Quando a imprensa vai investigar seus próprios patrocinadores?

espionagem_vale-600x354A Vale e a Odebrecht são duas das empresas que estão patrocinando a 8ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo, que acontece no Rio de Janeiro até terça-feira (15). No entanto, o fato de as empresas serem acusadas de espionagem foi motivo de protesto de ativistas. “Mesmo com todas as denúncias sobre suas atividades ilegais, empresas como a Vale e a Odebrecht conseguem blindar suas imagens gastando milhões em patrocínios culturais, além de propagandas em jornais, TVs e revistas”, diz a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale.

Segundo denúncias do ex-gerente de segurança da Vale, André Luis Costa de Almeida, apresentadas ao Ministério Público Federal, a empresa espiona os movimentos sociais, mantendo agentes infiltrados no Rio, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará e Maranhão; paga propinas a funcionários públicos para obter informações de apoio às “investigações internas”, na Polícia Federal e em órgãos da Justiça em São Paulo; quebra sigilo de funcionários; grampeia ligações telefônicas, inclusive de jornalistas; e produz dossiês de políticos e representantes de movimentos sociais. De acordo com reportagem da Agência Pública, o MST seria o principal alvo da segurança da Vale, ao lado da rede Justiça nos Trilhos, sediada em Açailândia, no Maranhão, que reúne diversas entidades de direitos humanos em defesa da população atingida pelas atividades do polo exportador. Há mais de 2 anos, a rede trava uma batalha judicial com a Vale contra as obras de ampliação da ferrovia – feitas sem licenciamento ambiental – para escoar a produção em expansão das minas de Carajás, que trará diversos impactos às comunidades, cortando reservas ambientais e território indígena e quilombola.

Já a Odebrecht é uma das empresas que formam o Consórcio Construtor Belo Monte. Em fevereiro deste ano, um funcionário do consórcio foi flagrado espionando uma reunião do movimento Xingu Vivo para Sempre. De acordo com informações do Conselho Indigenista Missionário, numa reunião, “o movimento detectou que um dos participantes, Antonio, recém-integrado ao movimento, estava gravando a reunião com uma caneta espiã”. Ele confessou sua atividade de espião contratado pelo consórcio responsável pelas obras da usina para levantar informações sobre lideranças e atividades do Xingu Vivo.

“Nessa relação desigual, os que sofrem a violência das atividades das companhias acabam sendo ainda mais marginalizados, sem espaço na imprensa para serem ouvidos. No máximo, viram notas em páginas perdidas para justificar uma suposta imparcialidade”, dizem os atingidos pela Vale.

Veja abaixo os folhetos distribuídos no evento:

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Foto: Agência Pública

Fonte: Revista Fórum.

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