Problemas técnicos e múltiplos ataques marcam eleições presidenciais na Nigéria

Eleitoras e eleitores na Nigéria enfrentaram longas e demoradas filas para votar nas eleições presidenciais mais disputadas das últimas duas décadas. Problemas técnicos e ataques criminosos prejudicaram a votação em algumas áreas, inclusive em Lagos, a maior cidade do país, o que fez com que a votação fosse estendida até domingo.

Agência Efe
abujaPessoas votam na capital Abuja

As dificuldades técnicas atrasaram o cadastramento e a votação em várias regiões do país e afetaram o presidente Goodluck Jonathan, candidato à reeleição. Após três tentativas e 40 minutos de espera o presidente não conseguiu validar seu cartão eleitoral com o leitor de impressões digitais no novo sistema biométrico utilizado no país. Jonathan e sua esposa Patience tiveram que ser inscritos manualmente por um dos funcionários da seção eleitoral em Otueke, sua cidade natal.

Segundo a BBC, até as 20h em Abuja (16h em Brasília) pelo menos 24 pessoas foram mortas em vários ataques registrados ao longo do dia em diferentes regiões do país. Homens não identificados e militantes do Boko Haram atiraram contra a população civil em seções eleitorais nos estados de Yobe e Gombe, nordeste do país, área mais afetada pela violência perpetrada pelo grupo extremista islâmico. Houve também registros de roubos de urnas e cédulas e de intimidação de eleitores por grupos armados em pelo menos três vilarejos da região.

No sul do país, duas bombas explodiram em duas seções eleitorais no estado de Enugu, e outras duas foram desarmadas pela polícia, reportou a agência de notícias Associated Press (AP). Ninguém ficou ferido. Além disso, o site da Comissão Nacional Eleitoral Independente foi hackeado na manhã de sábado e rapidamente recuperado.

Kayode Idowu, porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral Independente, disse à AP que em áreas onde a votação transcorreu sem contratempos a contagem dos votos já tinha começado na própria noite de sábado.

Agência Efe
buharijonathan4(1)(1)O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, e o general Muhammadu Buhari

O presidente Jonathan e o general Muhammadu Buhari são os favoritos em um pleito que conta com 13 candidatos e uma candidata à presidência da Nigéria. Nas últimas eleições presidenciais, realizadas em 2011, Buhari perdeu para Jonathan e as subsequentes revoltas populares causaram a morte de mais de mil pessoas. Analistas acreditam que pela primeira vez Buhari tem chances reais de vencer, mas ressaltam que é impossível prever quem será o próximo presidente da Nigéria, o que alimenta o temor de violência após a divulgação dos resultados.

Boko Haram

Na sexta-feira (27 de março), o Exército da Nigéria anunciou ter retomado o controle da cidade de Gowza, no estado de Borno, considerada o quartel-general do Boko Haram. Entretanto, segundo a agência de notícias France Presse, militantes do grupo teriam decapitado pelo menos 23 pessoas e incendiado um vilarejo na noite de sexta em Buratai, a 200km de Maiduguri, capital do estado.

Nesta semana, fontes oficiais do governo anunciaram que quase 500 pessoas – entre crianças e mulheres – foram sequestradas na cidade de Damasak, na fronteira da Nigéria com Níger e Chade. De acordo com a ONG internacional Human Rights Watch, somente em 2015 o Boko Haram assassinou mais de mil civis.

Fonte: ÓperaMundi.

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