Prefeitura superestima o déficit para impor pacote de maldades

Por Sérgio Homrich.

O déficit da Prefeitura de Jaraguá do Sul, previsto para 2017, ficará entre R$ 4 milhões e R$ 9,4 milhões, e não em R$ 37,7 milhões, conforme projeção apresentada pelo secretário Argos Burgardt na plenária da Associação Comercial e Industrial (Acijs), no dia 13 de fevereiro. Isso, sem levar em consideração o reajuste anual de salários devido aos servidores, já que o prefeito nem chegou a debater as reivindicações com a categoria. O contraponto foi apresentado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jaraguá do Sul e Região (Sinsep) durante entrevista coletiva à imprensa, hoje à tarde, na sede da entidade. Os números são bastante diferentes daqueles divulgados pela administração Antídio Lunelli/Udo Wagner e foram apresentados também para dirigentes da Acijs, na tarde de hoje.

Na avaliação do Sinsep, o prefeito superestima a previsão de déficit da arrecadação em 2017 para justificar o pacote de maldades contra os servidores. O levantamento foi realizado por uma equipe de servidores efetivos do município e tomou por base a explanação feita pelo secretário Argos à Acijs. Apresentada pelo agente administrativo do ISSEM, Márcio José Teixeira, a projeção de gastos com pessoal para o ano de 2017, com recursos próprios, não é de R$ 238 milhões, conforme estimou o secretário Argos mas, sim, de R$ 209,6 milhões.

Números confundem

No ano de 2016, a Prefeitura de Jaraguá do Sul investiu, com recursos próprios, em torno de R$ 201,5 milhões em folha de pagamentos dos servidores. E estima, em seus números divulgados, que gastará R$ 238 milhões em 2017, acrescentando 4% de crescimento vegetativo. Mas, mesmo sem levar em conta que, na avaliação do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o crescimento vegetativo da folha é de 1,8% ao ano e não de 4% ao ano, conforme diz a Prefeitura, a projeção chegaria a R$ 209,6 milhões, ou seja, o cálculo superestima o investimento com recursos próprios em R$ 28,4 milhões. Os números provam que o total de déficit projetado pela administração, de R$ 37,7 milhões, na verdade, cai para aproximadamente R$ 9,4 milhões.

Sendo assim, o déficit projetado pela administração, de R$ 62,7 milhões (somando-se a dívida herdada da administração anterior, de R$ 24,9 milhões) está superestimado, devendo ficar em R$ 34,4 milhões. “O único propósito é confundir a população e os servidores e justificar o pacote de maldades contra a categoria”, critica o presidente do Sinsep, Luiz Cezar Schorner.

 

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