Odiosas comparações

Pág Alexis Tsipras

Cronopiando por Koldo Campos Sagaseta.

Até se indignaram no Estado espanhol quando sisudos doutores das altas e as baixas finanças europeias compararam sua crítica saúde com os graves padecimentos que sofre a Grécia, porque no pavilhão de doentes desesperançados europeus, Grécia é, ao menos, o único paciente que registra sintomas de recuperação, o único que expressa sua repulsa ante suas seculares doenças, o único que rejeita o diagnóstico médico que remete ao destino o mal que se padece, o único que sabe que está doente.

O Estado espanhol vai e vem pelos corredores do hospital continental arrastando consigo seus próprios soros ilusórios, doente de otimismo vai ante a oportuna referência doutro doente que teve diagnosticada crise aguda , só porque recuperou a lucidez, só porque se recusa a seguir doente.

Resulta patético advertir neste hospital europeu, por momentos hospício, por vezes cemitério, bordel, picadeiro de circo onde já não cabem mais estrelas, que seu paciente espanhol ainda se sinta satisfeito porque num leito mais afastado tem outro doente ao qual dá para diagnosticar piores achaques. Febril consolo de um paciente que todas as manhãs proclama o fim das doenças que assegura não tem, barateia a demissão, reduz salários, prolonga os anos de serviço, recorta direitos e suprime liberdades.

Não, a Grécia não está doente. Qualquer doente deixa de sê-lo quando sabe que está doente, o dia em que deixa de se enganar. Os glóbulos vermelhos, que na Grécia tomaram as veias e fazer soar seu estrondo de repulsa por todas as artérias do seu corpo, são a mais clara expressão de que o doente recupera seus sinais vitais, de que já não está disposto a seguir expondo sua saúde a mãos de vírus monetários ou fundos virulentos. E para consegui-lo  nada tem de mais efetivo que a cataplasma da unidade, essa espécie de unguento à base de assembleia que, na Grécia, além de expulsar as bactérias, está ajudando a que os pacientes possam abrir os ouvidos e desamarrar a palavra, que não tem melhor terapia que conhecer-se nem remédio mais sadio que juntar-se.

 (Euskal Presoak/Euskal Etxera)

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Odiosas comparaciones

Cronopiando por Koldo Campos Sagaseta.

Hasta se indignaron en el Estado español cuando sesudos doctores de las altas y las bajas finanzas europeas compararon su crítica salud con los graves padecimientos que sufre Grecia.

Y la comparación es ofensiva, casi insultante, pero no para el Estado español sino para Grecia, porque en el pabellón de enfermos desahuciados europeos Grecia es, al menos, el único paciente que registra síntomas de recuperación, el único que expresa su repulsa ante sus seculares dolencias, el único que rechaza el diagnóstico médico que remite al destino el mal que se padece, el único que sabe que está enfermo.

El Estado español va y viene por los pasillos del hospital continental arrastrando consigo sus propios sueros ilusorios, enfermo de baldío optimismo ante la oportuna referencia de otro enfermo al que le han diagnosticado aguda crisis, sólo porque recuperó la lucidez, sólo porque se niega a seguir estando enfermo.

Resulta patético advertir en este hospital europeo, a ratos manicomio, a veces cementerio, lupanar, simple pista de circo al que ya no le caben más estrellas, que su paciente español todavía se sienta satisfecho porque una cama más lejos haya otro enfermo al que poder diagnosticar peores achaques. Febril consuelo de un paciente que todas las mañanas proclama el fin de las dolencias que asegura no tiene, abarata el despido, reduce los salarios, prolonga los años de trabajo, recorta derechos y suprime libertades.

No, Grecia no está enferma. Cualquier enfermo deja de estarlo el día en que lo sabe, el día en que deja de engañarse. Los glóbulos rojos que en Grecia han tomado las venas y hacen sonar su estruendo de repulsa por todas las arterias de su cuerpo, son la más clara expresión de que el enfermo recupera sus signos vitales, de que ya no está dispuesto a seguir exponiendo su salud en manos de virus monetarios o fondos virulentos. Y para conseguirlo nada hay más efectivo que la cataplasma de la unidad, esa especie de ungüento asambleísta que, en Grecia, además de expulsar las bacterias, está ayudando a que los pacientes puedan abrir los oídos y desatar la palabra, que no hay mejor terapia que saberse ni más sano remedio que juntarse.

 (Euskal Presoak/Euskal Etxera)

Foto: Página de Alexis Tsipras.

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