Sem pergunta não tem resposta

Publicado em: 01/11/2011 às 13:51
Sem pergunta não tem resposta

Cronopiando por Koldo Campos Sagaseta

(Português/Español)

Abro os jornais e, em grandes manchetes, a última notícia que me grita e me reitera seu espanto: “As Bolsas desabam após o anúncio de referendum na Grécia sobre o resgate… As notas de risco espanholas e italianas se disparam… Baque nos mercados após o anúncio de um referendum na Grécia… As Bolsas europeias afundam… Referendum grego aumenta  o risco de uma falência… A reviravolta dramática da Grécia… Bruxelas urge a Grécia a cumprir com seus compromissos… Sarkozy  convoca reunião sobre referendum grego… A Espanha lamenta a decisão de Papandreu… Rubalcaba diz que o referendum é uma decisão ruim…!”

E como é possível tanto afundamento, desabamento, baque, risco, urgência, reviravolta, falência, drama…? O que é esse horror que o provoca?

Diz o dicionário que “referendum” é um: “procedimento jurídico através do qual se submetem ao voto popular leis ou atos administrativos.”

Ou o que dá na mesma, que a causa de que o pânico comova as fundações de tantos sólidos princípios e venturosos futuros, é que o povo fale, que o povo decida, que seja seu governo soberano quem tome a palavra. Essa é, precisamente, dizem as Bolsas, os Mercados, Bruxelas, Sarkozy, Espanha e a mídia, o que diferencia uma democracia de uma ditadura.

A ilustre Comunidade Europeia, exemplo democrático, paradigma de todas as virtudes, referência obrigada ética e moral, quinta-essência do bom gosto… Faz tempo que sabe e pratica que para não obter uma resposta o melhor é não fazer uma pergunta.

Versão em português: Tali Feld Gleiser.

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Sin pregunta no hay respuesta

 Por Koldo Campos Sagaseta.

Abro los periódicos y, en grandes titulares,  la última noticia que me grita y me reitera su espanto: “Las Bolsas se desploman tras el anuncio de referéndum en Grecia sobre el rescate… Las primas de riesgo española e italiana se disparan… Batacazo en los mercados tras el anuncio de un referéndum en Grecia…Las Bolsas europeas se hunden… Referéndum griego aumenta  el riesgo de una quiebra… El giro dramático de Grecia… Bruselas urge a Grecia a cumplir con sus compromisos… Sarkozy  convoca reunión sobre referéndum griego… España lamenta la decisión de Papandreu… Rubalcaba dice que el referéndum es una mala decisión…!”

¿Y cómo es posible tanto hundimiento, desplome, batacazo, riesgo, urgencia, giro, quiebra, drama…? ¿Qué es ese horror que lo provoca?

Dice el diccionario que “referéndum” es un: “procedimiento jurídico por el que se someten al voto popular leyes o actos administrativos.”

O lo que es lo mismo, que la causa de que el pánico conmueva los cimientos de tantos sólidos principios y venturosos futuros, es que el pueblo hable,  que el pueblo decida,  que sea su gobierno soberano quien tome la palabra. Esa es, precisamente, dicen las Bolsas, los Mercados, Bruselas, Sarkozy, España y los medios de comunicación, lo que diferencia una democracia de una dictadura.

La ilustre Comunidad Europea,  dechado democrático, paradigma de todas las virtudes, obligada referencia ética y moral, quintaesencia del buen gusto…hace tiempo que sabe y practica que para no obtener respuestas lo mejor es no hacer preguntas.

La ilustre Comunidad Europea,  dechado democrático, paradigma de todas las virtudes, obligada referencia ética y moral, quintaesencia del buen gusto…hace tiempo que sabe y practica que para no obtener una respuesta lo mejor es no hacer una pregunta.

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