Pão e Circo sim, e por que não?

Por Alex Morais.

Enquanto Herval d´Oeste sonha com o dia em que os vereadores votarão favoráveis à um projeto de Natal que contemple a população com atrações gratuitas e evite ser esta a única cidade sem iluminação natalina da região, a vizinha Campos Novos proporcionou um grande espetáculo à sua população e foi além, levando até lá a comunidade do meio oeste e planalto catarinense e também das cidades vizinhas do Rio Grande do Sul. Diversas atrações para todos os gostos e dois mega shows nacionais com Capital Inicial e César Menotti & Fabiano. Não precisa nem mencionar que a lotação foi máxima e, principalmente, na madrugada de sexta-feira dia 30 (Capital Inicial) e sábado 31 (CM&F), o movimento na BR sentido Campos Novos – Herval d´Oeste e Joaçaba era intenso, ou seja, a população daqui migrou provisoriamente para lá em busca de entretenimento.

Por aqui, o que barra a realização de eventos, a desconfiança, é sempre a mesma ao longo de três anos; suspeita com irregularidades na contratação de shows e na execução do evento. Três posicionamentos distintos ficam evidentes, o executivo, os comerciantes e o legislativo, que na edição 2009 do último evento de médio porte por aqui, chegou a fazer cópias de documentos referente as contratações das atrações e espalhou pela cidade tentando causar um desconforto coletivo e um mal estar entre empresários, comerciantes, poder público e população. O valor total daquele ano com um evento de pequeno porte em Herval d´Oeste não faria César Menotti ou Dinho Ouro Preto do Capital saírem das salas de suas casas para realizarem a festa e o resultado foi de tanta polêmica que ofuscou qualquer possibilidade de que a população local pudesse prestigiar qualquer evento por mais simples que fosse.

Enquanto isto em Campos Novos, Acircan (Associação Empresarial, Rural e Cultural Camponovense), juntamente à CDL e administração pública, com aprovação do projeto por parte do legislativo, realizou o maior evento da história do município, com programação que contemplou de 07 à 31 de março, variando da Noite Gospel ao Rodeio Crioulo, do Motocross ao Nativismo, do Sertanejo ao Rock Nacional. Pelo Twitter, o pré-candidato à prefeito de Campos Novos pela oposição ao atual governo desejou “uma ótima festa a todos e parabéns à Campos Novos pelo aniversário e pelo evento”. O interesse político pode e até deve estar por trás de tudo isto, mas a população regional que foi até lá, nada tem a ver com a política local e não vota naquele município, ficou feliz pelos shows que pode assistir e a população local orgulhosa em receber visitantes.

Sei que os intelectuais e filósofos locais sempre usam o termo “pão e circo” quando uma administração pública realiza um evento aberto à sua comunidade. Acontece que estes mesmos filósofos, quando tem oportunidade de viajar aos grandes centros, sempre que podem vão assistir aos shows de teatro, musicais ou atrações culturais. O que perturba a classe elitizada é que os emergentes agora decidiram não apenas trabalhar suas 240 horas semanais, mas se sentem no direito de querer desfrutar de entretenimento também. Que ousados! Sou absolutamente contra a compra de votos através da política do “pão e circo”, mas, você pode muito bem assistir ao evento sem votar em quem o trouxe. Como diz a música que já se enraizou nos ditos populares: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Conversei pessoalmente com Dinho Ouro Preto do Capital Inicial em Campos Novos. Disse ele: “há 15 anos quando viajávamos pelo Brasil fazendo shows, encontrávamos palcos grandes e bonitos apenas nas capitais. Em cidades pequenas, os shows eram rústicos e sem a menor qualidade nos sistemas de luz e som. Hoje o país é outro, hoje tocamos muitas e muitas vezes no interior do Brasil em palcos que lembram em termos de som e luzes o que tivemos no Rock in Rio e o calor da população é o mesmo em qualquer lugar”. O povo aprendeu a querer e poder ter qualidade de vida independente do local onde mora e maior parte da população agora é classe B e C, consumista, viajante, pesquisadora de eventos e conhecedora do mundo, seja pessoalmente ou através da internet. Bloquear o direito ao lazer e entretenimento a população já foi comum entre 1964 e os anos 80, agora não é mais. Se cultura e entretenimento não vêm à população, a população vai até elas.

Também sei que alguns políticos locais dirão sobre este texto; “não queira comparar Campos Novos com Herval d´Oeste. Lá a arrecadação mensal é de alto valor e nós aqui somos ainda uma comunidade carente”. Para esta afirmação, pergunto; “e por quanto tempo será muito, mas muito bom mesmo para os políticos locais, que sejamos sempre e cada vez mais uma comunidade carente? Afinal, não é segredo que quanto menos acesso à informação tem o povo, mais fácil é o controle sobre ele. Na hora do voto em 2012, analise sua cidade como se fosse uma empresa e escolha para ocupar os cargos importantes, apenas aqueles que apresentarem bons currículos, experiência e comprometimento. Quem ocupa cargo político via voto direto nada mais é do que funcionário do povo.

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