Sea-Watch, Carola Rackete está livre. A juíza anula a prisão: “Ela agiu para salvar os migrantes”

Um longo dia de espera. Então às 20h o veredicto da magistrada de AgrigentoAlessandra VellaCarola Rackete, a comandante do Sea-Watch 3, está livre após quatro dias em prisão domiciliar. A juíza de instrução foi muito além do pedido dos promotores, não validando a prisão da comandante do Sea WatchCarola Rackete, excluindo o crime de resistência e violência a um navio de guerra e considerando que o crime de resistência a um oficial público foi justificado por uma “discriminante” ligada ao fato de ter agido “para cumprir um dever“, o de salvar vidas humanas no mar. Assim, foi revogada a prisão domiciliar decidida pelo promotor que havia solicitado a validação da medida restritiva e a proibição de permanência na província de Agrigento. A juíza também ressalta que a escolha do porto de Lampedusa não foi instrumental, mas obrigatória porque os portos da Líbia e da Tunísia não foram considerados portos seguros.

A reportagem é de Fabio Tonacci e Alessandra Ziniti, publicada por La Repubblica, 02-07-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Para Salvini um novo fiasco. O Ministro do Interior não esconde sua decepção e anuncia ter disposto uma providência de afastamento do território nacional com condução até a fronteira. A prefeitura confirma: “Assinado a ordem de expulsão”. Mas o prefeito Dario Caputo deixa claro que não pode ser cumprido até que Rackete seja novamente interrogada pela promotoria, no âmbito do processo de favorecimento à imigração clandestina.

“Para a magistratura italiana, ignorar as leis e forçar um barco de patrulha Polícia Financeira não são motivos suficientes para ir para a cadeia – foi o comentário de Salvini. Não tem problema: para a comandante criminosa Carola Rackete está pronta uma providência para mandá-la de volta a seu país. Ela voltará para a Alemanha, onde não seriam tão tolerantes com uma mulher italiana que fosse atentar à vida de policiais alemães. A Itália levantou a cabeça novamente: somos orgulhosos de defender nosso país e ser diferentes de outros chefetes europeus que pensam que ainda podem nos tratar como uma sua colônia. A moleza acabou”.

Portanto, Rackete está livre para se deslocar. Em Agrigento, terá que retornar em 9 de julho para o interrogatório diante da promotoria na outra linha de investigação na qual está sendo investigada por favorecimento da imigração ilegal. Enquanto isso, o Sea-Watch 3 saiu de Lampedusa: escoltado por um navio patrulha do Departamento de Finanças, está indo para Licata, onde permanecerá sob o sequestro junto com o navio Mare Ionio da ONG do Mediterrânea. Enquanto isso, o Sea-Watch garante que as operações de resgate no mar continuarão. “Precisamos de uma solução política para que situações como esta não aconteçam novamente”, disse o porta-voz Ruben Neugebauren. E acrescentou: “Estamos muito decepcionados com o governo alemão e com a Europa”.

Da manhã desta terça-feira é também a troca de farpas entre a França e Matteo Salvini. A porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiyaye, entrevistada pela BFM-TV, afirmou que a Itália “não é um país indigno”, mas o comportamento de Salvini sobre a questão dos migrantes “não é aceitável”. Na entrevista, Ndiaye explicou que a Itália não esteve “à altura” em relação ao acolhimento e acrescentou que “estamos falando de vidas humanas: se as leis do mar podem ser aplicadas, então devem ser aplicadas”. No que diz respeito à investigação sobre Carola Rackete, já fonte de atrito entre Roma e a AlemanhaNdiaye acrescentou: “É evidente que se deve respeitar a justiça de um país soberano. É o que eu esperaria para a França de parte de qualquer outro país e é isso que fazemos em todas as circunstâncias”. Paris não pretende, portanto, pedir sua “liberação”.

Palavras às quais Salvini imediatamente replicou: “Meu comportamento sobre a imigração é inaceitável? Que o governo francês pare de insultar e abra seus portos, os italianos já acolheram (e gastaram) demais. Próximos barcos? Destino Marselha“.

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