Os efeitos do suicídio demográfico

Declinio Fecundidade

Por Sergio Sebold.

Num artigo anterior (Suicídio demográfico (ALAI 18/02/2011) – fazendo coro com outros demógrafos – alertávamos sobre o declínio da fecundidade feminina das populações da Europa, e que agora está ocorrendo em praticamente em todos os países do mundo, também absurdamente aqui no Brasil. À exceção apenas da África e países muçulmanos e pobres da Ásia, que mantém taxas seguras de manutenção da população. Como já foi referido, o fenômeno se manifesta pela desistência consciente (90%) de gerar menos de 2,1 filho por mulher em idade reprodutiva. Abaixo disto, segundo os demógrafos assistiremos a lenta morte de um país ou nação no seu contingente.

A contradição que nos intriga é o fato dos países mais ricos – que por força de uma lógica de sustentabilidade econômica – são os que mais estão resvalando nesta ladeira abaixo da demografia. Enquanto os países mais pobres são justamente aqueles com maior coeficiente de filhos por mulher. A Europa vem sofrendo este desgaste dramaticamente nos últimos 50 anos, e já começa sentir a redução de suas populações. A redução só não tem sido mais melancólica graças a cidadania oferecida aos imigrantes africanos, árabes e de outras regiões pobres que para lá se mudaram. Também é oferecida em tom de desespero, aos descendentes até quarta geração de cidadãos europeus em outras partes do mundo para facilitar seus retornos. Chamado de “truque da cidadania”

Os economistas, demógrafos e sociólogos, traduzem este comportamento, como receio de emprego futuro. Infelizmente essa preocupação tem sido mais pragmática do que moral por aqueles especialistas. Eles se têm centrado quase unicamente sob o aspecto previdenciário, onde a carga social será insuportável pelo número de idosos. Para complicar temos ainda o aumento da expectativa de vida. Se não forem tomadas decisões políticas urgentes, no futuro teremos a eutanásia final pela quebra do sistema previdenciário. Se não pior, a prática real da eutanásia a moda holandesa como “solução final”, para os velhinhos doentes e/ou improdutivos.

Poucos se têm debruçado que a causa maior da crise européia, está na dificuldade de gerar produção suficiente por um grupo etário reduzido (População Econômica Ativa) para sustentar uma imensa massa de “abonados”.

A falta de esperança, apatia pela vida, ou mesmo medo que filhos tiram seus espaços de liberdade levam a esta redução frustrante. Fecha num ciclo de vida vazia, sem sentido, daí para o desmoronamento da família é um passo, quando ainda exista. Sem contar a disseminação de certos grupos sociais de gênero que tornam impossível a reprodução. Para estes não haverá mais uma próxima geração.

A prática de um único filho consciente, é em nosso entender uma falsa busca da autoestima para provar a si mesmo sua capacidade de gerar, levando a uma letargia e acomodação da vida. Nestas circunstâncias descarregam neste único rebento todas as atenções e recursos para se transformarem verdadeiros “reizinhos” e egoístas estremados e quando não, despreparados para vida.

Por outro lado, teremos uma sociedade – como ocorre hoje na China – sem irmãos, para na outra geração não haver tios ou tias. Neste contesto, no futuro segundo alguns demógrafos 60% serão filhos únicos de filhos únicos. Tristemente serão pessoas que nunca terão a experiência de ter um irmão ou irmã, e, sem tios ou tias não conhecerão primos.

Por contradição há uma discussão mundial particularmente na Europa sobre o aborto consentido, ou eufemisticamente dito terapêutico, onde o Brasil lamentavelmente participa desta onda. Ora isto é uma janela para todas as demais práticas de infanticídio. Em nosso entender na atual condição demográfica, deveria ser exatamente o contrário. Segundo pesquisas européias, 830.000 abortos são praticados anualmente na região. Este contingente está fazendo falta. Logo é a crise moral que esta afetando toda a estrutura econômica, social e política no atual contexto histórico.

Segundo a história, os Romanos, alem do aborto e do infanticídio, no período de sua decadência moral, praticavam uma forma primitiva de eutanásia (longe das camisolas brancas dos Países Baixos) que consistia em abandonar os anciãos doentes simplesmente sem tratá-los ou alimentá-los. Neste momento não foi difícil aos “bárbaros” dominarem os romanos. Por obra e graça Divina surge a civilização dos cristãos pregando e fazendo exatamente o contrário: não ao aborto, não ao abandono dos velhos e doentes, não a eutanasia. Com isto Roma como toda Europa voltaram a crescer virtuosamente. Segundo o sociólogo Rodney Stark, – quem vai levantar a Europa agora da sua ruína moral?

Para nós brasileiros, estamos no mesmo comportamento amoral da sua sociedade. O último senso 2010 revelou uma fecundidade de nossas “evas” em pífios 1,86, quando em 2000 era de 2,38 filhos. Começamos a derrapada do nosso “suicídio demográfico”. Ainda há tempo para reverter em número e em consciência esta tendência, antes de passarmos para história como péssimos seguidores da Roma antiga.

Sergio Sebold – Economista Independente e Professor – [email protected]

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