Os 65 anos do Plano Marshall

Por André Araujo.

Em 5 de Junho de 1947 o General George Marshall, Secretário de Estado dos EUA fez um discurso na Universidade de Harvard lançando o Plano de Recuperação Europeu, conhecido desde então como Plano Marshall. Consistia em um conjunto de doações e empréstimos aos países europeus devastados pela Segunda Guerra, no valor de US$13 bilhões em valor da época, que correspondia a 4.5% do PIB dos EUA, que foi em 1947 de US$298 bilhões.

Proporcionalmente seria algo em torno de US$650 bilhões em relação ao PIB (norte)americano de hoje.

O plano foi em larga escala uma ideia do diplomata George Kennan, chefe do Planejamento Estratégico do Departamento de Estado. O contexto do fim da guerra encontrou uma Europa com sua infraestrutura industrial e especialmente de transportes destruída pelos bombardeios, cerca de 5 milhões de residências foram postas abaixo e 12 milhões de refugiados não tinham abrigo e emprego.

O plano foi oferecido a todas as nações atingidas pela guerra, inclusive as que ficaram do lado sob controle soviético. Marshall esteve pessoalmente com Stalin em Moscou para apresentar o plano e convidar os países da área da URSS a aderirem. Ao contrario da crença popular, Stalin não rejeitou a proposta e estava com disposição favorável ao plano. O que o fez mudar de ideia foi saber que a Alemanha seria incluída. Stalin tinha uma visão punitiva em relação à Alemanha e não pretendia ajudar na sua reconstrução. Com isso proibiu todos os países sob controle soviético a aceitarem o apoio do Plano Marshall.

Fonte: http://www.advivo.com.br

Para administrar a operação do Plano foi criada uma organização em Paris, a European Cooperation Administration. Os recursos poderiam ser usados para matérias primas, alimentos, rações, maquinas, veículos. Cerca de 70% foi dispendido para bens produzidos nos EUA. Dos US$13 bilhões, apenas US$1.2 bilhões eram empréstimos, o resto foi  em forma de doações.

O maior recipiente foi o Reino Unido com US$3.3 bilhões, depois a França com US$2.3 bilhões, em seguida a Alemanha com US$1.5 bilhões, depois Itália com US$1,2 bilhões, depois Holanda com US$ 1,1 bilhões. Todos os demais países da Europa Ocidental foram recipientes. O Plano Marshall durou 4 anos fiscais, terminando em 1951. A estrutura da ECA foi transformada na atual Organização Europeia de Cooperação e Desenvolvimento.

A reação da URSS foi a criação do COMECOM, um plano de apoio para os países da zona soviética, que durou até a década de 80 e que incluiu depois Cuba, Vietnam e Mongólia.

O Plano Marshall foi um grande sucesso de resultados rápidos, a produção industrial de todos os países beneficiados, inclusive da Alemanha Ocidental, ultrapassaram os níveis anteriores à guerra.

Havia na ideia subjacente à criação do Plano duas vertentes: evitar a expansão dos partidos comunistas como resultado da desintegração econômica e social provocada pela guerra , especialmente na França e Itália e recriar um mercado e relançar a economia europeia como fator de expansão para a economia americana, então no auge da capacidade produtiva.

A economia americana não foi em nada prejudicada pela guerra, a produção de bens de capital, veículos, alimentos e bens de consumo estava em 1946 em níveis mais elevados do que me 1939, a reconversão para a economia civil foi rápida e bem sucedida. Havia além disso imensos excedentes de guerra em navios, caminhões, aviões, maquinas operatrizes. Para se ter uma ideia, somente em aviões C-47, de dois motores, que para uso civil se transformaram nos DC-3, haviam 10.000 de excedentes. A venda desses DC-3 como sobras de guerra deu origem a cerca de 120 novas empresas de aviação pelo mundo. Também sobraram 700 Liberty ships, cargueiros, maquinas operatrizes forma vendidas para o mundo inteiro, o Brasil foi um dos grandes importadores no Governo Dutra, muitas fabricas começaram sua vida com tornos, fresas e prensas desses estoques.

Por volta de 1954 a Europa já estava em pleno crescimento econômico, com o famoso “milagre econômico alemão” a todo vapor, transbordando inclusive para o Brasil, como descreve o excelente livro de Moniz Bandeira “O Brasil e o Milagre Econômico Alemão”.

O Plano Marshall foi um dos maiores sucessos da politica externa americana no século XX.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.