Retratos do Sul

CONDOR

 

Foram trocando os quadros na escola

Lá onde estava Videla apareceu o nome Rodolfo

Caiu de repente Figueiredo e uma foto,

Preto e branco, refletiu o sorriso do Vladimir.

Não tinha mais Stroessner, quebrou-se a moldura

E entraram os olhos profundos de Soledad Barret.

Desfigurou-se na sombra a silhueta suja de “El Goyo” Alavarez

E el Bebe Sendic emergiu com cuia e erva fresca

Rodeado de cortadores de cana em Artigas.

E um por um todos os quadros mudaram,

O retrato do Sul vibrou quando caiu Pinochet

E as mãos pássaros de Victor Jara recordaram Amanda.

Fotos velhas, sinistras, violentas, genocidas, caíram sem pausa.

E o condor, o belo condor foi liberado da sua tortura interminável

E voltou a reinar nos ares altos da Nossa Pátria Latinoamericana,

Já é de novo o majestoso rei das cordilheiras

Libertou-se para sempre do cunho maldito que usou seu nome

Para que nunca mais voaram nossos sonhos de liberdade.

As escolas, as ruas, as praças, os hospitais, as estradas, os prédios públicos

Todos liberados para sempre da mácula da história.

Agora tem heróis nas paredes, caíram de vez os genocidas.

Raul Fitipaldi, para Desacato.info. 

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