O mordomo de César ou as múltiplas vocações do Sr. Vieira

Publicado em: 07/01/2014 às 09:55
O mordomo de César ou as múltiplas vocações do Sr. Vieira

Dalmo Vieira 2

 Por Carmen Susana Tornquist.

Além dos levianos vereadores que aprovaram na “confiança”(!) e às cegas o conjunto de páginas denominado “plano diretor ” de Florianópolis, no apagar das luzes de 2013,- há pelo menos dois outros acólitos do capital que merecem  um lugar de destaque no processo: um deles, é claro, é o atual prefeito , comandante em chefe da operação “destrua Florianópolis” e o outro, é o Sr Dalmo Viera, superintendente do IPUF e Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano(!), arquiteto, urbanista, e professor, que se dedicou de corpo e alma a liderar o espetáculo de horrores que a cidade assiste, perplexa.

Como urbanista,  o Sr Vieira ignora princípios básicos de planejamento que qualquer cidadão dotado de bom senso conhece bem:o diagnóstico da realidade.  O documento que encaminhou apressadamente à câmara de vereadores ignorou solenemente a cidade real e as suas  condicionantes ambientais, desconsiderou a legislação  da qual deveria ser guardião e entusiasta, virou as costas para as áreas de risco,para  as áreas de preservação e  “esqueceu” de criar zonas de habitação popular e áreas  verdes.Com isto contrariou solenemente  anos e anos de debate qualificados feito pela população organizada em distritos  e bairros, e que faz da cidade um exemplo de cidadania ativa e responsável, como supõe a legislação que reconhece o controle social como mecanismo de  a aperfeiçoamento da democracia  formal.

Como professor , outra faceta  com a qual é conhecido na cidade, a situação se apresenta mais grave,  pois, ao apresentar o dito “plano”  nas ocasiões que ousou chamar de “ audiências públicas” recorreu a métodos didáticos sofríveis  de fazer enrubescer qualquer  aspirante ao cargo ,  ele tentou convencer a população que o Plano da Prefeitura era moderno, cosmopolita e verde(é impressionante como os poderosos usam  este adjetivo!). exibindo  a todo momento seu   famoso conjunto de “slides” sobre a cidade  a públicos que supôs convencer e até impressionar.  Ao longo de 2013, ele apresentou estas peças publicitárias ad nauseum em todos os auditórios que conseguiu forjar, sempre acompanhado de bordões provincianos e colonizados (nossa cidade é a mais linda do mundo”, “iremos copiar o mesmo que as mais modernas cidades da Europa já fazem”, “teremos uma cidade mais verde do que nunca”).  Requentadas a cada exibição,  as centenas de slides  sobre a cidade “do futuro” poderiam fazer rir os neófitos no assunto,  não fosse a dimensão trágica que  continham. As exibições  eram apenas parte de um negócio cujo resultado já fora  decidido em gabinetes e imobiliárias de plantão. E precisara do apoio decisivo da mídia local, cuja profundidade não alcança a altura de um pires e  para a qual a palavra  responsabilidade é uma ilustre desconhecida. Não se sabe até hoje se ele mesmo  acreditava nas barbaridades que exibia, sendo “enganado pela própria enganação”, ou se, de fato, simplesmente, mentia. Como urbanista  e como  professor, o Sr.Vieira envergonha seus colegas de profissão, mas deve-se ter claro que sua dupla contratação pela PMF não se deve exatamente a estes  ofícios, mas a  outras habilidades,  como a de  publicitário,  anunciada desde o inicio de 2013, quando o Sr. Vieira assumiu o cargo de  garoto propaganda  número 1 do jovem César Souza,

Com o desfecho  do “Plano Diretor” dos últimos dias, uma outra  vocação do Sr.  Vieira veio a luz:  a de mordomo.   Impossível não perceber  os detalhes de tão fino métier: a fala linear, as palavras elegantes, as expressões estrangeiras, a pronúncia correta, o traje impecável e a destreza de quem conhece os salões, disfarçando a frieza e crueldade necessárias para cometer o  golpe mortal na cidade que agoniza faz tempo. Agora, não restam dúvidas: :ele é o mordomo de César. Neste quesito, temos que  reconhecer sua eficiência. Dificilmente ele perderá o emprego.

NB: Mordomo (s.m) Chefe dos criados de uma grande casa.
Administrador dos bens de um estabelecimento. Aquele que trata dos negócios de uma irmandade ou confraria e administra seus bens.

Imagem tomada de: bicicletanarua.wordpress.com Dalmo Vieira, na foto, segundo da direita à
esquerda.

 

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