O governo de Mauricio Macri: um calote monumental

Foto: Captura de tela do Youtube

Por Débora Mabaires, de Buenos Aires, para Desacato.info.

Tradução: Tali Feld Gleiser, para Desacato.info. (Port/Esp).

Na última semana a crise política e econômica gerada pelo governo de Mauricio Macri e incentivada desde o exterior se aprofundou de um jeito espantoso.

A desvalorização do peso de quase 100% é comparável à desvalorização do seu governo.

Durante o fim de semana, Macri e seus colaboradores estiveram reunidos na Casa Presidencial de Olivos urdindo novas medidas antipopulares que anunciam uma catástrofe econômica sem precedentes.

O mandatário anunciou hoje, segunda-feira 3, em coletiva de imprensa, uma série de mudanças na estrutura de governo em que reduzirá a quantidade de ministérios pela metade. O que com certeza implica, embora não o dissesse, uma importante redução de funcionários públicos e a desaparição de programas científicos, culturais, de promoção do emprego, etc.

Leu, e mal, um discurso de 25 minutos que empregou para falar em “crise”, para culpar o governo anterior, em várias oportunidades, para culpar dois países estrangeiros, o aumento do petróleo e até o clima. Se vitimizou várias vezes e falou de uma suposta crise.

Os argentinos e argentinas sabemos muito bem que isto não é uma crise. É um calote monumental. A criação de incentivos financeiros para que os capitais especulativos ingressem ao país obtendo um lucro muito alto em prazos muito curtos foi obra do governo de Mauricio Macri. A fuga de capitais, incentivada por seu governo, se acrescentou à entrega da soberania econômica quando enviou as 11 toneladas de ouro de reservas que tinha nosso país para serem “custodiadas” na Grã-Bretanha; e quando emitiu papéis de dívida com soberania jurídica nos Estados Unidos. O plano econômico do governo de Macri foi apresentado nesse país antes que para os argentinos.

O esvaziamento do Banco Central da República Argentina se produz por suas políticas econômicas, e o realizam seus funcionários, que, além de ter sido executivos dos grandes bancos multinacionais que fazem grandes negócios nos endividando, têm empresas financeiras próprias e contas no estrangeiro.

O termo certo para definir o que está acontecendo na Argentina é ROUBO. Nos estão roubando desde o Poder Executivo e os poderes Legislativo e Judiciário estão sendo cúmplices.

O mecanismo legal e constitucional para frear este roubo é o julgamento político que deve instruir o Congresso da Nação. Lá tem, guardados sob sete chaves, não um, mas 21 pedidos de julgamento político contra o presidente Macri por diferentes crimes cometidos nestes três anos; mas os deputados e senadores se recusam a fazê-lo.

O país hoje é um verdadeiro caos. Não existem preços de referência. Foi rompida a cadeia de pagamentos. As empresas não vendem seus produtos até não ter um valor de dólar estável, porque Macri dolarizou as tarifas de energia, combustíveis e alimentos.

Nos principais bairros comerciais da Cidade de Buenos Aires, desde a sexta-feira, tem comércios fechados porque ninguém quer trabalhar perdendo dinheiro.

Os anúncios econômicos realizados pelo ministro da Economia Nicolás Dujovne foram como alimentar o fogo com gasolina. Ele anunciou a provincialização dos subsídios dos transportes e energia. Ou seja, o dinheiro que antes pagava Estado nacional agora terá que ser conseguido por cada governador ou trasladar esse custo aos usuários, o que politicamente é uma hábil jogada de Macri: o custo político do brutal ajuste será pago pelos governadores, que, na sua maioria, são de partidos políticos contrários, embora até agora, nunca tivessem sido seus opositores. Muito pelo contrário, foram os que garantiram a legalidade do roubo aos argentinos e argentinas. Hoje, Macri acaba de cravar o ferrão do desprezo, porque como diz o dito popular: Roma não paga a traidores.

Para os grandes ganhadores deste latrocínio, Macri anunciou a criação de um gravame de 3 ou 4 pesos por cada 100 dólares, que será aplicado aos direitos de exportação por um ano.

Isto incentiva a que os grandes capitais agroexportadores fomentem uma desvalorização maior. Estas empresas são, na sua maioria, multinacionais e pertencem a poderosos grupos financeiros que participam no ciclo de endividamento e grandes lucros. De fato, maior desvalorização e com um maior risco de não poder pagar a dívida, o preço dos papéis argentinos cairá estrondosamente, o que garantirá para eles grandes lucros daqui a alguns anos.

A mídia que os protegeu até a semana passada, vendo o nível de conflitividade social que se aproxima, começou a tentar se mostrar crítica em relação com este governo que já só promete para o povo aumentar a pobreza, precarizar o trabalho, a fome; desespero e repressão.

Neste festim de urubus, Macri já não governa. Apenas balbucia frases altissonantes escritas no delírio de quem, doente de poder, dispõe de forças de segurança a seu serviço: “a última palavra é nossa, os argentinos que estamos cansados de um passado que não deve voltar. Mudar supõe enfrentar os que se resistem à mudança…”

Em boca de um homem que perdeu todo seu poder político, em meio de uma crise social sem precedentes, essa frase parece uma ameaça.

E talvez, seja a única de suas promessas que está disposto a cumprir.


El gobierno de Mauricio Macri: una estafa monumental

Por Débora Mabaires, de Buenos Aires, para Desacato.info.

En la última semana la crisis política y económica generada por el gobierno de Mauricio Macri e incentivada desde el exterior, se profundizó de manera asombrosa.

La devaluación monetaria de casi el 100% es equiparable a la devaluación de su gobierno.

Durante el fin de semana, Macri y sus colaboradores estuvieron reunidos en la Quinta Presidencial de Olivos pergeñando nuevas medidas antipopulares que anuncian una catástrofe económica sin precedentes.

El mandatario anunció hoy, lunes, en conferencia de prensa una serie de cambios en la estructura de gobierno donde reducirá la cantidad de ministerios a la mitad. Lo que seguramente implica, aunque no lo dijo, una importante reducción de personal en la administración pública y la desaparición de programas científicos, culturales, de promoción de empleo, etc.

Leyó, y mal, un discurso de 25 minutos en los que se ocupó de hablar de la “crisis”,  culpar al gobierno anterior en varias oportunidades; a dos países extranjeros; a la suba del petróleo y hasta al clima. Se victimizó varias veces. Habló de una supuesta crisis.

Los argentinos sabemos muy bien, que esto no es una crisis. Es una estafa monumental. La creación de incentivos financieros para que los capitales especulativos ingresen al país obteniendo ganancias muy altas en plazos muy cortos, fue obra del gobierno de Mauricio Macri. La fuga de capitales, incentivada por su gobierno, se sumó a la entrega de soberanía económica cuando envió las 11 toneladas de oro de reservas que tenía nuestro país a ser “custodiadas ” en Gran Bretaña; y cuando emitió bonos de deuda con soberanía jurídica en Estados Unidos.  El plan económico del gobierno de Macri fue presentado en ese país antes que a los argentinos.

El vaciamiento del Banco Central de la República Argentina se produce por sus políticas económicas, y lo realizan sus funcionarios, que además de haber sido ejecutivos de los grandes bancos multinacionales que hacen grandes negocios endeudándonos, tienen empresas financieras propias y cuentas en el extranjero.

El término correcto para definir lo que está sucediendo en Argentina es ROBO. Nos están robando desde el Poder Ejecutivo y los poderes Legislativo y Judicial están siendo cómplices.

El mecanismo legal y constitucional para frenar este robo es el Juicio Político que debe instruir el Congreso de la Nación. Hay allí, guardados bajo siete llaves, no uno sino 21 pedidos de juicio político contra el presidente Macri por diferentes delitos cometidos en estos tres años; pero los diputados y senadores se niegan a hacerlo.

El país hoy es un verdadero caos. No hay precios de referencia. Se rompió la cadena de pagos. Las empresas no venden sus productos hasta no tener un valor de dólar estable, porque Macri dolarizó las tarifas de energía; las de combustible y las de alimentos.

En los principales barrios comerciales de la Ciudad de Buenos Aires, desde el día viernes, hay comercios cerrados, porque nadie quiere trabajar perdiendo dinero.

Los anuncios económicos realizados por el ministro de Economía Nicolás Dujovne, fueron como echar combustible al fuego.

Anunció la provincialización de subsidios a transportes y energía. Es decir que el dinero que antes ponía el Estado Nacional  ahora lo tendrá que conseguir cada gobernador o trasladar ese costo a los usuarios; lo que políticamente es una hábil jugada de Macri: el costo político del brutal ajuste lo pagarán los gobernadores, que , en su mayoría, son de signo político contrario, aunque hasta ahora, nunca habían sido  opositores. Muy por el contrario, fueron los que garantizaron la legalidad del robo a los argentinos. Hoy, Macri, acaba de clavarles el aguijón ponzoñoso del desprecio, porque como dice el refrán: Roma no paga traidores.

Para los grandes ganadores de este latrocinio, Macri anunció la creación de un gravamen de 3 o 4 pesos por cada 100 dólares, a aplicarse por un año en derechos de exportación.

Esto incentiva a que los grandes capitales agroexportadores, fomenten una mayor devaluación. Estas empresas son en su mayoría multinacionales y pertenecen a poderosos grupos financieros que participan en el ciclo de endeudamiento y grandes ganancias. De hecho, a mayor devaluación y con un mayor riesgo de no poder pagar la deuda, el precio de los bonos argentinos caerá estrepitosamente, lo que les garantizará grandes ganancias dentro de unos años.

Los medios de difusión que lo protegieron hasta la semana pasada, viendo el nivel de conflictividad social que se avecina,  comenzaron a tratar de mostrarse críticos para con este gobierno que ya sólo promete al pueblo aumentar la pobreza; precarizar el trabajo; hambre;  desolación y represión.

En este festín de buitres, Macri ya no gobierna. Apenas balbucea frases altisonantes escritas en el delirio de quien afiebrado de poder dispone de fuerzas de seguridad a su servicio: ” la última palabra la tenemos nosotros, los argentinos que estamos hartos de un pasado que no debe volver. Cambiar supone enfrentar a los que se resisten al cambio…”

En boca de un hombre que ha perdido todo su poder político, en medio de una crisis social sin precedentes, esa frase suena como una amenaza.

Y tal vez, sea la única de sus promesas que está dispuesto a cumplir.

 

Débora Mabaires é cronista e mora em Buenos Aires.

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