População do interior de SC é informada sobre quais são as empresas que sonegam milhões à previdência

Por Claudia Weinman, com fotos de Julia Saggioratto, para Desacato. info.

As mobilizações contra a reforma da previdência, (PEC 287/16), de autoria do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), iniciaram bem cedo em várias regiões do estado Catarinense, com destaque para as cidades de Criciúma, Lages, Chapecó, Florianópolis e Joinville.

No município de Chapecó/SC, a loja Havan foi ocupada por organizações que fazem parte da Frente Brasil Popular do Oeste. O proprietário desta loja segundo o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) foi autuado em 25/06/1999 pelo crime de apropriação indébita previdenciária e sonegação de contribuição previdenciária, informação retirada da Ação Penal 000399525.1999.4.04.7205, sendo condenado, porém, em 06/10/2008 a sua pena prescreveu, mesmo tendo a decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 418416 mantido a sua condenação.

Foto: Adriana Maria Antunes de Souza, CUT/ Chapecó.
Foto: Carolina Timm.

Já em São Miguel do Oeste/SC, o banco Bradesco foi ocupado e durante uma hora foram realizadas falas explicando o motivo de tal ação. Conforme Noeli Taborda, da Direção Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o Bradesco deve mais de R$ 500 milhões que foram sonegados à previdência. Segundo ela, outras várias empresas somam-se à essas sonegadoras. “Retirar privilégios, afetar trabalhadores/as do campo e da cidade, não são esses que devem para previdência, esses dia a dia fazem sua contribuição, quem é devedor, quem quebra a previdência são as grandes empresas, elas são sonegadores, delas devem ser retirados os privilégios”.

No quadro abaixo, alguns dados que mostram quem são as empresas sonegadoras e quanto devem para a previdência.

Maiores devedores da Previdência:

As organizações no Oeste Catarinense solicitaram que os devedores sejam cobrados e os sonegadores investigados e condenados. Além disso, no ato de hoje os/as trabalhadores/as fizeram falas denunciando os deputados e outros representantes do meio político apoiadores das reformas que retiram os direitos da classe trabalhadora.

Ocupação do Bradesco, em São Miguel do Oeste/SC.
Participação das escolas na mobilização deste 19 de fevereiro.
Com o lema: “Lute ou morra Trabalhando”, organizações fizeram um chamamento para os/as trabalhadores/as do comércio.

“Enchemos a Igreja, é bom, bonito, mas ficamos distantes de Jesus. A fé é pequena quando não ocupamos a rua” – Pe. Reneu Zortea.

Ao final do ato em São Miguel do Oeste/SC e Chapecó/SC, o Pe. Reneu Zortea, da Paróquia de Anchieta fez uma avaliação sobre as ações realizadas durante o dia e o desafio que fica, mesmo com a suspenção da tramitação da reforma da Previdência Social, anunciada hoje pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em razão do decreto da intervenção federal no Rio de Janeiro.

Zortea falou sobre a falta de trabalhadores/as ocupando as ruas. Segundo ele, o grande desafio é fazer o trabalho de base e mobilizar mais gente. Além disso, Zortea falou sobre o povo que vai à Igreja, mas não faz a luta pela vida. “Temos o grande desafio que se trata de trabalhar a organização popular, trabalho de base, formação e luta. Criarmos essa consciência de classe trabalhadora, para intervir contra esse sistema. Esse é um desafio histórico de base”.

Conforme ele, não dá para separar fé da luta. “Nós cristãs e cristãos precisamos unir a dimensão da fé com a comunidade, com a luta e causa do evangelho. As pessoas costumam separar a fé da vida. Acabam rezamos, indo até a Igreja, comungam Jesus na eucaristia mas ficam afastados da luta da vida. Enchem a Igreja, é bom, mas não assumem a vida concreta. Existe uma separação da religião com o evangelho. A fé é pequena quando não ocupamos a rua. A vida cristã é luta, luta pela vida. Nosso desafio é erguer nossas bandeiras, ir para as bases e organizar o povo”.

Zortea avaliou as ações realizadas em diversos pontos do estado e salientou que quem deve para a previdência são as grandes empresas e não os/as trabalhadores/as. “Precisamos tomar consciência que somos classe trabalhadora, a reforma não vai mexer nos grandes sonegadores que juntos devem mais de R$ 450 bilhões. Onde está indo o dinheiro? Quem está sonegando?”, finalizou.

Confira algumas entrevistas realizadas neste 19 de fevereiro no interior do estado: 

Vídeo de Chapecó por Ester da Veiga.

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