Presidenta da Câmara dos Representantes dos EUA pede impeachment do Trump

Foto: NASA / Aubrey Gemignani

Por Lucas Rocha.

Depois de meses de especulações, o Congresso dos Estados Unidos vai iniciar um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump. O anúncio foi feito na tarde desta terça-feira (24) pela presidenta da Casa dos Representantes, Nancy Pelosi, e envolve uma ligação telefônica feita por Trump ao presidente da Ucrânia com o objetivo de atingir Joe Biden, pré-candidato à Presidência pelo Partido Democrata.

“O Presidente deve ser responsabilizado. Ninguém está acima da lei”, declarou Nancy em sessão no Congresso, segundo a CNN.

Na ligação, feita no dia 25 de julho, Trump pedia ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, que o país investigasse os negócios de Hunter Biden, filho de Joe Biden. Após uma suposta negativa, o estadunidense suspendeu 400 milhões de dólares em ajuda miliar aos ucranianos, como forma de pressionar o governante a atender a suas ordens. Caso contrário, perderiam o suporte dos EUA no enfrentamento com a Rússia.

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Hunter atuou como diretor de uma companhia de gás no país enquanto Joe Biden era vice-presidente dos Estados Unidos. Trump alega que houve atos de corrupção na relação entre EUA e Ucrânia quando Biden ocupava o posto e tem cobrado investigações. Os democratas argumentam que a conversa é desvio de finalidade, uma das motivações para um impedimento no país.

“O Congresso determinou a ajuda. O presidente a reteve porque queria pressionar uma potência estrangeira para investigar seu oponente político. O único remédio para isso é o impeachment. Ponto”, declarou a deputada democrata Pramila Jayapal, integrante do Comitê de Justiça (HJC) da casa.

O rito não está bem definido, mas alguns congressistas, como Jayapal, são contra a criação de uma comissão especial para a análise do pedido e defendem que o HJC seja responsável pela investigação. A pré-candidata à Presidência pelo Partido Democrata, Alexandria Ocasio-Cortez, concorda: “É uma emergência. Não temos tempo de nos dar ao luxo de criar outro comitê. O Judiciário investiga e reúne as provas há meses. O impeachment pertence a eles. Devemos honrar a jurisdição, o precedente histórico e o trabalho realizado para permitir que o Judiciário avance”, tuitou.

Pouco antes do anúncio, o presidente Donald Trump, que participou mais cedo da Assembleia Geral da ONU e apertou a mão de Jair Bolsonaro, declarou que disponibilizará a íntegra da conversa telefônica nesta quarta-feira. “Autorizei a liberação da transcrição completa da minha conversa telefônica com o Presidente Zelensky. Vocês verão que foi uma ligação muito amigável e totalmente apropriada”, declarou.

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Questionado, mais cedo sobre a possibilidade do impeachment, ele declarou que acha “ridículo e inapropriado” e crê que a motivação é a eleição deste ano. “Isso nunca aconteceu com um presidente antes. Isso é sem sentido. […] Não houve pressão”, declarou. Os EUA nunca derrubaram um presidente por meio de impeachment, apesar de Richard Nixon ter renunciado com o avançar de um processo.

Elizabeth Warren, pré-candidata democrata à presidência, defendeu a abertura do processo. “Ninguém está acima da lei – nem mesmo o presidente dos Estados Unidos. O Congresso tem autoridade constitucional e responsabilidade de responsabilizar o presidente. Isso não é sobre política, é sobre princípio. Temos de iniciar um processo de impeachment”, tuitou

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— Rep. Pramila Jayapal (@RepJayapal) September 24, 2019

 

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