Procuradoria Geral da República já disse que grampo não foi editado, mas tema pode atrasar processo

Publicado em: 20/05/2017 às 13:05

Enquanto chegava ao Palácio para conversar com Temer, Joesley escutava a CBN. A rádio fez a minutagem do programa e comparou com a duração do encontro e a volta do empresário ao carro, quando sintonizou novamente. O resultado é que o áudio não foi cortado

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Em um das poucas possibilidades de questionar na Justiça as acusações que recaem contra si, Michel Temer acha que o grampo de sua conversa com Joesley Batista, dono da JBS, entregue aos procuradores da República foi manipulado. Os principais jornais alimentaram o questionamento do presidente da República como válido e realizaram perícias de forma independente. A tentantiva, apesar de possivelmente em vão, pode atrasar as investigações.
Um dos jornais a contratar peritos judiciais foi a Folha de S. Paulo. O diário paulista solicitou a análise do profissional Ricardo Caires dos Santos, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O resultado foi a manchete: “Áudio de Joesley entregue à Procuradoria tem cortes”.
Caires dos Santos disse que há indícios claros de manipulação, mas que “não dá para falar com que propósito”. Os cortes narrados pela reportagem, entretanto, são de trechos que não aparecem na gravação. Não está claro, por exemplo, se essas omissões foram provocadas propositalmente pelo delator, com edição, ou se as falhas ocorreram pelas condições locais, uma vez que o gravador estava posicionado na roupa de Joesley no momento do encontro.
A perícia contratada pela Folha chegou a confirmar que falas do ex-presidente foram prejudicadas por ruídos, tornando o diálogo às vezes incompreensível. Outro perito consultado pelo jornal, Ricardo Molina, explicou que a gravação é de baixa qualidade técnica, o que não provocaria a anulação da prova.
“Percebem-se mais de 40 interrupções, mas não dá para saber o que as provoca. Pode ser um defeito do gravador, pode ser edição, não dá para saber”, disse Ricardo Molina em entrevista.
Mas a rádio CBN foi o noticiário decisivo para sustentar que o diálogo entre Joesley Batista e Michel Temer não foi editado. Isso porque no início da gravação do empresário, quando ele ainda estava no carro, a rádio CBN estava sintonizada antes e após a conversa. O jornal fez então uma análise dos tempos de duração do encontro, após a saída de Joesley, quando a rádio foi desligada, e após a reunião, quando o empresário retorna ao automóvel e sintoniza novamente.
“A gravação de Joesley mostra que, quando ele volta para o carro, o rádio do carro em que ele está continuava sintonizado na CBN e o que se escuta é o quadro ‘Nos Acréscimos’ que, naquele dia, começou às 23h08 da noite. Foi o que conseguimos observar nos nossos registros”, disse o locutor Milton Jung, em reportagem do veículo.
“Com isso, é possível determinar que o tempo de gravação é de 38 minutos, o tempo da conversa entre Joesley chegar e sair da casa do presidente foi de 38 minutos, e esse tempo é a íntegra do áudio divulgado na quinta-feira e que comprova que o material não teve nenhuma edição. Portanto, a gente percebe que não teve edição na gravação que foi divulgada, colocada aí do início ao fim”, completou.
Mas após os rumores provocados pelo próprio ex-presidente e endossados por outros jornais, a Procuradoria da República prepara uma resposta para a tese já defendida por Temer. O setor de pesquisa e análise da PGR já concluiu que o arquivo apresentava “sequência lógica”, admitindo que a qualidade do áudio não era boa, com “alguns ruídos e a voz de um dos interlocutores apresenta-se com maior intensidade em relação à voz do segundo”. Os investigadores já informaram que não há indícios imediatos de fraude ou montagem.
Entretanto, faz parte do direito de defesa de Michel Temer contestar e requisitar, a qualquer momento, uma perícia técnica, o que deve ser feito após a contratação pelos advogados do presidente de peritos para formular a tese. O tema pode atrasar a sequência das investigações e do processo contra o peemedebista.
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Fonte: GNN

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