Quais os próximos passos depois da Greve Geral?

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   28 de abril em Florianópolis, SC/ Foto: Marcelo Luiz Zapelini

Por Diana Assunção.

Transportes, escolas, bancos, correios, indústrias cruzaram os braços. Uma grande demonstração da força da classe trabalhadora que está reaprendendo a lutar em defesa de seus direitos. Com essa força precisamos preparar uma greve geral até derrubar as reformas e Temer.

Temer não pode recuar de seus ataques. Os empresários o exigem e ele hipotecou a continuidade de seu governo em garantir a generalização da terceirização, o fim dos direitos trabalhistas e principalmente a reforma da Previdência. Todas essas medidas são detestadas pelos trabalhadores, mas especialmente o ataque ao direito a se aposentar. Podemos transformar essa raiva em ação para derrotar completamente todos os ataques e trazer abaixo esse governo.

Depois de anunciar que esperariam uma semana até se reunirem novamente para planejar as novas ações, as centrais sindicais mudaram de discurso no primeiro de maio e falam em preparar uma nova greve geral de dois dias e uma “invasão” de Brasília quando a reforma da previdência for votada. Precisamos tomar essas palavras e fazê-las verdadeira ação. Tomar a declaração de uma nova greve geral de dois dias para preparar uma luta radicalizada até a derrubada de todas as reformas e de Temer. Nos interessa derrubar todos os ataques não somente a reforma da Previdência e derrubar esse governo golpista sustentado pela FIESP, pelo FMI e pela Globo e por mais ninguém.

Ainda no dia 28 a Força Sindical anunciou que sua intenção era “uma reforma civilizada” e que Temer negociasse os ataques. Paulinho, deputado federal pelo Solidariedade, e presidente dessa central reafirmou isso em ato ontem. Se Temer recuar do fim do imposto sindical e fizer algum aceno na reforma da previdência, Paulinho desembarca da luta contra as reformas. A CUT por sua vez tem declarado que sua orientação é pressionar os senadores para que estes revertam as votações da Câmara, limitando o potencial – inédito em décadas – da disposição de luta dos trabalhadores.

Para transformar toda essa vontade de derrotar os ataques de Temer em ação precisamos construir milhares de comitês de base, que incluam muito mais que os dirigentes sindicais e militantes da esquerda, mas milhares de trabalhadores em cada lugar de trabalho. Tomar essa luta em nossas mãos, superando os limites que as direções das centrais já anunciam que colocarão à nossa luta. Coordenando as ações locais e estaduais dos comitês, podemos mover muito mais forças para derrotar todos os ataques e derrubar Temer, exigindo das centrais sindicais um Encontro Nacional de Delegados que prepare uma greve geral até a derrubada de Temer e cada uma de suas medidas. A esquerda independente do PT, os parlamentares do PSOL, em especial os sindicatos organizados na CSP-Conlutas e nas Intersindicais, precisam cumprir um papel destacado na construção de comitês que reúnam milhares e impor esse plano de luta consequente em defesa de nossos direitos e para se livrar de Temer.

Temos força para derrubar esse governo golpista. Muitos trabalhadores pensam que além de preparar uma greve geral outra força que temos é votar. Nós, revolucionários não confiamos que nossa votação em um regime podre de privilégios e corrupção como esse pode nos ajudar a mudar as regras do jogo, que é o que precisamos. Por isso, se vamos votar, propomos que votemos deputados constituintes para uma Nova Constituinte, que em primeiro lugar anule todas medidas de Temer; que reduza as horas de trabalho sem reduzir os salários, para garantir empregos para todos; re-estatize sob controle dos trabalhadores cada empresa privatizada de Collor a Temer, que acabe com o criminoso pagamento da dívida e garanta assim recursos para as aposentadorias, para a saúde e educação. Uma nova Constituinte que faça que sejam os capitalistas, e não nós trabalhadores, que paguem pela crise. Uma Constituinte como essa permitirá avançar a questionar cada privilégio dos políticos, dos juízes, dos capitalistas e avançar para um enfrentamento superior e uma saída profunda e revolucionária à crise em nosso país, como nós do MRT defendemos: um governo operário de ruptura com o capitalismo.

Essa perspectiva estratégica está renovada pela força que os trabalhadores mostraram primeiro no dia 15 de março e agora no 28. Podemos derrubar as reformas e Temer, isso depende de nossa organização pela base e de fazer os anúncios de novas jornadas pelas centrais um aumentar da ação da classe trabalhadora para virar o jogo contra os golpistas e todos capitalistas.


Fonte: Esquerda Diário

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