Paraná: ‘Está na hora de acabar com esta brincadeira’, diz Beto Richa

Paraná: ‘Está na hora de acabar com esta brincadeira’, diz Beto Richa

Por Frédi Vasconcelos.

Entrevistado na hora em que votava, no último domingo (30), o governador Beto Richa (PSDB) deu a senha para a repressão contra os estudantes que estão ocupando cerca de 800 escolas no Paraná. “Está na hora de acabar com essa brincadeira”, disse. Na entrevista, à rádio CBN Curitiba, afirmou que a Polícia Militar está monitorando ocupações para “manter a ordem e paz” e que acompanhou a presença de militantes do Movimento Brasil Livre (MBL) em algumas escolas. “Assisti também a vídeos mostrando a participação deles conversando com alunos, até houve confronto e agressões físicas numa determinada escola, mas, enfim, a polícia, a segurança e a polícia vai (sic) procurar mediar e resolver esses conflitos…”

O modo como vai atuar nessa “mediação” já pôde ser visto na semana passada. Na quinta-feira (27), membros do MBL invadiram o Colégio Lysimaco Ferreira da Costa, na Água Verde, bairro nobre da capital curitibana. Segundo o advogado Vitor Leme, que defende alunos ocupantes, o diretor da escola facilitou a ação. “No momento em que o diretor disse que queria dialogar, ele foi autorizado a entrar e abriu o portão para deixar membros do MBL entrarem e causarem confusão aqui dentro. Aconteceram ameaças morais e de agressão física. Os alunos se trancaram dentro do prédio e a PM entrou e tirou os integrantes do MBL”, afirmou Leme ao Paraná Portal. “Eu e mais dois alunos fomos agredidos quando tentamos entrar. Me bateram, puxaram meu cabelo”. No final, a PM escoltou os membros do MBL para fora da escola e garantiu a segurança deles.

No dia seguinte, o MBL convocou novamente “militantes”. O alvo seria o Colégio Estadual Pedro Macedo, próximo ao local do dia anterior. Por volta das 18h, o MBL programou a desocupação para as 18h30. Havia cerca de 50 pessoas do lado de fora. Do MBL, apenas um caminhão de som parado por perto. O número de defensores da ocupação foi aumentando e, por volta das 19h30, havia mais de 200 pessoas à frente dos portões da escola. O MBL não apareceu. Mas novas “desocupações” estão sendo programadas e convocadas pelo “movimento” para esta semana.

Se essa tática vem sendo combatida, outros métodos menos sutis estão sendo utilizados. Os alunos do Colégio Estadual Teotônio Vilela, na Cidade Industrial, periferia de Curitiba, relataram à reportagem que estavam sofrendo pressões de pessoas do bairro e mesmo de outros alunos, que ameaçavam desocupar a escola na segunda-feira (31).

No domingo, um secundarista foi agredido quando saiu da escola. Apanhou muito, ficou bem machucado. Apesar de ele querer continuar, os outros membros da ocupação decidiram encerrar o movimento. Isso, de acordo com palavras deles, depois de terem resistido por três semanas passando frio e até fome. “Na primeira semana, por exemplo, a gente só tinha pão, salame e mortadela para comer. Foi uma felicidade quando conseguimos abrir a cozinha da escola e começar a cozinhar, até o cheiro do alho e da cebola sendo fritos nos enchiam de alegria”, disse um deles.

Reintegração de posse

Na segunda voltaram as reintegrações de posse das escolas determinadas pela Justiça do Paraná. Na sexta-feira, apesar do recesso por conta do dia do funcionário público, oficiais de Justiça com auxílio da PM tentaram retomar o Colégio Estadual do Paraná, a maior escola do estado e símbolo das ocupações. A ocupação foi mantida. Mas o governo estadual pretende executar a liminar dada pela juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergonese, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba.

Por sua decisão, 25 colégios estaduais devem ser reintegrados pelo Estado, inclusive com o uso da força. Para ela, a medida é necessária “para garantir o restabelecimento do direito à educação, ao trabalho e à proteção da criança e do adolescente. O pedido de liminar foi feito pelo governo do estado, alegando que além dos riscos aos quais às crianças estão submetidas, há também a proibição da entrada de professores e funcionários, que não podem trabalhar devido às manifestações.

Fonte: Rede Brasil Atual

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