Sepultura de palavras para os desaparecidos mexicanos

Estudantes desaparecidos há 4 anos no México são os principais personagens de livro escrito pela jornalista Luara Wandelli Loth

Foto: Divulgação.

O lançamento oficial do livro Sepultura de Palavras para os desaparecidos, de autoria da jornalista Luara Wandelli Loth, no dia 27 de setembro, a partir das 19 horas, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, marca os quatro anos do sequestro e desaparecimento forçado dos 43 estudantes da Escola Normal Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa, no estado mexicano de Guerrero. Publicado pela Editora Insular, conta as histórias dos buscadores do México, e narra o drama cotidiano das famílias dos desaparecidos na procura de fossas clandestinas. Durante o lançamento também será exposta e oferecida uma reportagem fotográfica sobre o tema.

Os corpos ou restos mortais dos 43 jamais foram encontrados. A tragédia, que continua mobilizando famílias, e movimentos sociais, provocou o surgimento de grupos de buscadores de valas e fossas clandestinas por todo o país. A divulgação, na opinião da autora, pode ser considerada uma “arma contra a banalização dos desaparecimentos, já que a violência manteve curva crescente, mesmo após o escândalo de Ayotzinapa”.

Conforme revela o livro, os grupos de buscadores, embora politicamente divididos, desafiam um Estado dominado pelo narcotráfico, onde polícia, políticos e organizações criminosas muitas vezes andam de mãos dadas ou atadas.

A autora, na época estudante de Jornalismo da UFSC e intercambista da Universidade Autônoma do Estado do México (UAEMex), acompanhou de forma engajada o desaparecimento dos estudantes e a indignação que tomou conta do México e repercutiu internacionalmente. De volta ao Brasil, Luara não teve dúvidas: escolheu a tragédia dos desaparecidos como tema para desenvolver o seu trabalho de conclusão de curso.

Retornando ao México em 2015, onde permaneceu até março de 2016, a jovem exerceu perigosamente o jornalismo investigativo, acompanhando pessoalmente o trabalho do grupo de buscadores. São histórias, fotos e depoimentos que emocionam até os leitores mais insensíveis.

A grande reportagem, transformada em livro pela Editora Insular, denuncia e reabre uma ferida que nunca vai cicatrizar e para qual a humanidade jamais poderá fechar os sentidos. Até porque, como avisa a autora, o mundo não conseguirá dormir um “sono tranquilo” enquanto não devolver os corpos dos normalistas e demais desaparecidos. Essa é, aliás, a pena que o livro Sepultura de palavras sentencia para a humanidade!

O trabalho que resultou em livro foi orientado pelo professor Carlos Locatelli, do curso de Jornalismo da UFSC e é enriquecido pelas apresentações do historiador Waldir Rampinelli e da professora de Jornalismo Daisi Vogel.

Rampinelli, que integra a direção dos Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), sublinha que “o livro é uma leitura obrigatória para entender esta região marcada por grandes conflitos, desde que por aqui meteram os pés os conquistadores europeus”. A obra é resultado de um “trabalho duro, penoso, doloroso”, talvez mais difícil, como afirmou um jornalista estrangeiro, do que cobrir as guerras do Iraque e da Síria”, acrescentou o historiador.

Já Daisi Vogel, doutora em Literatura, ressalta que Luara fez perguntas, fez fotografias, estudou, enfim, realizou esta extraordinária reportagem”, onde “imagens e palavras se movem caudalosas, e que nos arrastam como águas de uma enchente.”

Acompanhando a saga dos buscadores, este livro-reportagem, na opinião da jornalista, encontra o seu próprio sentido: “mostrar o rastro de destruição desses desaparecimentos para a população inteira do país, especialmente para os habitantes de Iguala, cuja população sobrevive ao horror do sequestro dos 43 estudantes de Ayotzinapa”. Contextualizando a tragédia, Luara reconstitui, por exemplo, a história das Escolas Normais Rurais, que são sinônimo de resistência política.

Serviço:
Lançamento de Sepultura de Palavras para os desaparecidos, de Luara Wandelli Loth, Editora Insular.

Dia 27 de setembro de 2018, das 19 às 22 horas.

Local: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, número 216  Centro de Florianópolis.

Contatos com a Fundação: fone(48) 3224-8846, email: [email protected].

Fonte e e-mail da autora: (48) 99970-2568 (WhatsApp) e (91) 98769-0497 (celular), [email protected].

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