Portal Desacato é acusado de terrorismo e violência por vereadores do Oeste

Publicado em: 07/07/2017 às 08:47
Portal Desacato é acusado de terrorismo e violência por vereadores do Oeste

Por Claudia Weinman, Paulo Fortes e Eliezer A. de Oliveira, para Desacato. info.

 Conhecemos o Portal Desacato e estabelecemos uma aliança estratégica com a Cooperativa Comunicacional Sul, a qual é regularizada pela Lei n 12.690 de 19 de julho de 2012, há três anos. Em 2016 realizamos na cidade de São Miguel do Oeste o Café Anticolonial, onde também lançamos oficialmente a cooperativa no município, para atender a demanda do grande Oeste quanto A Outra Informação, feita com e para a classe trabalhadora.

Muitas foram as produções feitas até o momento e diversas as divulgações sobre as lutas das organizações nessa região, o que colocou o Oeste Catarinense no mapa das lutas do Brasil pela primeira vez na história. No entanto, hoje utilizamos esse espaço para falar sobre as acusações que nossa equipe de Jornalismo enfrentou na audiência pública realizada na Câmara de Vereadores em São Miguel do Oeste, na segunda-feira, 03 de julho, enquanto trabalhávamos em uma pauta profissional para nosso veículo de comunicação.

Naquela ocasião a comunidade se mobilizou para cobrar de representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) um posicionamento quanto a revitalização das Brs 282, 163 e 158.

A agenda da audiência foi acertada pelo Deputado Federal Celso Maldaner do PMDB da região. Na oportunidade, as organizações populares e sociais, bem como pastorais, realizaram um protesto contra os deputados que votaram a favor das reformas trabalhista, previdenciária e a favor da terceirização. Deputados como Celso Maldaner (PMDB), Valdir Colatto (PMDB) e João Rodrigues (PSD) receberam vaias durante toda a audiência.

Acusações

A equipe de Jornalismo do Portal Desacato realizou transmissões ao vivo dessa audiência. Paulo Fortes, 22 anos, integrante da equipe, foi surpreendido enquanto trabalhava, por uma pessoa sentada na primeira fila da plenária. “Ele pegou o meu crachá e pediu se era um crachá de escola, ele ficou olhando e falei que não, que eu trabalhava com uma cooperativa de comunicação de esquerda. Ele ficou segurando o meu crachá, na tentativa de intimidar e eu pedi que soltasse o crachá e segui meu trabalho”, relatou.

Outra situação aconteceu com o jovem Eliezer Antunes de Oliveira, 23 anos, quando o Deputado Federal, Valdir Colatto (PMDB) mencionou: “Queria dizer que estamos trabalhando dia e noite para resolver a questão das rodovias. Essas rodovias que transportam a comida que chega na mesa inclusive daquele garoto ali que está gritando com a camisa do ‘Che Guevara’, tinha que ir lá para Cuba. Essas pessoas que ficam invadindo propriedades e não respeitando as propriedades dos agricultores que fazem a diferença”.

Oliveira estava trabalhando na cobertura da audiência pública na ocasião. Tanto ele, quanto Paulo Fortes e a Jornalista Claudia Weinman (diretora regional da Cooperativa Comunicacional Sul), fazem parte, além da cooperativa, de um coletivo de juventude denominado Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR) da mesma região.

Além das intimidações, o Portal Desacato foi acusado junto com as organizações sociais e populares, de “Vandalismo, terror e violência” além de ter seus profissionais chamados de “delinquentes. Paulo Fortes envolveu-se em uma discussão com o Vereador citado abaixo, quando o mesmo, mencionou a uma jovem que faz parte do coletivo de juventude da PJMP e PJR que a conversa dele “não era com mulher e sim com homem”. Outras testemunhas presenciaram o momento. No dia seguinte, o Vereador Vagner Rodrigues dos Passos (PSD) mencionou durante a sessão: “Tive que conter o jovem que estava mais que alterado, só pelo fato de pedir calma para ele me agrediu e se não me retiro ele iria me agredir fisicamente, um jovem que não tinha nem 18 anos. Gritaria, baderna, Pessoas invadindo aqui para fotografar e pra zombar da pessoa. Isso não pode acontecer, enquanto eu for vereador de São Miguel do Oeste eu vou brigar por isso”. Passos chegou a chamar a polícia para acompanhar o final da audiência no dia 03.

Everaldo Di Berti (PSD), que fez o seu pronunciamento na terça-feira, dia 04, durante a sessão na Câmara, acusou às organizações, chamando as pessoas de “delinquentes”, conforme se pode acompanhar no depoimento: “Ato de vandalismo, maior falta de respeito que já vi em toda minha vida pública. Bando de delinquentes, mal-educados, baderneiros, uma minoria que não representa a nossa cidade, que tão pouco eram daqui, eram de outras cidades. Teve uma tentativa de agressão ao colega vereador, felizmente ele teve sensatez de não revidar, se não era matéria por agredir um…nem vou citar o termo que queria usar aqui por respeito a vocês”.

Nas manifestações abaixo, o leitor/a tem acesso às demais informações.

Diante das acusações e agressões que a equipe de Jornalismo do Oeste do Estado sofreu durante e após a audiência pública, reiteramos o nosso posicionamento em defesa da comunicação contra hegemônica. Seguimos o trabalho realizado no interior do Estado com dignidade e clareza das nossas ações, com a responsabilidade de continuar o que nos propomos a fazer, que é: Informar para educar, educar para formar, formar para transformar.

Fonte Foto dos Vereadores: Câmara de Vereadores de São Miguel do Oeste. 

 

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