Por que devemos ter participação política?

Por que devemos ter participação política?

Por Guilherme Camponez.

“Detesto política!” Se indagarmos a população brasileira sobre sua opinião a respeito de política com certeza está será uma das frases mais faladas. Mas, o que é mesmo política? E por que o povo a detesta tanto?

O termo política tem origem grega e significa aquilo que é público. Se refere aquilo que é interesse da coletividade. Hoje em dia política tem um amplo conceito, mas o conceito que é largamente difundido para a sociedade é que Política é o “ato de governar, de administrar e cuidar das instituições públicas, ou seja, do Estado”.

Esse conceito que não abrange a plenitude da palavra política nos induz a construir um pensamento equivocado. Nos leva a acreditar que política está associada apenas ao estado e seus governos, as instituições públicas. Mas, na verdade política é uma atividade humana que tem origem na interação dos seres na sociedade. É a arte e a ciência de se relacionar com demais seres humanos para alcançar determinado fim. Portanto a política estará presente onde existirem pelo menos duas pessoas. Usamos a política o tempo todo em nosso cotidiano, no nosso ambiente de trabalho, na nossa casa na relação entre filhos e companheiros, na igreja, na nossa vizinhança. Quando nos relacionamos, conversamos, discutimos ideias, convencemos, somos convencidos, estamos fazendo política.

Ora, se é algo que fazemos cotidianamente com tamanha naturalidade por que esse ato é tão detestado?

Historicamente nosso país é controlado por uma elite, que se perpetua no poder por centenas de anos, essa elite rica subordinada as elites internacionais não tem interesse ou preocupação com o bem estar do povo trabalhador, também não se preocupam se nosso país possui boa educação, saúde, segurança, empregos ou qualidade de vida. Essa elite se preocupa apenas em obter o máximo de lucro possível explorando o povo e os bens naturais, para manter suas fortunas e vidas luxuosas. Prova disso é que o Brasil possui a 9ª maior economia do mundo, porém está entre os países mais desiguais, onde o 1% mais rico possui sozinho 25% de toda a riqueza e os 10% mais ricos possuem 75% de toda a riqueza.

Essa elite conhece muito bem o significado da palavra política, portanto está entranhada em todos os espaços que lhe garantam poder. Essa elite se encontra no estado, através do financiamento privado de campanhas políticas, se encontram nos meios de formação de opinião controlando tvs, jornais, revistas, rádios, grandes portais de internet, nas escolas e universidades, formando e financiando os seus pensadores para construírem um conjunto de pensamentos que assegurem o poder dessa classe: “Tudo foi assim e sempre será. A desigualdade é algo natural e a política é algo muito ruim que é feita apenas por bandidos e pessoas desonestas. ”

Quem não se interessa por política é governado por aqueles que se interessam por ela. Nos é ensinado que a política é ruim, nos colocam uma venda para bloquear nossa visão, então deixamos que os nossos opressores cuidem dela, e dessa forma acabam mantendo tudo como está.

Como romperemos com esse círculo vicioso?

Bem, primeiro temos que compreender que a política faz parte da sociedade e ela é necessária, a partir daí devemos disputar os espaços de poder de forma consciente. Não apenas os espaços institucionais como os governos e cargos eletivos. Devemos disputar todos os espaços. Os meios de comunicação, as escolas, os ambientes de trabalho, os núcleos de moradia, os movimentos sociais, sindicatos, movimentos culturais, as igrejas. E para fazermos isso é necessário organizarmos as pessoas. A população por si só não perceberá como é mantida de olhos vendados. É necessário que as organizações da classe trabalhadora ajudem o povo a remover essa venda.

Remover essa venda significa juntar pessoas, fazer formação política para conhecermos pensamentos libertadores, levantar os problemas do povo, discutir as soluções e construir lutas socais. Isso é participação política.

Especialmente nesse momento conturbado em que vivemos precisamos ocupar as ruas com nossas lutas sociais. Estamos passando por um golpe de estado onde aquela elite entranhada no poder rasga a constituição, tenta depor uma presidenta eleita através do voto popular com uma falsa argumentação, se nega a aceitar as conquistas da nossa jovem democracia, que apesar de ser frágil foi conquistada a duras penas, através das lutas populares. O golpe não tem outro objetivo se não fortalecer os capitalistas e aumentar seus lucros através da retirada de direitos do povo como aposentadoria, 13º salário, férias, programas de moradia, saúde pública, liberdade de expressão, privatização da Petrobras e entrega do petróleo do pré-sal.

A ocupação das ruas com nossas fileiras se torna fundamental pois no ambiente do golpe dificilmente as forças populares encontrarão alguma brecha nos espaços institucionalizados e mesmo se encontrarmos sem o suporte de uma base social, não haverá força capaz de realizar alguma mudança. Devemos fazer pressão popular para mostrar ao governo golpista que o povo não aceitará essa afronta. Não aceitaremos a retirada de nenhum direito e para fazermos frente a esse duro ataque é necessária uma ampla mobilização dos mais diversos setores da população.

Isso é o interesse público, por tanto, isso é política, só esse povo organizado será capaz de construir uma verdadeira democracia onde o estado esteja a serviço do povo e haja participação e controle popular.

Organizar o povo, exercer a participação política, combater o golpe e construir o projeto popular. Essas são as tarefas que o momento nos coloca. Busquemos a força e energia de todo povo para encarar esse desafio.

Fonte: MAB.

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