Organização fascista no Brasil

Em pesquisa realizada pela doutora em antropologia na Unicamp, Adriana Dias (já ameaçada de morte por nazistas) entre 2002 e 2009 o número de sites que publicaram material nazista, ou neonazista, pulou de 7.600 para 20.502; analisando os downloads de arquivos com conteúdo nazista (mais de 100 downloads por pessoa) ela chegou ao número de cerca de 150 mil simpatizantes com a ideologia nazista, em 2009. Afinal ninguém baixa tanto conteúdo se não tiver um interesse íntimo com o assunto, diz ela. Número que deve ter continuado a crescer desde então. Ainda mais diante toda a campanha conservadora da imprensa golpista.

Em seu estudo ela detectou a existência de mais de 350 células organizadas pelo país. Atingindo cerca de 15 mil participantes (mais ou menos 10% do total de simpatizantes). Segundo ela, fora da internet eles tem uma forte atuação: rituais de iniciação envolvendo violências a negros e homossexuais; treinamentos paramilitares, reuniões de formação ideológica e produção de materiais de divulgação (zines por exemplo).

Segundo Dias, existe uma disputa de poder entre esses grupos e cita o caso da morte de um casal nazista em 2009, no Paraná. “Lideranças neonazistas brigando para ver quem mandava mais; se era o Barollo, filiado ao PSDB aqui em São Paulo, ou se era o Bernardo, de Minas Gerais” afirmou.

Bernardo Dayrell Pedroso foi morto por outro grupo skinhead nazista em 2009 que via nele um obstáculo para sua ascensão, desde então há um aumento significativo de simpatizantes nazistas em Minas Gerais.
Segundo a pesquisadora, os estados que mais concentram nazistas são Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Embora no Distrito Federal há um crescimento vertiginoso.

Embora haja muito divisão interna entre esses grupos, há muitas organizações surgindo no sentido de unificá-los. Um deles é o recém recriado Partido Arena (partido oficial durante o regime ditatorial brasileiro), em Caxias do Sul, que está aceitando membros nacional-socialistas (como os nazistas se autodeclaram), segundo palavras da própria fundadora do partido.

Os atos de 15/3 e 12/4 são nesse sentido marcos na unificação desses milhares de fascistas em torno de um objetivo único, a derrubada do PT por meio de um golpe de estado.

Integralismo

Um dos maiores partidos já existentes na história brasileira (contando com mais de um milhão de filiados segundo a organização na década de 30) de ideologia nacionalista e fascista, o Integralismo, de Plínio Salgado reorganizou-se em 2010. Lançando jornais do partido, blogs, sites e páginas em redes sociais. Exemplos: http://www.integralismolinear.org.br;http://www.integralismo.org.br/.
Hoje com certeza é a maior organização fascista nacionalmente, contando com células em quase todos os estados brasileiros. Como é possível ver em suas páginas, eles realizam palestras, eventos públicos, congressos e participam desde 2010 de várias manifestações de direita.
Em 9 de abril de 2011, participaram juntos com outros grupos nazistas, de um ato cívico em defesa do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), em São Paulo. Tiveram presentes com suas bandeiras na “Marcha pela vida contra o aborto”, em 2012, realizada em Fortaleza. Compareceram em 2014 da reedição da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” com cerca de 3 mil pessoas para relembrar a marcha anticomunista e de apoio à intervenção militar de 1964.
Em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por exemplo, o professor integralista Marcelo Carvalho tem atuado sistematicamente. Seja escrevendo para o jornal da associação dos docentes da universidade (APUFSC) contra uma suposta “marxização” da universidade, seja recrutando estudantes, realizando reuniões e colando cartazes anticomunistas, principalmente, no Departamento de Matemática, onde leciona. Tem liderado grupos de extrema-direita no movimento estudantil na universidade contra movimentos democráticos de trabalhadores e sindicalistas e agido contra ocupações da reitoria realizadas pelos estudantes.
Nas manifestações de 15/3 haviam decidido aparecer de trás de bandeiras nacionais e vestidos de verde-amarelo. Já na última, 12/4, líderes integralistas discursaram em carros de som e muitas de suas bandeiras apareceram pelo país afora.

Demais grupos

Entre os grupos menores podemos citar alguns exemplos. Ultra Defesa, União Nacionalista, Kombat RAC (Rock Against Communism – Rock Contra o Comunismo), Skinheads Nazistas, Carecas do ABC e Carecas do Subúrbio. Este último existente há mais de vinte anos. Suas atividades, por questões óbvias não são divulgadas, embora se saiba que realizam muitos shows e atividades culturais.
Carecas do ABC, conhecidos por atacarem negros, homossexuais e nordestinos, nas manifestações de junho de 2013 apareceram atacando dezenas de militantes de esquerda de modo violento e arrancando bandeiras vermelhas. Veja o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=MeByRCf3rUM.
Os Carecas do Subúrbio se dizem não racistas (assim como os integralistas), aceitando membros mulatos. Embora, segundo a pesquisadora Adriana Dias, essa é uma estratégia bem inteligente deles afinal os negros e mulatos são colocados na linha de frente para serem os primeiros presos. Nas manifestações de 15 de março de 2015, cerca de 20 carecas desse grupo foram presos portando soco-inglês e bombas caseiras. Tendo sidos libertados logo em seguida.

Foto de O Homem Livre.
Foto de O Homem Livre.
Fonte: O Homem Livre

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