Obras de estádios da Copa tiveram 26 greves, aumentos reais e acordos avançados

Publicado em: 09/04/2014 às 11:18
Obras de estádios da Copa tiveram 26 greves, aumentos reais e acordos avançados

copaPor Viviane Claudino.

São Paulo – Operários da construção civil que trabalham em obras dos estádios que serão sede para os jogos da Copa do Mundo tiveram aumento real (acima da inflação) de até 7,35 pontos percentuais entre 2009 e 2013. A informação consta de estudo elaborado pelo Dieese para a Federação Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), sindicato global da categoria.

Segundo o pesquisa, os reajustes acima da inflação variaram de 0,78 ponto a 7,35 pontos percentuais – em 2012 a média foi 4,10 pontos, a melhor do período. Para o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre, os números são resultados da organização dos funcionários nos locais de trabalho. “Esses reajustes ocorreram em razão das greves, iniciadas por diferentes razões, seja por melhorias salariais, melhorias nas condições de trabalho, de alojamentos, de alimentação, mas que levaram benefícios e ganhos econômicos aos trabalhadores.”

De acordo com o Dieese, de 2011 a 2013 ocorreram 26 greves da categoria – equivalente a 1.165 horas de trabalho – o que significa que em todos os estádios, pelo menos por algum momento, houve a suspensão das atividades. Como resultado, os trabalhadores também garantiram em convenção coletiva ganhos como hora extra e adicional noturno com percentuais acima do que prevê a legislação.

O estudo acompanhou acordos coletivos realizados pelos sindicatos da construção pesada nas 12 cidades-sede da copa (Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). A previsão é que a pesquisa completa fique pronta antes do início da competição, marcado para 12 de junho. Os acordos incluem direitos sociais como a formação de comissões para representação dos trabalhadores em negociações coletivas e direito a quatro ou cinco dias de folgas consecutivas, o que permite que os trabalhadores, em sua maioria migrantes, visitem suas famílias.

“Havia uma pauta comum e isso facilitou o balizamento e a homogeneização, trazendo resultados satisfatórios. Há uma boa perspectiva para manutenção dos empregos, após a copa. Agora precisamos avançar e vamos continuar lutando pela construção de uma pauta nacional unificada, na construção de modo em geral”, diz o representante regional da América Latina e Caribe da ICM, Nilton Freitas. Para ele, os sindicatos do setor souberam aproveitar o momento de atividade aquecida do setor em função da Copa.

Silvestre, do Dieese, avalia ainda que parte da mão de obra em princípio tida como sazonal, por estar contratada em função dos estádios, foi absorvida. “Houve crescimento do setor da construção, além da crescente procura por mão de obra mais qualificada, com uma disputa grande entre as próprias empresas”, afirma.

Em março de 2011 a ICM lançou a Campanha pelo Trabalho Decente Antes, Durante e Depois da Copa 2014, com o objetivo de garantir que o cumprimento, no Brasil, de agenda da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A entidade tem 350 sindicatos filiados, dos setores de construção, materiais de construção, madeira e silvicultura, e representa cerca de 12 milhões de trabalhadores em 134 países.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2014/04/entre-2009-e-2013-trabalhadores-em-estadios-para-a-copa-tiveram-aumento-real-de-ate-7-35-1876.html

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