O que aprendemos com as eleições municiais de 2020

Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

No texto dessa semana, proponho-me a analisar as eleições do último dia 15 de novembro, as repercussões para a saúde e quais as lições que a classe trabalhadora pode extrair desses eventos. O início da análise é para deixar clara a insatisfação com os resultados eleitorais. Em meio a ataques cotidianos do capital sobre os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, em uma condição de violência explícita do Estado, a opção do voto popular volta-se para os setores conservadores, originários da ARENA e caracterizados por trabalhar pelo capital em detrimento das pessoas.

Alguns dados das eleições são importantes de serem levantados, sem considerar o segundo turno, como:

– Abstenção recorde: subiu de 17,6% nas eleições de 2016 para 23,1 em 2020. O que demonstra uma certa desimportância delegada pela população para as eleições. Prefiro não colocar essa abstenção como símbolo de descontentamento, mas como de descrédito geral para a política, o que em si é muito ruim.

– Avanço encabulado de candidaturas de negros e mulheres: o número de mulheres prefeitas subiu de 641 para 650, ainda atrás do número de prefeitas eleitas em 2012 (659), ou seja, apesar do avanço, um avanço pouco significativo. Com relação à eleição de candidaturas de negros e negras, subiu de 29 para 32,1%, aumento pífio para uma população brasileira que é negra.

– Avanço das candidaturas de policiais militares e das forças armadas, foram 50 prefeitos e 809 vereadores.

Em termos de partidos, a evolução ficou assim:

Fonte: A derrota da ”nova política”, a revanche da ”Nova República” e outras teses sobre as eleições municipais de 2020, Pedro Bastos disponível no site: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-derrota-da-nova-politica-a-revanche-da-Nova-Republica-e-outras-teses-sobre-as-eleicoes-municipais-de-2020/4/49293

A velha ARENA teve seus partidos crescendo muito (DEM, PP, PSD, REP), O Bolsonarismo raiz foi derrotado, mas encontra-se escorado pela velha ARENA, qualquer acordo no parlamento ou em outras instâncias passa pelos acordos com ARENA. Mas o Bolsonarismo avança nas pequenas cidades através do PSL e do Republicanos, dando a base necessária para 2022.

A aliança entre o Bolsonarismo e a ARENA não é boa para o campo popular. Se a aliança tensa construída em 2020 se consolidar, Bolsonaro terá em 2022 o que não teve em 2018: capilaridade política nos municípios. Uma máquina de produção de votos que complementa a influência contínua das redes sociais de desinformação de massas controladas pelo Bolsonarismo.

Os resultados das eleições municipais sinalizam, mais do que nunca, para o fortalecimento dos partidos de direita – puxados pela ARENA – e uma certa retomada das pautas políticas dos partidos mais progressistas. Contudo, o crescente voto em militares ocasiona grande tristeza para quem defende as políticas públicas e sociais, pois eles são os últimos a incentivarem políticas de combate às desigualdades e possuem concepções humanísticas extremamente retrógradas com relação às pautas étnicas e de gênero, por exemplo.

As eleições de 2020 deixam um grande alerta para os setores progressistas: fomos derrotados, não conseguimos reverter a opinião popular em favor do pensamento crítico essa conjuntura de crise do capital. Nossa comunicação, nosso investimento em formação política, nossas análises não têm atingido a maioria da população, precisamos avançar e muito na educação popular, na quebra do individualismo e da criação e fortalecimento de redes de apoio. Apenas a realidade social não transforma a sociedade, precisamos trazer a realidade com as lentes da crítica ao capital para convencer a população de que não há saída no capitalismo, a ilusão de que partidos de direita são capazes de “arrumar as coisas” e fazer o Brasil prosperar, não passam de demagogia.

Para o SUS e seus defensores fica o alerta, pois o orçamento do setor será aprovado, muito provavelmente, com cortes significativos para o ano que vem, em meio à uma pandemia sem precedentes, ano em que a vacinação contra a COVID-19 deve acontecer. Soma-se a isso as grandes pressões do congresso nacional fomentadas pelas corporações do setor privado da saúde em prol da reforma do SUS e consequentes desmontes e privatização do SUS.

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