O desafio comunicacional

Por Rosangela Bion de Assis, para Desacato.info.

Desse histórico de 30 anos, nos últimos 24 eu trabalho a comunicação realizada pelo Sindprevs/SC. Atualmente são três jornalistas: Marcela Cornelli, admitida em 2005, e Clarissa Peixoto, em 2013. Carolina, minha primeira filha tinha quatro meses quando fui contratada, em abril de 1994. No primeiro dia de trabalho foi deflagrada a greve que duraria 46 dias. Alguns fins de tarde, ela foi amamentada e dormiu na minha sala, depois da creche, enquanto eu finalizava o Boletim de Greve. Em 2000, foi a vez da Camila nascer durante a greve de 103 dias. Tenho a foto das duas dormindo no sofá da antessala da Superintende Regional Sul do INSS, durante a negociação da greve de 2003. Escrevo isso porque esse comprometimento e esse amor pela informação produzida para outros trabalhadores são essenciais na comunicação sindical. Foi esse sentimento que sempre me motivou no Sindicato e que me levaram para projetos como a revista Pobres e Nojentas e para o Portal Desacato.

Ainda na década de 90 conheci Vito Giannotti, militante e estudioso da comunicação sindical e popular. Inspirada no seu trabalho e nas suas reflexões, organizei o primeiro Seminário de Imprensa Sindical, promovido pelo Sindprevs/SC em 2002 e que teve o Vito como um dos palestrantes. Penso com muita alegria naquele evento que foi a semente de mais dois seminários, dos seis Seminários Unificados de Imprensa Sindical e dos três Encontros Nacionais de Jornalistas Sindicais. São espaços de debate e troca de experiências fundamentais para os profissionais que dedicam suas vidas à comunicação dos trabalhadores e trabalhadoras.

Nesses encontros possibilitam refletir sobre a prática, a linguagem, as limitações e as possibilidades da imprensa sindical. E tudo isso tem grandes reflexos sobre a qualidade do trabalho implementado no Sindprevs/SC: dos primeiros Boletins montados pelos diretores e reproduzidos no mimeógrafro a álcool ao conjunto de materiais impressos (jornal, revista, cadernos temáticos, folders, cartazes e livretos), Sítio e Redes Sociais, além de vídeos, coberturas, campanhas e materiais de divulgação dos eventos.

Confusos e desinformados

Nessas últimas décadas a essência do que fazemos em termos de comunicação não mudou: continuamos disputando o discurso com uma mídia empresarial que distorce, oculta e criminaliza. Mudaram nossas ferramentas e cresceu absurdamente nosso desafio. O discurso dominante faz muitos trabalhadores acreditarem nas soluções individuais, dissemina ódio e violência; e ignora solenemente os movimentos das mulheres, das negras, da população LGBT, dos indígenas e da população em situação de rua.

A comunicação sindical não conseguiu se contrapor à altura. Prova disso a mensagem enviada por um servidor “você que manda notícias do mundo, eu quero saber do meu PCCS”. Essa frase simboliza o estrago realizado nas mentes e nos corações dos trabalhadores e trabalhadoras. O servidor quer o pagamento do seu processo jurídico porque não compreende que a política neoliberal arrochou seu salário aqui, como faz com trabalhadores do mundo todo e que só a luta unificada poderá salvar a classe trabalhadora da destruição dos serviços públicos e da barbárie.

O jornalista Raul Fitipaldi nos aponta que “trabalhadores e trabalhadoras desinformados, confundidos pela mídia canalha, são alvo fácil dos ataques dos banqueiros, dos ricos e das redes de televisão. É estratégico e decisivo ter uma mídia feita pela classe trabalhadora na disputa ferrenha contra os opressores.” Esse é o grande desafio que temos no horizonte. Não é trabalho pequeno, nem rápido, mas é gratificante pensar que temos a trincheira comunicacional para lutar.

Rosangela Bion de Assis é jornalista, poeta e presidenta da Cooperativa Comunicacional Sul.

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