Seis meses depois, caso Marielle e Anderson continua sem solução e investigação tem efetivo reduzido

Nos primeiros dias, o caso contou com 30 agentes, passou a dez e, há 14 dias, voltou a ter 20 investigadores.

Foto: Reprodução

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes completa seis meses, nesta sexta-feira (14), que sem uma solução para o caso. Como se não bastasse, passada a comoção mundial com o caso, a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro teve o seu efetivo reduzido. De acordo com informações do G1, nos primeiros dias teve 30 agentes, passou a dez e, há 14 dias, voltou a ter 20 investigadores.

Nem a delação de um suposto envolvido com o crime ajudou a clarear as investigações. O vazamento do depoimento, de acordo com autoridades, “atrapalhou e até pode ter desaparecido com provas do assassinato”. De acordo com o depoimento, o vereador Marcelo Siciliano teria planejado a morte de Marielle que foi executada a mando do miliciano Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando da Curicica.

Repercussão mundial

O assassinato de Marielle e Anderson teve repercussão mundial. O caso foi reportagem de capa do jornal americano The Washington Post. O título da matéria diz: “A black female politician was gunned down in Rio. Now she’s a global symbol” (Parlamentar negra foi baleada no Rio. Agora ela é um símbolo global).

O texto conta a trajetória da vereadora, descreve o crime e fala, sobretudo, sobre a repercussão que o caso teve em todo o mundo. A reportagem destaca a importância de Marielle na luta contra a violência policial nas favelas do Rio: “A matança não é apenas uma guerra contra os pobres. É também uma guerra contra os negros”, dizia ela.

Marielle defendeu incansavelmente os direitos de todos. Dias depois do crime, o coronel Robson Rodrigues, um dos mais respeitados coronéis da Polícia Militar do Rio de Janeiro, escreveu um texto, em sua página no Facebook, no qual homenageia a socióloga a vereadora do PSOL-RJ, Marielle: “Ela defendia muito mais nossos policiais do que nós fomos capazes de compreendê-lo e de fazê-lo”.

Em outro caso, do policial civil Eduardo Oliveira, que morreu em abril de 2012, Marielle também foi lembrada. A mãe do policial, Rose Oliveira, correu atrás de justiça: “Nem vivi o luto”, lembra. Ela foi aconselhada a procurar a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia do Rio (Alerj) e se surpreendeu. “Falei: ‘Direitos Humanos? Não fazem nada por policiais’”. De acordo com Gabriel Barreira, do G1, mesmo desconfiada, Rose conheceu Marielle Franco, então assessora do comitê na Alerj: “Entrei no gabinete e tive outra impressão”. Seis anos depois, ao recordar da mulher que se tornou sua amiga e que acabou assassinada, ressalta com gratidão: “A Marielle foi imbatível, foi muito importante no caso do meu filho”.

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