O obscuro caso da médica cubana Ramona Rodríguez

Publicado em: 06/02/2014 às 11:05
O obscuro caso da médica cubana Ramona Rodríguez

medica cubana

Por Paulo Nogueira.

Um grande alarido se formou em torno da deserção da médica cubana Ramona Rodriguez do programa Mais Médicos.

Ramona pediu asilo político ao Brasil: este é um dos únicos fatos concretos num enredo confuso.

Não está muito claro, ainda, se ela quer ir para os Estados Unidos ou permanecer no Brasil. Apareceu na mídia a informação de que ela teria um marido em Miami.

Ela afirma ter sido enganada na hora de fazer o contrato, algo difícil de acreditar, por mais crédulo que você seja.

O mais provável é que ela tenha visto no Mais Médicos uma forma de sair de Cuba e se instalar nos Estados Unidos.

Mas isso, a rigor, não importa.

Os suspeitos de sempre aproveitaram o episódio para erguer velhas bandeiras. Ficou clara “a farsa” do Mais Médicos. Ramona é uma “médica-escrava”. A ditadura cubana não perde por esperar.

Coisas assim.

Todo este estridor pode ser resumido em duas sílabas: lixo.

O caso de Ramona não é nem mais e nem menos que isso: um caso. Num universo de 7 400 médicos importados, você haverá de encontrar histórias de insatisfação, arrependimento, oportunismo etc.

O que importa é que muitos brasileiros desvalidos – nossos compatriotas invisíveis – ganharam com o Mais Médicos.

O DCM foi a Melgaço, no Pará, acompanhar a rotina de uma cidade que ao longo de sua história jamais teve um médico fixo.

Agora, duas médicas cubanas estão vivendo na cidade. Levam à gente humilde nativa noções vitais na chamada medicina preventiva, base do sucesso da saúde pública cubana.

Centenas de outras cidades, e muitos milhares de brasileiros esquecidos, se beneficiaram como Melgaço de um programa social que faz muita diferença.

Por que não ocorreu antes a ideia de importar médicos para atender pessoas em lugares remotos?

Esta é uma boa pergunta que poderia ser endereçada aos antecessores de Dilma, incluído Lula.

Mas antes tarde que mais tarde. Seja como for, o Mais Médicos é a melhor obra de Dilma. É o seu Bolsa Família.

Isso fica claro quando se vê que nenhum candidato da oposição ousa afirmar que vai pôr fim ao programa caso se eleja.

Se o ex-ministro Padilha se eleger em São Paulo – uma possibilidade remota, pelo menos neste momento – deverá o triunfo ao Mais Médicos, de que foi padrinho.

O Mais Médicos melhorou a vida das pessoas mais destituídas. Adicionalmente, fez a sociedade refletir sobre o caráter mercantil que tomou de assalto a medicina nacional.

O resto – por exemplo, o gesto de Ramona, sejam quais forem suas reais motivações — é firula, detalhe, nhenhenhém.

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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