Portal de informação produzido por mães batalha para conseguir financiamento

Portal de informação produzido por mães batalha para conseguir financiamento

Cientista que virou Mãe é finalista do Social Good Brasil Lab, onde concorre a prêmio em seminário. O resultado ainda não foi divulgado

Por Ana Carolina Peplau Madeira, para Desacato.info.

O Crowdfunding é um financiamento coletivo, onde as pessoas financiam aquilo que consideram necessário. Cada um escolhe quanto quer investir, dentro das suas possibilidades. O site Cientista que Virou Mãe (CQVM) participou da concorrência pelo processo Crowdfunding junto ao Social Good Brasil Lab, para angariar recursos, ontem e hoje (12 e 13 de novembro). O resultado ainda não foi divulgado.

Com nome CROWD2CROWD: inovação de muitos para muitos, o seminário realizado pelo SGBLab serve para que sejam apresentadas seis iniciativas finalistas que devem ser votadas pelo público presente e online. As três primeiras colocadas receberão um prêmio em dinheiro para realizar o investimento inicial em seus projetos.

O Social Good é um laboratório de desenvolvimento e aceleração que ajuda a viabilizar projetos que usam as tecnologias e novas mídias parar gerar impacto e promover mudanças na sociedade. Ao todo, foram quatro meses de preparação, mentorias e encontros presenciais. Além disso, os participantes do Lab tiveram contato com o uso de metodologias inovadoras para tirar as ideias do papel.

O CQVM tem como foco a condição feminina e a infância, o portal mantém um olhar voltado também para a maternidade. Possui uma comunidade com mais de 73 mil pessoas em sua fanpage no Facebook, além do blog – agora um portal de informação –, que soma mais de 4 milhões e meio de visitas e tem uma média de 20 mil acessos por semana. As responsáveis pelo portal acreditam que o portal é uma alternativa financeira para gestantes e mães, “que são muitas vezes discriminadas na ocupação de vagas apenas porque têm filhos. Todo nosso modo de trabalho entende e respeita as diferenças que exitem quando uma profissional se torna mãe. As mulheres que trabalham conosco têm total liberdade para conciliar suas atividades”, comenta a idealizadora do Cientista que Virou Mãe e escritora Ligia Moreira Sena.

Para ela, “com relação à crise financeira, estamos muito otimistas. Inúmeros especialistas na área do empreendedorismo já mostraram que os períodos de crise são especialmente benéficos para pequenas empresas, especialmente as que se baseiam em modelos sociais de negócio”. Na nova Plataforma CQVM, os textos são produzidos ou por demanda espontânea das próprias escritoras e colaboradoras – que já passam de 30 – ou por solicitação das leitoras.

Para a proposta de crowdfunding, são apresentados o título do texto e um resumo informativo do que ele trata. As leitoras escolhem aqueles que as interessam e os financiam com o valor que quiserem. Cada texto tem um valor mínimo para publicação, que contempla o pagamento da escritora e a manutenção da plataforma. Atingido o valor mínimo, o material é enviado por e-mail para as apoiadoras e publicado no Portal CQVM para acesso público. Estar no SGBLab foi uma experiência rica e gratificante para ambas. “Durante esse tempo nós tivemos contato com iniciativas de diversos setores: ambiental, social, político, de saúde. Todos buscando alguma maneira de promover mudanças e gerar impactos sociais”, aponta a mãe criadora do blog.

Como tudo começou

Há cinco anos, Ligia Moreiras Sena criou um pequeno blog para falar sobre suas descobertas como mãe de primeira viagem, de uma gestação não planejada. O que começou como um simples compartilhamento de informação foi ganhando seguidores, cresceu e com o passar o tempo as experiências compartilhadas não eram mais apenas as dela. Mulheres de todo país começaram a se identificar com os textos, interagir, contar suas histórias e também a denunciar todos os tipos de violências praticada contra as mulheres, principalmente contra mulheres durante o parto.

Além dos altos números, Ligia também conquistou uma grande amizade com o blog. Nani Feuser a conheceu através do CQVM e atualmente, além de sócia, também é sua maior apoiadora. Em 2009 Nani era uma aluna de mestrado grávida e cheia dúvidas. Encontrou na web o blog que Ligia escrevia, e de prontidão se identificou ela, que na época também estava grávida e fazendo a pós-graduação.  Um contato foi o bastante para unir as duas.

“Mandei um e-mail para ela pedindo que ela não achasse uma loucura uma pessoa que nunca a viu querendo lhe enviar presentes. Disse que as reflexões dela me faziam muito bem, que minha filha já tinha nascido e que como todo bebê perdia roupinhas, algumas sem nunca ter usado, eu queria com muito carinho que essas roupas fossem da Clara. Ela me respondeu prontamente e muito gentil disse que não me achava louca e pelo contrário queria muito que eu participasse do chá de bebê dela”, conta Nani.

E foi a partir dessa união que o CQVM ganhou ainda mais força. Para Ligia, a ideia de transformar o blog em um portal de informação produzida exclusivamente por mulheres-mães veio da vontade de juntar um grupo habituado a escrever sobre maternidade e infância através um prisma diferenciado e não mercadológico.

“Essas pessoas já escrevem em blogs, em portais ou mesmo em seus perfis pessoais sem qualquer remuneração e acabam parando de escrever para gerar renda. Além disso, valorizamos o conhecimento feminino e achamos que, para produzir informação sobre mulheres e maternidade, é preciso conhecer de perto tudo isso. Mulheres-mães sabem fazer isso”, explica Ligia.

Os pais sempre têm espaço no site. “O que parece não haver é muito interesse, infelizmente. Os homens pais precisam despertar para a importância da busca ativa por informação sobre paternidade e infância. Mas essa é uma porta que só abre por dentro…  Quando despertarem para isso, encontrarão farta informação sobre o tema em nosso site. Muitos nos perguntam isso e os feedbacks que estão chegando a partir de homens pais têm sido bons, de maneira geral. Embora, para nós, o que interessa mesmo é a influência positiva que podemos gerar – como já geramos – nas mulheres”, declara a cientista.

Imagens: José Luiz Somensi

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