Retrospectiva: Macri, mais cafajeste do que nunca

Foto: Getty Images
Mauricio Macri, o FMI e o poder ausente

Por Débora Mabaires, para Desacato.info.

Tradução: Tali Feld Gleiser, para Desacato.info. (Port./Esp.)

Mauricio Macri nunca teve muitos escrúpulos, mas agora, quando o final se aproxima, se tornou mais cafajeste do que nunca.

No sábado 24 de agosto, enquanto representantes do Fundo Monetário Internacional se reunia com funcionários do governo, Mauricio Macri se encarregou de mostrar que sua gestão tem um suposto apoio popular, com uma marcha organizada por alguns funcionários e incentivada pelo ator Luis Brandoni, ex-deputado nacional, desde a cidade de Madri, na Espanha.

Umas 20.000 pessoas se concentraram na Praça de Maio para montar uma teatralização grotesca em que senhoras e senhores bem vestidos, em sua maioria idosos, agitavam bandeiras argentinas e cantavam consignas contra Cristina Fernández de Kirchner.

A massa odiadora das questões populares estava aí voluntariamente, fazendo parte de um ato “populista”, onde não faltaram agressões a jornalistas que trabalham em meios alheios ao regime.

O surrealismo tomou um rumo ridículo quando Macri apareceu na sacada da Casa Rosada para dançar e saudar a plebe. Sua esposa, Juliana Awada, cumpriu à perfeição o papel que devia representar, mas, quando começou a pular agitando uma bandeira argentina, o mandatário lhe chamou a atenção, como para lembrar que o protagonista era ele.

Treinada como um bichinho de estimação, sua esposa continuou sorrindo como se nada tivesse acontecido.

Os representantes do FMI conseguiram observar tudo desde a janela do Ministério da Economia, localizado do lado da Casa Rosada, mas se ficaram deslumbrados, não foi bem impressionados precisamente.

Na segunda-feira conversaram com o candidato presidencial Alberto Fernández, quem lembrou para o chefe do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner, e o chefe da missão argentina, Roberto Cardarelli, que “o último empréstimo (do FMI) foi integramente destinado a financiar a fuga (de capitais)” e que isto é “um incumprimento flagrante ao disposto pelo Artigo VI da Ata Constitutiva do organismo cujo primeiro parágrafo dispõe que ‘nenhum membro poderá utilizar os recursos geras do Fundo para enfrentar uma saída considerável ou contínua de capital’ “.

Diante da pressão exercida pelos representantes do FMI, Alberto Fernández teve a solidez dos argumentos para frear os embates. “Desde o acordo com o Fundo, os salários baixaram 20%, pelo qual não podem ser nunca os causantes da inflação”.

Deste jeito, marcou os limites políticos do acordo e responsabilizou o Fundo Monetário Internacional por ter sido cúmplice na catástrofe econômica e social que a Argentina vive hoje em dia.

Alejandro Werner iniciou as conversas reconhecendo que Mauricio Macri não tem mais o poder político para negociar com o FMI, e por isso precisavam falar com o próximo presidente. Alberto Fernández lhe lembrou que ele, por enquanto, é só um candidato.

Os representantes do Fundo Monetário se encontram numa encruzilhada: são cúmplices da fuga de capitais e a destruição da economia do país e, até agora, podiam alegar que foram enganados por Mauricio Macri e que confiaram nele. Mas não mais.

Com os incumprimentos do acordo e com os resultados à vista, deverão decidir se seguem jogando fora milhares de milhões de dólares para a fuga de capitais e assim aprofundar o desastre econômico, ou negam ao governo esses fundos, e aprofundam o desastre econômico.

O povo argentino, os trabalhadores, os aposentados, as crianças, simples espectadores deste jogo de poder, sofriremos do mesmo jeito.

Macri continua assinando decretos para nos condenar enquanto dança sobre as ruínas do país.


Mauricio Macri, el FMI y el poder ausente

Por Débora Mabaires, para Desacato.info.

Mauricio Macri nunca tuvo muchos escrúpulos, pero ahora, cuando el final se aproxima, se ha vuelto más crapuloso que nunca.

El sábado 24 de agosto, mientras los funcionarios del Fondo Monetario Internacional se reunían con funcionarios de gobierno, Mauricio Macri se aseguró de mostrar un supuesto apoyo popular a su gestión, con una marcha organizada por algunos funcionarios e incentivada con el actor Luis Brandoni, exdiputado nacional, desde la ciudad de Madrid, en España.

Unas 20.000 personas se reunieron en la Plaza de Mayo para montar una teatralización grotesca en la que señoras y señores bien vestidos, en su mayoría, ancianos, agitaban banderas argentinas y coreaban consignas contra Cristina Fernández de Kirchner.

La masa odiadora de lo popular, estaba allí voluntariamente, siendo parte de un acto “populista” donde no faltaron agresiones a periodistas que trabajan en medios ajenos al régimen.

El surrealismo tomó un giro descabellado, cuando Macri se asomó al balcón de la Casa Rosada para bailar y saludar a la plebe. Su esposa, Juliana Awada, cumplió a la perfección el papel que debía representar, pero cuando comenzó a saltar agitando una bandera argentina, el mandatario le llamó la atención, como para recordarle que él era el protagonista.

Adiestrada como una mascota, su esposa siguió sonriendo como si nada pasara.

Los representantes del FMI pudieron observar todo desde la ventana del Ministerio de Economía, situado a un lado de la Casa Rosada, pero si resultaron impresionados, no fue para bien.

El lunes fueron a conversar con el candidato presidencial Alberto Fernández, quien le recordó al jefe del Departamento del Hemisferio Occidental del FMI, Alejandro Werner y el jefe de la misión argentina, Roberto Cardarelli que “el último desembolso (del FMI) ha sido íntegramente destinado a financiar la fuga” y que esto es “un incumplimiento flagrante a lo dispuesto por Artículo VI del Acta Constitutiva del organismo cuyo primer párrafo dispone que ‘ningún miembro podrá utilizar los recursos generales del Fondo para hacer frente a una salida considerable o continua de capital’ “.

Ante la presión ejercida por los representantes del FMI, Alberto Fernández tuvo la solidez de los argumentos para frenar los embates. “Desde el acuerdo con el Fondo, los salarios bajaron un 20% , con lo que no pueden ser nunca los causantes de la inflación”.

De esta manera marcó los límites políticos del acuerdo y responsabilizó al Fondo Monetario Internacional por haber sido cómplice en la catástrofe económica y social que vive hoy Argentina.

Alejandro Werner inició las conversaciones reconociendo que Mauricio Macri ya no tiene el poder político para negociar con el FMI, y por eso necesitaban hablar con el próximo presidente. Alberto Fernández le recordó que él, por ahora, es sólo un candidato.

Los representantes del Fondo Monetario se encuentran en una encrucijada: han sido cómplices de la fuga de capitales y la destrucción de la economía del país y hasta ahora, podían alegar que fueron engañados por Mauricio Macri y que confiaron en él. Pero ya no.

Con los incumplimientos del acuerdo y con los resultados a la vista, deberán decidir si siguen tirando miles de millones de dólares para la fuga de capitales y así profundizar el desastre económico, o si le niegan al gobierno esos fondos, y profundizan el desastre económico.

El pueblo argentino, los trabajadores, los jubilados, los niños, simples espectadores de este juego de poder, sufriremos igual.

Macri sigue firmando decretos para condenarnos mientras baila sobre las ruinas del país.

Débora Mabaires é cronista e mora em Buenos Aires.

 

 

 

A opinião do/a autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.

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