O jornalismo cabo eleitoral na disputa do STJ

Por Luis Nassif.

Quem acha que há jogo sujo apenas nas disputas para cargos políticos no Executivo, não viu nada.

É só conferir a escandalização que o Estadão promoveu contra o advogado Marcos Vinicius Coêlho quando se candidatou à presidência do Conselho da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Nas disputas para tribunais superiores, o  jogo de intrigas é mais pesado. Candidatos contratam assessorias de imprensa, marqueteiros em geral e recorrem a repórteres e veículos partidários, os chamados jornalistas “sela”, que se deixam cavalgar pela fonte, além de escaramuças através das redes sociais.

A matéria do Valor de hoje – “Lava Jato leva ao STJ disputa política inédita” – é uma campeã desse jornalismo de intrigas. Lança suspeitas sobre candidaturas não endossadas pelas fontes do repórter, para realçar aquelas apoiadas de forma subreptícia.

É impossível que a quantidade de informações desairosas sobre diversos candidatos tenha sido fruto de pesquisas isentas da reportagem. Recebeu o prato feito das suspeitas abstratas de uma fonte com interesses bem concretos.

A reportagem crucifica um candidato acusando-o de ser o preferido de José Dirceu. Como se Dirceu tivesse algum poder. Outro é queimado por ser do Rio Grande do Sul e poder ter sido indicado por Carlos Araújo, o ex-marido de Dilma. Um terceiro é colocado sob suspeita de ser indicação de Renan Calheiros. Outro é fuzilado por ser garantista – isto é, seguidor das garantias legais dos acusados.

Como um mero repórter de polícia, o autor da reportagem criminaliza a sentença de outro candidato que desbloqueou o capital de giro da Alston – sem sequer entrar no mérito, como faria um bom repórter do Judiciário.

Depois, apresenta os juízes “bem vistos” pelos “bons” e sem nenhuma mancha em seu currículo. Não caísse na simpatia das fontes do jornalista, qualquer sentença passada de qualquer um deles seria utilizada para marcá-los. Ou seja, a decisão de separar os candidatos entre “bons”  e “maus” é exclusiva do repórter. Ou melhor, de suas fontes.

Posto que homens “bons” não recorrem a tais expedientes, a grande interrogação é sobre a autoria do dossiê utilizado pelo jornalista. Pode ter certeza que um dossiê dessa natureza só pode ser proviente de esquemas barras-pesadas.

Fonte: Jornal GGN.

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