O Brasil revive a Idade Média: templos queimados, homossexuais assassinados

Publicado em: 15/09/2017 às 10:14

Por Fábio Lau.

Se um historiador da Idade Média se deparasse com o Brasil deste momento, certamente levaria um susto tal a semelhança entre os tempos separados por distantes 500 anos. Se no período Medieval a Igreja, toda poderosa, determinava vida e morte de cidadãos, hoje quem o faz é a Justiça, as religiões fundamentalistas e a intolerância política. Se não chegam, como regra, a determinar a morte, propriamente, o falecimento político ou da fé são uma realidade – com certeza.

Outra herança maldita daquele período que desembarca no terceiro milênio é a destruição de templos. Na Idade Média o alvo eram sedes judaicas ou da prática do Islã. Hoje, ataques a centros de credos de raiz africana ocorrem quase que diariamente. Mas o alvo são a umbanda e Candomblé que são tratados publicamente por radicais religiosos como palco de manifestação satânica. Mostramos aqui em Conexão Jornalismo um vídeo onde traficantes de drogas obrigavam um religioso a destruir os símbolos da sua fé sob o risco de morte (veja aqui). naquele tempo todos os que utilizavam a plantas medicinais e acreditavam na influência dos astros na vida cotidiana eram tratados como bruxos. Hoje a ciência reconhece a influência da lua, sol e estrelas até mesmo na piscicultura ou agricultura.

E veja mais essa: a homossexualidade – a prática era condenada pelo catolicismo hipócrita daqueles tempos. O mesmo catolicismo que vendia indulgência (remissão de pecados) para os ricos como se para entrar no suposto paraíso bastaria acumular riqueza terrena. Nestes tempos, em alguns ambientes no Brasil, a orientação sexual, na prática, está criminalizada. Se não na lei, mas no ambiente da intransigência e do radicalismo religioso – seu puritanismo. Radicais atacam gays no Brasil e também no exterior.

As condenações sem provas, ou com provas forjadas, também estão de volta. O caso do jovem Rafael Vieira, condenado pela Justiça do Rio por tráfico de drogas depois de tentarem criminalizá-lo como “terrorista”, certamente merecerá um registro especial no futuro – tal a desfaçatez. Mesmo na política a expressão “não temos provas, mas convicções”, virou substantiva.

E por fim a censura a arte. Os radicais de extrema direita, hipócritas e moralistas, conseguiram vetar uma exposição financiada pelo banco Santander que tratava exatamente da diversidade de gêneros. Esta “vitória” da intolerância dará força e destemor a uma corrente que quer ditar ao mundo o que pode ou não pode ver, ouvir, falar, absorver. E há embutida nesta força a ameaça implícita. Como disse a jornalista Rosane Marinho, a ignorância é desinibida.

A idade média, portanto, está de volta. E eles ainda querem a liberação das armas para a “defesa do cidadão”. Imagina só no que é que isso pode resultar?

Fonte: Conexão Jornalismo.

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