Por que o Passe Livre tem tanta bronca de Haddad?

Por Paulo Nogueira.

Por que o Passe Livre tem tanta bronca de Haddad?

É uma pergunta que se impõe depois do que ocorreu hoje depois de uma missa em homenagem ao aniversário de São Paulo.

Militantes do MPL hostilizaram Haddad, e um deles chegou a arremessar-lhe uma garrafa vazia.

Alckmin, presente igualmente à missa, também foi xingado. E aí ficou definitivamente claro que para os ativistas do MPL não há diferença entre Haddad e Alckmin.

Existe, e não é pouca, sabemos. Haddad tem uma visão social imensamente mais aguçada que a de Alckmin.

Mas a percepção, para o MPL, não é essa.

E a verdade é que Haddad não está sabendo desfazer essa percepção. Nisso, ele não tem ninguém a acusar senão a si próprio.

Vejamos as desinteligências de agora.

Haddad em nenhum momento manifestou reprovação vivaz contra a violência da polícia de Alckmin nos protestos do MPL. Demorou a se pronunciar e, quando enfim falou, foi tíbio.

Quando expos sua posição sobre o pleito do Passe Livre, foi extremamente infeliz.

Haddad tergiversou várias vezes. Disse que antes de transporte gratuito deveríamos pensar em comida gratuita.

Ora, você tem que discutir não reivindicações imaginárias, mas solicitações concretas. Ninguém falou em comida de graça, mas em catracas livres.

Haddad voltou a tropeçar quando falou em “Disney” de graça. Foi uma tentativa canhestra de fazer graça com a juventude dos militantes do MPL.

Mas o momento não é para piadas.

Haddad tem mostrado um inaceitável despreparo em lidar com o MPL. Parte do problema é que ele aparentemente não viu o tufão se formar, e só foi se mexer quando o caos já se instalara.

Petistas, de um modo geral, abominam o Passe Livre. Jamais engoliram as chamadas Jornadas de Junho.

No Facebook, fiz aquela pergunta inicial: por que os garotos têm tanta bronca de Haddad?

Os petistas que responderam disseram, essencialmente, que o MPL está a serviço da direita. Alguns afirmaram que o movimento é financiado pelo PSDB.

É um erro extraordinário.

O MPL é um grupo de esquerda independente. Não tem vínculo com nenhum partido, a começar pelo PT.

São jovens que cresceram e se formaram politicamente vendo o PT repetir velhas práticas que condenara vigorosamente antes de chegar ao poder.

As Jornadas de Junho vieram depois das eleições municipais de 2012. Uma das imagens icônicas das eleições trazia Haddad ao lado de Maluf. Haddad acabou ganhando a prefeitura, mas ao preço de um terrível desgaste perante jovens politizados como os do Passe Livre.

Estava ali a semente de uma relação ruim que o tempo tornaria péssima.

Haddad, até aqui, jamais foi capaz de convencer à meninada do MPL de que é um político diferente de todos aqueles que eles, justa ou injustamente, desprezam.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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