Número de greves por atraso no pagamento de salário cresceu no primeiro semestre

Segundo o Dieese, no setor privado o atraso de pagamento foi o principal estopim das paralisações. No setor público, prevalece o reajuste salarial, mas menos do que em 2018

Foto: Ricardo Stuckert.

São Paulo – A principal motivação para as greves no setor privado no primeiro semestre de 2019 foi o atraso no pagamento de salários, aponta levantamento elaborado pelo Dieese. De acordo com o instituto, 56,3% das paralisações foram deflagrados devido a atrasos salariais, ante 49,1% em igual período do ano passado. No funcionalismo público e nas empresas estatais, a principal reivindicação foi reajuste, mas em menor proporção se comparado ao ano anterior.

Segundo o Dieese, no setor privado, depois do atraso no pagamento, o segundo fator foi relacionado a alimentação: de 23,8%, em 2018, para 27,6% nos primeiros seis meses deste ano. São paralisações identificadas como “defensivas”, ou seja, para manter direitos. As greves por reajuste salarial passaram de 16,8% para 14,9%.

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Os dados se relacionam com o levantamento relativo a todo o ano de 2018: 37,9% das greves realizadas tiveram como principal estopim o atraso no pagamento – de salário, férias, 13º ou do piso profissional. Em seguida, 37% das paralisações foram por reajuste salarial ou do piso.

De janeiro a junho deste ano, o Dieese registrou 529 greves no país, ante 899 em igual período de 2018. Foram 258 na esfera pública (funcionalismo e estatais) e 268 no setor privado, além de três envolvendo ambos. O número caiu neste ano, assim como já havia ocorrido em 2018 e 2017 em relação aos períodos imediatamente anteriores. Ao analisar o resultado do ano passado, o instituto já havia apontado “um novo momento” na realização de paralisações, a partir da piora nos indicadores de emprego e nos ganhos salariais.

“A ênfase defensiva da pauta das greves continua, mas observam-se importantes descontinuidades. As pautas reivindicatórias – que até então apresentavam crescente complexidade, com a adição, a cada ano, de itens reivindicatórios relativos a diversos aspectos da relação empregatícia – esvaziam-se e, muitas vezes, são reduzidas a uma só exigência, imediata, urgente, como no caso das frequentes mobilizações contra o atraso no pagamento de salários”, afirma o Dieese. “Assim, as informações reveladas pelas greves dos trabalhadores permitem resumir
a mudança dos cenários econômicos de 2012 a 2018 no contraste entre uma pauta reivindicatória complexa, crescente e inclusive defensiva, e a pauta atual – simples, reduzida e quase somente defensiva.”

De 500 para 1.400

O instituto também faz uma ponderação sobre a quantidade de greves no Brasil: “Apesar da diminuição da quantidade de greves realizadas desde 2017, o número registrado em 2018 (1453) ainda é expressivamente superior aos patamares verificados antes de 2013, quando ocorriam cerca de 500 paralisações ao ano”. Pela série histórica do Dieese, o recorde de greves é de 2016: 2.114. Os três anos anteriores registraram resultados próximos: 2.057 em 2013, 2.085 em 2014 e 1.964 em 2015. Este último resultado praticamente se repetiu em 1989, marcado por uma greve geral (1.962). De 1997 a 2012, o número oscilou entre 300 e 900.

Nas 236 greves no funcionalismo público registrados pelo Dieese no primeiro semestre, o principal fator foi reajuste salarial, ainda que em menor proporção: 53,4%, ante 57,4% em 2018. A reivindicação “condições de trabalho” aparece em segundo lugar, também caindo, de 26% para 23,7%, assim como plano de cargos e salários (de 22,5% para 19,5%). Já o item “atraso” no pagamento aumentou de 14,6% para 17,4%. Quase 73% das greves foram no âmbito municipal.

Entre as empresas estatais, com 22 paralisações, o reajuste salarial segue figurando como principal fator, com 22,7%, bem menos do que em 2018 (34,1%). E o item alimentação subiu de 11,4% para 31,8%.

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