O conceito de ajuda humanitária explicado por Noam Chomsky: uma resenha necessária

Foto: EFE

Por Elissandro Santana, para Desacato.info.

O conceito de ajuda humanitária explicado por Noam Chomsky: uma resenha necessária
 Por Elissandro Santana, para Desacato.info 
Esta semana, envolto em leituras acerca das entrelinhas no que concerne à ajuda humanitária que Estados Unidos oferece aos próprios países que ele mesmo bombardeia, deparei-me com o artigo “El concepto de ayuda humanitaria explicado por Noam Chomsky” publicado na TeleSUR (meio de comunicação que aprecio, pela seriedade no processo de informação) elaborado a partir do pensamento do grande linguista gerativista, filósofo, cientista político e ativista social estadunidense que me ajudou a alargar horizontes de percepção acerca do que as nações opressoras querem que entendamos por ajuda humanitária nas nações devastadas e assoladas pelo poder beligerante arrogante.
A partir do texto mencionado, tem-se que o conceito de ajuda humanitária é agressivo, pois ele é construídoe colocado em práticapelas potências econômico-bélicas. Nesse âmbito, partindo-se do posicionamento de Chomsky, evidencia-se que, desde o ponto de vista do agressor,as tais ajudassão projetadas como humanitárias, mas, sem dúvida, da perspectiva das vítimas da guerra, ou seja, dos povos das nações invadidas, haveria uma semântica bem díspar da fomentada pelos invasores.
No artigo publicado naTeleSUR, e também republicado pelo jornalCubadebate, para esmiuçar o conceito de ajuda humanitária pela ótica do que entende o opressor e o oprimido, o autor do texto historiciza o processo apresentando exemplos de alguns conflitos geopolíticos e de como as tais ajudas humanitárias se deram após os massacres.
Para a historicização textual, a discussão começa com o bombardeio na Sérvia em 1999, seguida do relato de que asForças da Albâniacometeram ataques terroristas em território sérvio para provocarem uma resposta que servisse de justificativa para que a OTAN autorizasse a intervenção dos EUA no país. Prossegue mencionando que as perdas estimadas foram altas para ambos os lados. Ademais, quando assumiram a invasão, o general dos EUA, Wesley Clark, informou a Washington que o resultado do ataque dos EUA intensificaria as atrocidades, porque a Sérvia não era capaz de responder militarmente ao bombardear os EUA, mas a Sérvia respondeu por terra, expulsando os terroristas albaneses de Kosovo, logo após o atentado dos EUA.Mas a grande cobertura da mídia foi a de Slobodan Miloševi? (ex-presidente sérvio) levado ao Tribunal Penal Internacional por uma acusação de crimes de massa, tudo com uma exceção, após o bombardeio dos Estados Unidos contra sua população.Toda essa narrativa, segundo o artigo publicado, a partir do ponto de vista de Chomsky, teria sido encarada como intervenção humanitária.
Ao longo do texto questiona-se se sãolegais as intervençõespor ajudas humanitárias. A resposta que se apresenta é a de quea Assembleia Geral das Nações Unidas tem uma resolução sobre a responsabilidade de proteção, o que diz explicitamente que um ato não militar não pode ser realizado, a menos que seja autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU. É usado para garantir que os governos não reprimam suas próprias populações.
A discussão segue com outro exemplo de “ajuda humanitária”, o bombardeio à Líbia em 2011. Que uma resolução da ONU, naquele ano, pediu a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, exceto aqueles cujos objetivos são “humanitários”, que foram tratados em termos diplomáticos para resolver o problema e que Muammar Gaddafi aceitou, declarando um cessar-fogo contra forças contrárias ao seu governo. Que, finalmente, Washington escolheu apoiar uma resolução muito mais ampla do que a simples zona de exclusão aérea e optou por uma ocupação militar do país.
Nessa altura do artigo, mais uma vez se recorre a Noam Chomsky para afirmar que o Reino Unido, a França e os Estados Unidos se tornaram a força aérea da oposição, que um de seus ataques matou a 10 mil pessoas, deixando a Líbia nas mãos das milícias.
Como consequência, o autor pontua, corroborando a afirmação anterior, que a partir desse momento houve um grande fluxo de jihadistas armados na Ásia Ocidental e na África Ocidental, regiões que se tornaram a principal fonte do terrorismo radical no mundo, uma consequência da chamada intervenção humanitária na Líbia.
Ao historicizar todo o processo semântico-semiótico em torno do conceito de ajuda humanitária, o autor do artigo, valendo-se da competência história que possui, apresenta ao leitor aspectos políticos atuais da nação estadunidense, chegando a Donald Trump.
Ao discorrer sobre o poder dos EUA a partir do presidente atual, menciona que Chomsky explicou que a sociedade deve repensar o que o poder significa. Que os Estados Unidos, na opinião dele, continuam a ser supremos, que seu poder é prejudicial. Somente em termos militares, esse país lida com 25% da economia mundial e também é muito mais avançado em tecnologia do que o resto do mundo.
Para enriquecer o debate, acrescentou que, embora na economia os Estados Unidos estejam em declínio, seria um erro pensar que eles perderam seu domínio, pois as multinacionais estadunidenses possuem metade do mundo e estão integradas com o Estado em todos os setores: na indústria, na venda, no comércio e na finança.
No mais, as considerações finais do artigo são um convite para que pensemos os seguintes pontos:
  1. Que desde sua eleição como presidente, Trump não só representa o perigo, mas a liderança republicana inteira, que nega o fenômeno do aquecimento global.
  2. O Partido Republicano é uma das organizações mais perigosas na história da humanidade.
Por fim, o autor menciona que de acordo com Chomskyas políticas mais perigosas são ameaças existenciais que enfrentamos; que esta geração tem que decidir se a existência humana continuará; que o aquecimento global ou uma guerra nuclear não são uma piada e que as ações de Trump só pioram tudo.

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