Partido de Ana Amélia racha com o PSDB no RS e declara apoio a Bolsonaro

Luiz Carlos Heinze. Foto: Joana Berwanger Sul21

O candidato ao Senado Luis Carlos Heinze (PP) anunciou na tarde desta quarta-feira (12) seu apoio a Jair Bolsonaro (PSL) como candidato à presidência. Com a decisão, Heinze abandona a colega de legenda, Ana Amélia Lemos, que é candidata à vice-presidência na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB).

“Temos um trabalho de muito tempo, estou com ele há 20 anos na Câmara dos Deputados. Não é uma posição pessoal de hoje”, disse Heinze em entrevista coletiva. O deputado relembrou que Bolsonaro, em 2014, pediu apoio a colegas da Câmara Federal para uma eventual disputa à presidência e que ele foi um dos que incentivaram o militar. Na época, segundo Heinze, o PP não deu espaço a Bolsonaro, que acabou trocando de partido.

O deputado gaúcho afirmou que já conversou com a direção nacional do partido e mencionou o fato de Ciro Nogueira, presidente do PP, ter declarado apoio a Lula. “Eles respeitam a minha posição, como eu respeito a deles”. Também citou o apoio de Ana Amélia a Manuela D’Ávila, em 2012, quando a deputada do PCdoB, que agora é colega de chapa de Fernando Haddad (PT) à presidência, disputava a Prefeitura de Porto Alegre. “Tenho respeito pela senadora Ana Amélia, assim como lá atrás ela apoiou a Manuela, era a posição dela”.

O deputado disse que também comunicou sua decisão, com antecedência, a Eduardo Leite (PSDB), candidato ao governo pela coligação que o PP integra, e a Celso Bernardi, presidente estadual do partido. “Não estou passando por cima de ninguém”.

Quando Heinze era pré-candidato do PP ao governo do Estado, o PSL estava entre os partidos acertados para a coligação no RS. Com a ida de Ana Amélia para a chapa de Alckmin, o cenário mudou e Heinze foi escolhido para disputar uma vaga ao Senado.

Segundo Heinze, o assunto foi discutido internamente antes do anúncio oficial. O ex-governador Jair Soares e o suplente ao Senado Irineu Orth o apoiam na decisão, assim como alguns candidatos a deputados. “As bases têm cobrado uma posição. Nós não somos de ficar em cima do muro. Gaúcho tem posição. A minha é esta. Uma posição que já tinha e estou resgatando agora”.

Perguntado se a decisão era uma estratégia para melhorar seu desempenho – nas pesquisas, ele ocupa a quarta posição entre os candidatos ao Senado -, disse que não está preocupado com as pesquisas e destacou que boa parte de sua base é Bolsonaro. “Estou mantendo a minha coerência”.

Em nota assinada por Celso Bernardi, o PP gaúcho diz que “mesmo que não correspondam a nossa vontade, as posições individuais devem ser respeitadas”. O partido destaca ainda que saberá exercitar o diálogo internamente e que a eleição “é um episódio na vida partidária, mas o partido é permanente”.

A nota lembra ainda que a eleição de 2018 poderá ter segundo turno e “não devemos romper pontes e radicalizar com aqueles que estão próximos das nossas posições doutrinárias e da visão que temos de Estado e de gestão”.

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