Projeto Arquitetura urbana de Joinville: conservação e difusão da série documental “Projetos Arquitetônicos”

Via Sílvia Agostini.

Projeto de Digitalização de Acervo Arquivístico – Arquivo Histórico de Joinville/AHJ

Do Projeto:

Projeto Arquitetura urbana de Joinville: conservação e difusão da série documental “Projetos Arquitetônicos” do Fundo Poder Executivo (1917-1971), custodiados pelo Arquivo Histórico de Joinville/AHJ (Primeira etapa) foi contemplado pelo Edital Elisabete Anderle/2019 – Fundação Catarinense de Cultura (FCC), na modalidade patrimônio cultural, no valor de R$ 100.000,00 sob a proponência da historiadora Giane Maria de Souza, especialista cultural no Arquivo Histórico de Joinville (AHJ) no setor de Educação Patrimonial, funcionária de carreira da Prefeitura Municipal de Joinville há mais de 24 anos.

 Informações: [email protected] fone 47 996213185 Giane Maria de Souza

Sobre a destinação do valor do Prêmio:

Do fomento recebido via Edital Elisabete Anderle/2019-FCC, 27,5% foi descontado para imposto de renda e com o restante foi adquirido um scanner de grandes de formatos no valor R$ 50.000,00, dois computadores com alta performance para a digitalização, tratamento, edição, análise e descrição dos projetos arquitetônicos. Foram adquiridos também materiais de conservação e restauro e uma mapoteca para o acondicionamento do acervo restaurado e planificado. Os equipamentos adquiridos, conforme o Projeto aprovado no Edital Elisabete Anderle/2019 – FCC serão doados para o Arquivo Histórico para a continuidade de digitalização do acervo sob sua custódia e sua modernização.

Os técnicos do AHJ, uma equipe multidisciplinar, estão envolvidos no projeto, conforme suas etapas de execução. Sendo que no momento se encontra em fase de digitalização, edição, classificação, restauro e conservação.

Sobre o processo de digitalização:

O Fundo do Poder Executivo “Projetos Arquitetônicos” é um acervo composto por  nove mil projetos arquitetônicos, um conjunto documental que reúne mais de 36 mil documentos. Desta forma, um único projeto arquitetônico pode gerar inúmeras imagens digitalizadas além das pranchas, pois anexo aos projetos, encontram-se plantas, croquis, alvarás, habite-se, entre outras laudas documentais. Exemplo do conjunto documental trabalhado é o Projeto Arquitetônico da Harmonia Lyra de 1929, ou seja, um projeto arquitetônico, mas 10 imagens ao total digitalizadas e editadas.

O projeto arquitetônico da Igreja Sagrado Coração de Jesus, de 1917, possui um conjunto documental de 14 imagens. Todas as imagens são digitalizadas em alta resolução e são editadas, um trabalho minucioso e dispendioso. Existe um projeto arquitetônico que é armazenado em duas caixas, portanto uma quantidade grande de laudas. Todos os técnicos do AHJ foram treinados por uma empresa de São Paulo para utilização do scanner, para a digitalização e edição das imagens, contudo, para efetuar o trabalho somente dois técnicos atuam diretamente com o equipamento.

Dois técnicos trabalham diretamente e full time com este acervo, Leandro Brier Correia, historiador e Fernanda Oçoski Pirog, administradora, os dois técnicos são funcionários de carreira, assistentes culturais do AHJ. Sendo que até o momento digitalizaram cerca de 1700 projetos com 3500 imagens dos anos de 1917 a 1936. Os técnicos possuem experiência com inventário documental, acondicionamento de acervo, descrição de documentos entre outras atribuições.

De acordo com uma análise do processo do projeto de digitalização, edição e classificação, provavelmente, o término de digitalização dos projetos de 1917 a 1971, ainda levará cerca de três anos para sua conclusão. Por isso, o projeto foi planejado em etapas, pois ainda há no “Fundo do Poder Executivo” os projetos arquitetônicos de 1971 aos dias atuais para seguir com a digitalização.

Pela primeira vez na história do Arquivo Histórico de Joinville, com 48 anos de existência, um projeto desta envergadura possibilitará a digitalização de um acervo importante para a cidade.

 Da classificação e descrição dos projetos:

Os projetos arquitetônicos e seus conjuntos documentais são analisados e descritos pela arquiteta e urbanista Dinorah Luísa Mello da Rocha Brüske, mestre em Desenvolvimento Urbano em Geografia pela UFSC, funcionária de carreira, cedida ao Arquivo Histórico de Joinville pela Coordenação do Patrimônio Cultural (CPC), unidades da Secult/PMJ para a realização deste trabalho técnico. A técnica possui longa experiência em patrimônio cultural, trabalhou no Iphan/MG e foi professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Univille.

Sobre o Restauro e Conservação:

 Os projetos que se encontram em estado frágil de conservação são encaminhados para a Especialista Cultural em Restauro e Conservação do Arquivo Histórico, Elisangela Silva, funcionária de carreira que atuará na área. Cada projeto para ser restaurado pode levar de um a dois dias de tratamento para o restauro, sendo necessário, materiais de restauro como papel japonês e cola tylose. Após o restauro o projeto será planificado e acondicionado em mapoteca para sua conservação.

Sobre o acesso digital:

O projeto prevê a inserção do acervo digitalizado em plataformas digitais, contudo, este será um trabalho disponibilizado somente em 2021, pois terá que ser estruturado de acordo com o sítio eletrônico da Prefeitura de Joinville e também o acervo digitalizado estará disponível nos terminais de consulta do Arquivo Histórico.

A digitalização e a disponibilização de acervos documentais arquivísticos é uma realidade em diversos países. Os equipamentos adquiridos pelo Prêmio Elisabete Anderle, além de auxiliarem a modernização do AHJ auxiliam o acesso dos consulentes às novas tecnologias da informação, o pesquisador, poderá acessar o acervo do AHJ de qualquer parte do planeta. É responsabilidade do poder público fornecer acesso à informação e possibilitar esse acesso pela via digital atende as funções: social, difusão e de educação patrimonial dos arquivos históricos.

Há de se atentar que o projeto por meio da digitalização de acervo atende não somente o acesso à informação, mas atende um requisito extremamente importante para um arquivo histórico que é o fator conservação. Pois o projeto arquitetônico depois de  ser digitalizado, não será mais manipulado para a consulta pública contribuindo para sua preservação histórica e integridade documental.

Neste sentido, a disponibilização digital também possibilitará o acesso ao conhecimento dos estilos e técnicas construtivas empregadas em Joinville de 1917 a 1971 nesta primeira etapa.  Assim como possibilitará pesquisas históricas sobre empresas de construção civil e de projetos que atuaram na cidade como a Empresa Keller e Cia, Construtora Köhntopp, Empresa Max Miers, Ravache, entre outras. Pesquisadores do mundo inteiro terão acesso aos documentos históricos salvaguardados no Arquivo Histórico de Joinville o que facilitará a pesquisa, o intercâmbio e a utilização das fontes históricas.

Sobre o Inventário do Patrimônio Cultural de Joinville:

O projeto, sobretudo, auxiliará a Coordenação do Patrimônio Cultural de Joinville (CPC), órgão responsável pela implantação do Inventário do Patrimônio Cultural de Joinville (IPCJ), de acordo com as leis complementares no363 e no366/2011 e com o Plano Municipal de Cultura (PMC).

Desdobramentos do Projeto:

Os resultados científicos do Projeto serão apresentados em congressos, simpósios e colóquios de áreas afins como arquitetura e urbanismo, patrimônio cultural, arquivos, educação patrimonial, história, restauro e conservação pelos técnicos do Arquivo Histórico para difundir o conhecimento e o trabalho técnico realizado.

Para o ano de 2020 estão previstas etapas de execução de Projeto de Educação Patrimonial, Curso de Formação para Professores, Rodas de Conversa,  Pesquisa em Evidência e exposições sobre os projetos arquitetônicos digitalizados.

Sobre o Público Alvo:

Antes da pandemia o Arquivo Histórico de Joinville recebe aproximadamente cerca de 1500 a 2000 pesquisadores por ano.

Para a consulta no Fundo do Poder Executivo de Projetos Arquitetônicos os consulentes majoritariamente são da área de arquitetura e urbanismo, história, direito, engenharia, assim como estudantes, pesquisadores nacionais e estrangeiros, além de técnicos de outras secretarias e da Secult e proprietários de imóveis.

  Exemplos de projetos digitalizados:

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