa D`Água.

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