Reciclagem é alternativa para evitar que alimentos cheguem aos aterros sanitários

Por Marcelo Luiz Zapelini, para Desacato. info.

E se você pudesse reduzir a quantidade de lixo que vai para o aterro sanitário ao mesmo tempo em que incentiva a produção de alimentos saudáveis? A solução existe e atende pelo nome de reciclagem. Para incentivar a prática nos municípios UFSC, Comcap, Fapesc e outras entidades lançaram a publicação com critérios técnicos para pátios de compostagem, ontem, 03, na Assembleia Legislativa de SC.

Os resíduos orgânicos, como alimentos, podas de árvores e aparas de grama viram chorume e gás metano quando depositados nos lixões e aterros. Se reciclados, viram adubo e fertilizantes naturais.

No seminário que lançou o documento “Critérios técnicos para elaboração, operação e monitoramento de pátios de compostagem de pequeno porte”, as entidades envolvidas na iniciativa apresentaram suas experiências.

O vereador de Florianópolis Marquito (Psol), que atua na área, recomendou a leitura, pois ele tem origem em um processo histórico de construção coletiva das entidades envolvidas e tem base técnica consistente.

Uma das referências é o método UFSC, criado em 1994. No método adaptado para compostagem urbana, bactérias que gostam de calor decompõem os materiais em leiras com palha e serragem, que produzem calor acima de 55 graus. Esse método foi utilizado inicialmente em um pátio da universidade, hoje desativado e depois aplicado pela Comcap.

A Comcap, empresa da prefeitura que atua na limpeza pública de Florianópolis, apresentou a experiência de seu pátio, que processa 600 toneladas anuais de resíduos de alimentos, desde 2008.

A engenheira sanitária da estatal, Flávia Vieira Guimarães Orofino, explicou que no Parque Jardim Botânico, a Comcap mantém um pátio didático que ensina técnicas de compostagem em oficinas mensais.

Para Orofino, hoje prevalece a cultura de “colocar o lixo no caminhão, para levar para o aterro, lavar a mão e ir dormir”. A mudança dessa cultura é um processo, que acontece com a educação ambiental. As famílias do entorno, deixam os orgânicos nas bombonas e podem retirar os compostos quando prontos.

“A gente vê o alimento separado em casa virando composto e voltando como alimento saudável. É outra história, esse é o ciclo da vida”, ponderou.

Não há coleta seletiva para orgânicos, mas os cidadãos podem deixar estes resíduos no Eco Ponto da Comcap no Itacorubi e no Parque Jardim Botânico.

Na comunidade Chico Mendes, algumas mulheres iniciaram há nove anos a Revolução dos Baldinhos. Hoje, quatro mulheres e dois homens processam resíduos orgânicos em um pátio cedido por uma escola estadual. O adubo é devolvido para os moradores que fazem agricultura em casa e o excedente é comercializado para remunerar os trabalhadores.

“Todos gostam de plantar, na comunidade. Muitos vieram de lugares onde tinha agricultura”, explicou Cintia Cruz.

No Parque Ecológico do Córrego Grande, a ação Família Casca, organizada pela Fundação Municipal do Meio Ambiente, serve como ponto de coleta. Com parcerias, o projeto realiza atividades de sensibilização com a comunidade, escolas e grupos interessados.

Lúcio Proença do Ministério do Meio Ambiente, acompanhou o seminário e discutiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que prevê a destinação correta dos resíduos urbanos, inclusive através da compostagem. Ele admitiu que a discussão sobre esse tipo de reciclagem é recente, mas deve ser considerada pelos municípios. “É preciso transitar desse paradigma de aterrar os resíduos para um paradigma de reciclar os resíduos. Essa é a grande questão do momento”, apontou.

A importância da reciclagem é ressaltada pelos números: no Brasil, em média, metade do lixo é orgânico. Essa quantidade poderia ser nula, pois: “esse é o único resíduo que consegue ser reciclado em escala doméstica”, explicou Proença.

 

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