O Congresso dos Estados

Foto: Pixabay

Por Paulo Pappen, para Desacato.info.

Então um dia os Estados decidiram fazer um congresso.

Na conferência de abertura falou o Estado de Emergência, chamado às pressas para substituir o Estado Democrático de Direito que, por razões de força maior, teve um imprevisto e não pôde comparecer ao encontro.

Em sua fala, o Estado de Emergência desejou a todos e todas que o encontro fosse democrático e prometeu que todas as vozes seriam ouvidas. Aí o Estado Crítico pediu a palavra para fazer uma pergunta e foi interrompido pelo Estado de Exceção, segundo o qual a situação não era propícia para críticas, já que o momento era de fortalecimento dos Estados e não de questionamento dos mesmos.

Após a pausa para o café, o Estado Laico defendeu o direito de todo mundo ser cristão e cristã, finalizando sua fala com uma oração, onde o Estado de Espírito teve de intervir para exorcizar uma moça que havia sido possuída por uma virago. Em seguida, o Estado Civil fez uma fala em defesa da liberdade de homens e mulheres se unirem democraticamente em matrimônio.

Depois do almoço, houve um pequeno debate entre os Estados Gasoso, Líquido e Sólido para ver quem durava mais. O debate porém foi interrompido por um protesto do Estado Natural, do Estado de Necessidade, do Estado Degenerado e pelo exaltado Estado de Ânimo, que não haviam sido convidados para o congresso e estavam ameaçando o evento com seus gritos e cartazes. Por fim a situação foi habilmente apaziguada pelo Estado Maior e pelo Estado Policial.

Os protestos disturbaram um pouco o cronograma do evento, então a fala do Estado de Bem Estar Social teve que ser infelizmente suprimida. A última conferência do dia foi realizada pelo Estado Mínimo, que defendeu a livre iniciativa de ganhar muito dinheiro sem pagar impostos, bem como o direito de ir e vir com automóveis sem ser importunado por pedintes no semáforo.

O evento concluiu-se com uma emocionante homenagem ao patrono do Congresso, o Estado Nação, que não pode comparecer devido à sua saúde debilitada. Por fim, foi feito um agradecimento ao Estado Zunidos, que financiou o Congresso. A festa de encerramento foi realizada nas dependências do Estado de Sítio, contando com um grande show do Estado da Arte.

Paulo Pappen é de Caxias do Sul, torce pro Caxias e gosta de literatura, anarquia e marcenaria.

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