Nota de Pesar – Fernando Martínez Heredia

Publicado em: 13/06/2017 às 09:33
Fernando Martínez Heredia. Foto: Luis Jorge Gallegos
Fernando Martínez Heredia. Foto: Luis Jorge Gallegos

Na madrugada de hoje, 12 de junho 2017, faleceu em Havana o companheiro Fernando Martinez Heredia. Cuba perdeu um dos seus melhores pensadores, a América Latina perde um grande aliado e a Consulta Popular perde um amigo e companheiro das trincheiras da luta ideológica e política.

Fernando foi um revolucionário cubano que expressou na ação e no pensamento a essência da Revolução: rebeldia, ousadia, solidariedade e humildade.

Nasceu em Cuba, em 1939 e com menos de 20 anos estava nas trincheiras da revolução de seu país, revolução essa, que durante sua vida, ele ajudou a realizá-la e concebê-la como uma Revolução Socialista de Libertação Nacional. Estudou na Universidade de La Habana e de 1959 a 1963 graduou-se em Direito. Foi um dos fundadores de El Caimán Barbudo, em 1966 e, no final desse ano fez parte de grupo que criou a revista mensal Pensamiento Crítico, tendo sido seu diretor durante todo o tempo em que foi publicada, de 1967 a 1971. A revista “Pensamiento Crítico” deu voz ao pensamento dos revolucionários em tempos de revoluções na América Latina. É uma das publicações mais originais, que combina o marxismo europeu com o pensamento latino, sem deixar de buscar o marxismo dos outros polos irradiadores. Com o fechamento da revista passou a dedicar-se a tarefas de pesquisa na Universidade de La Habana. Em 1976 passou a ser pesquisador no Centro de Estudos sobre Europa Ocidental, ligado ao Comitê Central do Partido Comunista Cubano. Trabalhou no Departamento América junto a Manuel Piñero e a essa dupla devemos muito do legado latimoamericano do Projeto Popular. Heredia foi indicado ao Centro de Estudos sobre América, em 1984, onde foi Investigador titular, chefe de Departamento e membro do Conselho Científico, até que se transferiu em 1994, ao Centro de Investigações culturais Juan Marinello, do Ministério de Cultura. Neste centro trabalhou como investigador; foi o presidente da Cátedra de Estudos Antonio Gramsci desde sua criação em 1997. Nos últimos vinte anos, ele continuou suas pesquisas e reflexões sobre a realidade cubana, expandiu e sistematizou sua dedicação à história de Cuba, e também a questões sociais e políticas na América Latina publicando importantes livros como “La revolución Cubana del 30” (2007); “Las ideas y la baballa del Che” (2010), entre outras publicações e entrevistas de extrema importância para criar um legado de pensamento marxista com cabeça própria latino-americana e a serviço de quem se entrega à revolução.

Um homem sumamente culto, incansável nas conversas os mais jovens, com um pensamento vivo e original é um dos mais importantes pensadores marxistas da América Latina e do Mundo. Com uma afirmação de que devemos nos apropriar dos conceitos e pensamentos com rigor e aplicá-los com criatividade, dava a tônica no método de construção do pensamento.

Fez desse método uma escola. Ajudou a construir um pensamento marxista vivo. Soube combinar a produção dos clássicos com os problemas específicos de Cuba, da América Latina e do nosso tempo. Combateu a onda devastadora do “fim da história” com intensidade. Soube aliar a história dos povos latinos e suas lutas com o presente.

A nós, da Consulta Popular, se considerava um amigo e sempre que foi solicitado, mesmo passando por alguma enfermidade, viajava por longas horas para contribuir em cursos de formação. Em 2009, passou 3 dias colaborando com a Formação Nacional. Desde então, a cada vinda ao Brasil reservava algum tempo para dialogar com a Secretaria Nacional e Direção Nacional, bem como ajudar em algum espaço de formação.

É uma grande perda para a luta revolucionária. Sua produção é um importante legado de um marxismo vivo e uma ferramenta para a ação.

Nosso profundo pesar e solidariedade ao povo cubano, à Ester, sua companheira, aos filhos, ao povo latino, que perdeu hoje um dos seus mais importantes pensadores.

Fernando Martinez Heredia: Presente, hoje e sempre.

Fonte: Consulta Popular

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