O caso da falsa herdeira do banqueiro suíço

Publicado em: 18/08/2017 às 08:49
O caso da falsa herdeira do banqueiro suíço

Por Luís Nassif.

A imprensa se esbaldou com uma verdadeira história de princesa com pitadas políticas. Roberta Luchsinger, neta de um banqueiro suíço, sócio do Credit Suisse, um dos maiores bancos do planeta, decidiu doar R$ 500 mil a Lula, para compensá-lo do bloqueio imposto por Sérgio Moro.

Imediatamente o juiz Felipe Albertini Nani Viaro, da 26ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, exercitando uma militância política indevida, exigiu que a socialite pagasse, antes, uma dívida com um marceneiro.

Nem foi preciso esse bate-bumbo do juiz. A história da socialite correu o Brasil.

Época a descreveu como neta do banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger. Veja a tratou como uma bilionária excêntrica, nascida em Miraí, a cidade imortalizada pelo samba “A professorinha”, de Ataulfo Alves.  A Folha teceu loas à herdeira bilionária que recheou uma mala da marca Rimowa de objetos que o ex-presidente poderá transformar em dinheiro.

Apesar da quase homonímia com o banqueiro suíço, se parente for, seu avô é distante, com as raízes fixadas no Brasil no século 19. Provavelmente o primo suíço não deve ter a menor ideia sobre o lado brasileiro.

A família Luchsinger

Segundo os registros de um dos membros da família, que levantou uma genealogia meticulosa, os  Luchsinger ou Luxinger são oriundos da região de Cantão de Glarus, distrito de Engi na Suiça.

Embarcaram no porto de Hamburgo em 1855 no navio América com destino à Fazenda Nova Olinda, em Ubatuba. Eram 109 pessoas, das quais 38 foram transferidas para o Espírito Santo.

Parte da família radicou-se no Rio Grande do Sul, com alguns descendentes fundando o Adubos Trevo, de saudosa memória.

A árvore de Roberta fixou-se no Rio de Janeiro, através do avô Roberto Pedro Paulo, uma pessoa de classe média, que se casou com Cecília, um dos sete filhos do outrora poderoso coronel Afonso Alves Pereira, de Miraí, que aumentou sua fortuna casando-se com Maria Dinah Sarmento, filha do industrial Severiano de Morais Sarmento.

Cecília e Roberto Pedro Paulo tiveram dois filhos.

A filha Bárbara, tia de Roberta, casou-se com um bem-sucedido financista, Roger Ian Wright, sócio do Banco Garantia. Faleceu tragicamente no acidente da TAM. A mãe de Bárbara não resistiu à tragédia e morreu dias depois.

O segundo filho, Roberto Pereira Luchsinger, casou-se com Maria Ângela Caçula Moreira e veio morar em Miraí, em uma chácara do sogro. Do casamento, nasceu Roberta.

Sempre foi atrevida, a ponto de, ainda estudante, ser proibida pelo juiz de entrar no fórum da cidade de Miraí. Depois, formou-se em direito, pensou em fazer concurso para o Ministério Público, chocou a família tendo um caso com o ex-delegado Protógenes Queiroz, que andava na crista da onda, com quem teve uma filha.

Foi um caso retumbante, conforme o título da matéria da revista IstoÉ: “Protógenes e a banqueira” E o subtítulo: “Famoso pela caça ao banqueiro Daniel Dantas, o delegado deputado está prestes a se casar com a herdeira do segundo maior banco da Suíça”.

“Pode-se dizer que é a união da rainha com o plebeu. Eles se amam e não há nenhum interesse por trás disso”, garantiu a amiga Eulália.

Quando saiu a notícia de que Protógenes havia se casado com uma herdeira do Credit Suisse, Miraí riu à vontade. Já sabiam das fantasias que a conterrâneo sempre desenvolveu.

Uma das filhas de Roberta é criada em Miraí pela família.

E o avô Roberto Pedro Paulo, suposto acionista do Credit Suisse?

Com a morte da filha e da esposa, Roberto Pedro Paulo Luchsinger – que não deve ser confundido com o banqueiro Peter Paul Luchsinger – acabou de mudando para Miraí, para ficar perto do filho Roberto.

Em julho passado, na mesma Miraí, morreu, e, seguramente, sem nenhuma ação do Credit Suisse, tal sua situação financeira precária, conforme descrita por amigos da família.

Teve que ser enterrado com a urna que a prefeitura disponibiliza para indigentes.

Fonte: GGN

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