Nove meses após prisão injusta, ambulante é lembrado em rap

Por Kaique Dalapola.

A prisão injusta do vendedor ambulante Wilson Alberto Rosa, o Chandelly, 33 anos, foi lembrada na música Guetto Cypher, dos rappers Bethoven, Conspira BDC, Aliado Treze, Romão Akin e Edu Akupulla. O vídeo clipe oficial do som foi lançado no YouTube, na última sexta-feira (13/10).

Em um dos primeiros versos da música, o rapper Bethoven, do grupo Única Chance, lembra da prisão do ambulante, que aconteceu enquanto estava trabalhando no farol. “Até trampando o racismo vem nos caçar / salve, Chandelly, sua liberdade vai cantar / seu crime foi ser preto, ser pobre, do gueto / país eurocêntrico, aqui não tem mais jeito”, diz o trecho da música sobre o ambulante.

Bethoven afirma que estudou com um familiar e conhecia Chandelly desde a infância, quando tentavam encontrar lazer na região do Jardim Iporanga e Jardim Presidente, no extremo sul de São Paulo.

O cantor diz que a escolha do caso foi “por instinto e por ser do meu povo, que foi sequestrado, morto e escravizado pelo povo branco europeu que, para mim, são os criadores do vírus chamado racismo”.

Chandelly ficou preso entre os dias 13 de janeiro e 15 de fevereiro deste ano, acusado de ter roubado um celular e um tablet da esposa de um policial civil em agosto de 2016, em Moema, bairro nobre da zona sul de São Paulo onde ele trabalha vendendo bala no farol.

A Ponte acompanhou todo período da prisão e tornou público os indícios que comprovaram a inocência do ambulante, entre eles o reconhecimento irregular feito por WhatsApp e a ligação amorosa entre o policial que prendeu Chandelly e a vítima que teria o reconhecido.

O ambulante disse à reportagem que achou a música “daora” e, apesar de conhecer um dos participantes do clipe, afirmou que não estava sabendo que seu caso seria citado em uma música.

Chandelly continua trabalhando vendendo balas no mesmo farol onde foi preso, no cruzamento da rua Pedro de Toledo com a avenida Ibirapuera. Ele não teve mais problemas na região e conta que zela pelo lugar por já ter construído uma boa clientela.

A grande mudança na vida do ambulante, depois que conseguiu a liberdade, foi a troca de residência. Ele saiu do barraco no Jardim Herplin, região de Parelheiros, periferia da zona sul, e foi morar com a esposa e os três filhos,em um apartamento do programa Minha Casa, Minha Vida, no Jardim Belcito, região do Grajaú, ainda no extremo da zona sul paulistana.

 

Fonte: Ponte

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