SC lidera ranking SUS, resultado ainda é pobre

Por Larissa Cabral.

Pesquisa do Ministério da Saúde traça perfil do Sistema Único de Saúde no país e analisa a eficiência e qualidade do serviço

Santa Catarina é o melhor estado no ranking do Sistema de Único de Saúde (SUS), segundo estudo realizado pelo Ministério da Saúde. O Índice de Desempenho do SUS (IDSUS) faz uma aferição contextualizada do desempenho do SUS quanto ao acesso (potencial ou obtido) e à efetividade da Atenção Básica, das Atenções Ambulatorial e Hospitalar e das Urgências e Emergências. De acordo com esses critérios, o serviço oferecido aos catarinenses obteve avaliação 6,29 em uma escala de zero a 10.

De acordo com o índice, o Brasil recebeu nota 5,4, pouco mais da metade da nota máxima (10), apresentando 20% dos municípios com pontuação abaixo de 5. Técnicos da pasta analisam que 7 é uma pontuação adequada, mas o resultado deve ser assumido pelas três esferas de governo, pois não é consequência das ações apenas dos municípios, por exemplo.

Para obter um resultado mais minucioso e contextualizado, o estudo dividiu os municípios brasileiros em seis grupos com condição econômica e infraestrutura semelhantes. No grupo 2, por exemplo, figuram Itajaí, Joinville, Criciúma e Blumenau, que obtiveram as notas 7,01; 6,54; 6,67 e 6,37, respectivamente. No grupo 3, as notas foram as seguintes: Indaial (4,72), Ibirama (5,77), Gaspar (4,95), Campos Novos (5,61), Caçador (5,44) e Balneário Camboriu (5,31). Já no grupo 5, destacam-se: Guaramirim (5,75), Capivari de Baixo (6,84), Caibi (6,07) e Alfrego Wagner (6,52).

As notas de todos os municípios do País podem ser visualizadas neste link, após o download do arquivo.

Número em busca de melhoras

Os resultados do índice poderão servir como um importante subsídio para a formulação e execução de políticas públicas de saúde, que atualmente recebem 3,75% do PIB nacional – metade do necessário. O IDSUS apontou também que, apesar da boa colocação de Santa Catarina em relação às demais regiões, o Estado, que investiu R$ 71 milhões em reformas e ampliações de hospitais em 2011, ainda peca na oferta de serviços mais complexos como cardiologia e oncologia.

O secretário de Estado da Saúde, Dalmo Oliveira Claro, explicou que a abrangência da Estratégia da Saúde da Família, que envolve serviços dos posto de saúde, atendimento inicial e serviços de baixa complexidade, como consultas médicas e processos ambulatoriais, é de 100% nas regiões Oeste e Meio-Oeste, mas precisa avançar no Norte. O Governo Federal vai usar os resultados do Idsus, o Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS), como critério para concessão de verba extra a estados e municípios.

Ranking da Grande Florianópolis

Dos 21 municípios da Grande Florianópolis, apenas nove alcançaram notas acima de 7,0. Águas Mornas, cidade com 5.617 habitantes, lidera o ranking regional com avaliação de 7,82. O último posto coube a Major Gercino, com 5,73. A avaliação de Florianópolis ficou abaixo do razoável, com 6,67, mas o suficiente para ser a terceira Capital melhor colocada no país, atrás de Vitória (7,08) e Curitiba (6,96).

1º – Águas Mornas (5.617 habitantes) – nota: 7,82

2º – Paulo Lopes (6.751 habitantes) – nota: 7,75

3º – Governador Celso Ramos (13.107 habitantes) – nota: 7,73

4º – Santo Amaro da Imperatriz (20.082 habitantes) – nota: 7,68

5º – São Pedro de Alcântara (4.790 habitantes) – nota: 7,56

6º – Angelina (5.210 habitantes) – nota: 7,42

7º – Antônio Carlos (7.537 habitantes) – nota: 7,18

8º – São Bonifácio (2.992 habitantes) – nota: 7,12

9º – Rancho Queimado (2.757 habitantes) – nota: 7,01

10º – Nova Trento (12.369 habitantes) – nota: 6,94

11º – Biguaçu (58.983 habitantes) – nota: 6,86

12º – Anitápolis (3.212 habitantes) – nota: 6,73

13º – Canelinha (10.726 habitantes) – nota: 6,72

14º – Florianópolis (427.298 habitantes) – nota: 6,67

15º – Palhoça (139.989 habitantes) – nota: 6,66

16º – Leoberto Leal (3.336 habitantes) – nota: 6,54

17º – Alfredo Wagner (9.452 habitantes) – nota: 6,52

18º – São João Batista (27.135 habitantes) – nota 6,47

19º – Tijucas (31.533 habitantes) – nota: 6,38

20º – São José (212.586 habitantes) – nota: 5,95

21º – Major Gercino (3.289) – nota: 5,73

Sobre o Índice

De três em três anos o índice mede a oferta e a qualidade dos serviços da rede pública de saúde, levando em conta 24 indicadores. A regra é a seguinte: o município ganha pontos à medida que atende os usuários, independente se moram na cidade. A qualidade também conta pontos. Já a demora nos encaminhamentos ficou fora das exigências para listar o acesso à saúde.

O IDSUS avaliou também cidades que não têm hospital e rede de especialistas e que, por isso, os moradores são obrigados a buscar atendimento em municípios vizinhos. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nem todas as cidades, principalmente as de menor porte, precisam dispor de atendimento especializado, porém, devem oferecer alternativas para o cidadão.

Os melhores e os piores do BR

Os mais bem colocados são Vitória (ES), com nota 7,08 no grupo 1; Barueri (SP), com nota 8,2 no grupo 2; Rosana (SP), com nota 8,1 no grupo 3; Turmalina (MG), com nota 7,3 no grupo 4; Arco-Íris (SP), com nota 8,3 no grupo 5 e Fernandes Ribeiro (PR), com nota 7,7 no grupo 6.

Os que tiveram pior colocação foram Rio de Janeiro (RJ), com nota 4,3 no grupo1; São Gonçalo (RJ), com nota 4,1 no grupo 2; Colorado do Oeste (RO), com nota 3,6 no grupo 3; Novo Repartimento (PA), com nota 2,56 no grupo 4; Cujubim (RO), com nota 3,2 no grupo 5 e Pilão Arcado (BA), com nota 2,5 no grupo 6.

Fontes: Agência Saúde, ND Online, Folha Regional e Secretaria de Estado da Saúde

1 COMENTÁRIO

  1. É, ontem mesmo tive a experiência de ver como funciona o atendimento médico em Florianópolis.

    Das 4 vezes que fui no posto médico da Trindade, duas delas esbarrei na porta com os dizeres “Em reunião interna das 13h as 17h.”, o estacionamento com pouquíssimos carros denunciava que poucos profissionais deveriam estar na tal reunião de 4 horas.

    Outra vez, não tinha o comprovante de residência, então deveria me deslocar até outro posto.

    Dessa ultima vez, 30 pessoas aguardavam atendimento de um médico. Outros dois estariam em visitação.

    Tive que optar pelo atendimento particular…

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