Reajuste de 16% a procuradores da República ultrapassa teto constitucional

Publicado em: 27/07/2017 às 10:38
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Proposta orçamentária foi acordada entre Rodrigo Janot e Raquel Dodge / Antonio Cruz/Agência Brasil

Em um contexto de cortes em gastos estatais, o Conselho Superior do Ministério Público Federal, instância máxima de deliberação do órgão, aprovou reajuste salarial de 16,75% para os membros da carreira. A proposta orçamentária elaborada pela instituição deve ainda ser aprovada pelo Congresso Nacional. Caso isso ocorra, os vencimentos de procuradores da República irão ultrapassar o teto constitucional para o funcionalismo público.

O reajuste não constava na proposta orçamentária originalmente desenhada por Rodrigo Janot, atual procurador-geral da República. A medida foi incluída após sugestão de subprocuradores-gerais e com o aval de Raquel Dodge, sucessora de Janot no cargo.

O reajuste, aprovado por unanimidade dos conselheiros, custará R$ 116 milhões em 2018. Para caber na verba prevista para o MPF no próximo ano, serão necessários cortes em outras áreas da instituição. O subprocurador-geral Carlos Frederico chegou a propor que nenhum corte em verbas de manutenção de unidades do órgão fosse autorizado para que a realocação ocorresse, mas Dodge se opôs. A posição do Conselho é de que não haverá limites por área para que os cortes aconteçam.

No total, um orçamento de R$ 3,8 bilhões para o MPF foi aprovado. A proposta segue para apreciação do Ministério do Planejamento, que a enviará ao Congresso.

Limite

Atualmente, o salário médio de um procurador da República é de R$ 28.947,55. Caso o aumento de 16,7% seja aprovado, chegaria a R$ 33.781,79. A cifra é maior que os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), teto para o funcionalismo público estabelecido na Constituição.

Se o salário dos integrantes do STF não sofrer alterações, o aumento para o MPF deverá ser considerado inconstitucional.

Comparativo

Em relação a outros países, o Brasil tem um alto custo para a manutenção do Ministério Público – incluindo também as promotorias estaduais – em comparação ao seu Produto Interno Bruto (PIB). O país empenha o equivalente a 0,32% de toda riqueza gerada no custeio dessas instituições. A título exemplificativo, a Espanha gasta 0,02%.

Em comparações internas, o salário atual de procuradores – R$ 28.947,55 – equivale a 30 salários mínimos. Em relação ao piso do magistério na educação básica, os vencimentos iniciais do MPF são 12 vezes maior. Pensando na remuneração de um cargo que exige o mesmo nível de titulação acadêmica, a de professor auxiliar de universidade federal (R$ 3117,22), os membro do Ministério Público Federal ganham o equivalente a 9 vezes tal montante.

O valor equivale a 15 vezes ao salário médio nacional em 2016, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no patamar de R$ 1.853.

Extras

Os valores totais recebidos por procuradores, entretanto, já ultrapassam atualmente o teto constitucional, através de verbas “indenizatórias”, não sujeitas ao limite. Cerca de 30% da folha de pagamento do MPF se refere a esses valores, de acordo com levantamento do Valor Econômico. Em alguns casos, o montante recebido quadruplicam o valor do salário.

Recentemente, por exemplo, a carreira passou a receber auxílio-moradia no valor de R$ 4.377. Somado ao auxílio alimentação, a quantia chega a R$ 5.261.

Além dos referidos acima, ainda há possibilidade de receber auxílio-natalidade, mudança, abono pecuniário, auxílio pré-escolar e conversão de licença-prêmio em pecúnia.

A reportagem enviou questionamentos às assessorias de imprensa da Procuradoria-Geral da República e da Associação Nacional dos Procuradores da República, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

 

Edição: Luiz Felipe Albuquerque.

Fonte: Brasil de Fato.

Um Comentário para "Reajuste de 16% a procuradores da República ultrapassa teto constitucional"

  1. Lucas   29/07/2017 at 08:22

    Infelizmente esses sujeitos(procuradores, juízes, desembargadores e etc*), são na minha opinião, um bando de analfabetos sociais. Vivem em uma bolha. Nunca entraram em uma favela com a “bala comendo”. Não fazem a menor ideia do que é viver com um salário mínimo em um lugar sem esgoto encanado, sem iluminação adequada, sem segurança, sem transporte, sem educação, ou seja, sem o básico. Simplesmente não conhecem a realidade do Brasil. Pois uma coisa é ver na TV, outra é conhecer esse universo que é paralelo a eles. Um sujeito desse olha o noticiário na TV e diz: “Poxa vida, deve ser difícil mesmo ser pobre no Brasil, heim.” e a vida que segue.

    Se essas criaturas quando jovens, fizessem “um estágio” nas favelas, isto é viver um mísero mês em uma favela, eu duvido que seriam tão analfabetos assim. É um paradoxo, tão técnicos, mas tão analfabetos.

    No “Brasil que deu certo”, também conhecida como austrália, um juiz ganha em média 1,2 vezes o que a média salarial. Já no brasil passa para o patamar de 32 vezes!!

    https://s17.postimg.org/9zb3uckxr/salario_juizes.jpg

    Escutei uma vez de uma amiga minha que trabalha com um procurador: “Eu perguntei para ele o que ele achava da PEC do teto dos gastos público, e sabe o que ele respondeu? – Eles podem fazer o que quiser, portanto que não mexam no meu salário.” Daí fui ver quanto esse analfabeto social ganha, consultando a site da transparência do MP. Pasmem, mais de MEIO MILHÃO por ano. NADA justifica um salário desse em um país onde a média é salarial é um pouco mais de R$2000.

    Vergonha demais.

    * Na verdade todos que ganham salários exorbitantes.

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