Reflexões sobre Jornalismo e Comunicação Social

Por Larissa Cabral.

O trabalho colaborativo entre jornalistas e comunicadores sociais na Era Digital

Os mais pessimistas costumam chamar de crise, mas fato é que o Jornalismo vive sim um momento de transição. O instante, contudo, vai além do peso negativo que carrega o termo crise, ele se caracteriza pela quebra de paradigmas, o que pode significar novos começos. É um momento de oportunidade para aqueles que ainda estão pequenos, germinando, mas que têm um diferencial e, acima de tudo, desejam inovar.

Não acredito que o Jornalismo tenha perdido sua identidade, ele agora conta com meios de assumir várias identidades, pois a comunicação deixa de ser propriedade dos jornalistas e dos grandes veículos de comunicação. Ela passou a ser exercida na sua sua essência, como algo inerente à sociedade, pois as alternativas para fazê-lo são incontáveis. O que não quer dizer que o jornalista perde sua função, pelo contrário, ele tem ao seu alcance todos os mecanismos para se tornar fundamental.

É a hora dos questionamentos, mas não só no mundo dos jornalistas ou na área da Comunicação e é impossível não pensar que isso não tenha relação com questionamentos globais, de vários tipos de comunidade, diversas regiões, faixas etáreas, cor da pele ou religião. A sociedade está tentando se adaptar à Era Digital, em todos os locais do mundo, e durante esse processo, sistemas são questionados, assim como valores, métodos e hábitos.

Internet – Esse novo tempo colocou megafones nas bocas todos os tipos de indivíduos, deu voz e espaço para aqueles que nunca os tiveram. A grande mola propulsora dessas mudanças, que tanto encantam como apavoram, é sem dúvida alguma a internet, na verdade, acredito que seja o alto grau de compartilhamento de informações que esse meio proporciona. A profunda transformação no campo da comunicação e na prática jornalística tem base tecnológica na Internet, principalmente por meio da digitalização e interatividade. Temos em mãos uma quantidade imensurável de dados, enviados por bilhões de pessoas, que além disso estão interconectadas, cada dia mais próximas.

Essa é uma propriedade muito importante das redes sociais, que já conseguiram até desencadear revoluções, denunciar escândalos e provocar destituições. Esse novo canal promove a integração e ajuda na difusão das informações, sem depender dos jornais, TVs ou emissoras de rádio.

Todos os dias nascem novas comunidades ou crescem aquelas já existentes. São comunidades independentes da proximidade física e do idioma. São agrupamentos sociais caracterizados por forte coesão, baseada no consenso espontâneo dos indivíduos. É um ganho social viabilizado pela tecnologia, pelas pontes imaginárias construidas pelo simples contato virtual e a troca de expriências.

Nesse contexto, a realidade não se torna complexa, ela se revela complexa por natureza, e a internet expressa isso, apresentando fragmentos muito mais variados do que o bom e o mau, o certo e o errado, o a favor e contra, ou os dois lados da história. Os usuários têm mais acesso a informação, maior capacidade de comparar números, selecionar conteúdos, exigir, cobrar, disseminar informações e criar comunidades por interesses específicos com apenas um clic.

Jornalismo – A convergência multimídia aplicada à Comunicação, por meio de novas tecnologias e da internet, quebra o sistema fordista da maioria das redações jornalísticas tradicionais e cria um sistema de unidade de trabalho – trabalho em grupos multidiciplinares. Além disso, a internet se apresenta como um canal atrativo para atingir públicos segmentados e é fonte promissora de rentabilidade, com várias possibilidades de receitas. Entre as oportunidades criadas na internet para o jornalismo é importante destacar: melhoria na pesquisa, com acesso a maior número de informações e de fontes; mais espaço para as matérias, melhores condições de interagir com o leitor, memória e arquivamento ilimitados, entre outras.

Nesse meio é possível encontrar uma gama de oportunidades para a atividade jornalística, especialmente para ao processo de produção e difusão da notícia, profundamente transformados em função das tecnologias digitais e das redes interativas, que oferecem uma quantidade incalculável de informações originárias de fontes plurais.

Frente à tão falada crise do Jornalismo na Era Digital, mais importante do que o novo superar o velho, é um aprender com o outro, trocar experiências, ver o que serve, o que não serve, hamorizarem-se ao invés de aniquilarem-se. É possível e provável que as gerações convivam, relacionem-se e tentem tirar o melhor que podem desse casamento, em favor do Jornalismo e da Comunicação Social.

A necessidade de adaptação não atinge apenas os profissionais, mas o meios de comunicação, em geral, que com isso poderão expandir e diversificar cada vez mais seu público. Aqueles que se encontram em um formato cristalizado, seguindo métodos viciados, apresentam dificuldades para se adaptar às mudanças em curso. As possibilidades abertas para o jornalismo na internet colocam em pauta a necessidade de construir um novo modelo, em que o efeito seja mais importante do que efetividade na reprodução de um modelo pronto.

É necessário que se conteste a ideia de que a internet e seus usuários poderão anular a função do jornalista. No meio online, há informações confiáveis e há milhares de informações sem qualquer credibilidade, o que torna o processo de apuração mais complicado e exigente; e são os critérios e técnicas jornalísticas que irão dar credibilidade na divulgação de informações e até mesmo durante todo o processo de produção de conteúdo, que deve ser guiado sempre pela responsabilidade inerente à profissão.

O Jornalismo que está nascendo é resultado da quebra de hegemonia das fontes de informação e da criação de novas estruturas e de remodelação de configurações existentes. Espera-se, contudo, que esse novo formato expresse a responsabilidade social da atividade jornalística.

Na atualidade, o jornalismo deve se pautar pelo conteúdo, pela veracidade das informações, pela amplitude na cobertura do fato. A internet supre o cidadão das informações cotidianas de forma imediata. As redes sociais potencializaram essa difusão de informações. Muitas empresas, órgãos públicos,ONGs distribuem informação diretamente ao publico por esse canal. Assim, o produto jornalístico não pode ser mera cópia daquilo que está difundido.

Comunidade – Após conquistar seu espaço e fazer-se ouvir por meio da internet, o cidadão não é só pontos de audiência, é fonte de conhecimento bruto que quer ser valorizado, que tem coisas pra falar e mais do que nunca, precisa ser ouvido. O grande interlocutor passa a ser o cidadão comum porque a busca do dado bruto e do conhecimento tácito passa a ser tão importante quanto o conhecimento explicitado ou a teoria. O dado bruto e o conhecimento tácito estão na origem do processo de produção de novos conhecimentos. Sem eles não há inovação.

A sociedade comum, contudo, não quer apenas ser fonte de informação. Ela também quer criar seu próprio canal de comunicação, quer se ver representada e produzir conteúdo informativo de seu interesse. Mas, apesar de todas as facilidade encontradas no meio online, existem ainda barreiras fortíssimas para a democratização dos canais de comunicação. Há barreiras econômicas, sociais e de valores que ainda hoje garantem o monopólio comunicacional em diversos locais do mundo. A cobertura tradicional é inviável para pequenas comunidades pelo custo, contudo a difusão via internet vem a ser uma boa saída, pois o lançamento de um produto noticioso online requer menos investimento do que o necessário para distribuí-lo nas mídias tradicionais.

Nesse contexto de inserção da sociedade como produtor e difusor de informações, tem-se os comunicadores sociais como importantes personagens. Sua relação e proximidade com os jornalistas pode gerar produtos muito ricos, formalizando uma tendência democrática, mais completa, mais humana, fortalecendo as pontes que ligam a Comunicação Social (onde inclui-se o Jornalismo) e a comunidade.

Esse casamento busca alternativas para se adaptar à nova era e se expressar, tendo em vista sempre seu compromisso social. Na tentativa de sobrevivência, nota-se uma inclinação ao trabalho autônomo, em que o jornalista toma uma postura móvel, sem local de trabalho fixo, carteira assinada e outras garantias. Essa postura demanda dos comunicadores novas habilidades fundamentais para a auto-gestão, como o marketing pessoal e o estabelecimento de redes de trabalho colaborativo.

O que se pode verificar é que não existe uma única forma de comunicar e todas devem ser feitas a partir das necessidades da comunidade, que abraça o Jornalismo por mudança social, ou do público a quem se destina. Para se ter uma comunicação mais pacífica, é fundamental haver novas formas de convivência e uma postura totalmente comprometida com a humanização.

O dos comunicadores em suas comunidades pode crescer se houver articulação e discussão de novas propostas voltadas para ampliar o acesso aos meios de comunicação em nosso país. O que hoje é um movimento localizado em sua grande maioria nas periferias dos grandes centros, pelos marginalizados pelo monopólio da Comunicação, pode realizar mudanças sérias e aprofundar o sistema democrático no país.

Ilustração: Thiago Buzzy

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