Não votem neles!

Honoré de Balzac. Pintura de Louis-Auguste Bisson.

Por Rivaldo Paiva.

Certa vez, o célebre pensador e filósofo espanhol Miguel de Unamuno, saído, notem bem, da geração de 1898, em plena ascensão do ditador tirânico Francisco Franco, corajosamente troou aos quatros seiscentos e sete mil cantos ibéricos: “A Espanha me dói”. Eram tempos de quixotismos políticos no mundo europeu. Eras de erros de juízos, senão de moral. Exemplos que Maquiavel propôs aos príncipes, malfeitorias que lhes não devem ser perdoadas. Unamuno chorou sua dor com discretos lampejos de otimismo. Nem toda monarquia é uma ditadura, mas toda tirania tem as estripulias e maldades daqueles reis medievais, contemporâneos e mascarados de socialistas (Cuba, Coréia do Norte, Irã, Síria, China, Venezuela, carsadesquistãozão e zinho, o diabo) que insistem em se auto-proclamar repúblicas democráticas socialistas do “cavalo do cão”.

É triste, mas faz parte, afinal quando chegam pra nós, indulgentes analfabetos, pobres e dirigidos por uma máfia de ricaços petistas e lobistas, peemedebistas (sem os rebeldes) e aliados (sem excluir os bandidinhos escondidos por debaixo das saias do DEM, PSDB, PP, PR, PPS, e os Pqps, eles) são tão bonzinhos. Pois aí. A tal monarquia que hoje vemos nas “barbichas” dos governantes, representantes e adjuntos (com exceções várias) transformada em democracia pura é, no mínimo, hilariante.

A mesma monarquia que seduziu um dia Joaquim Nabuco renasceu no solo espanhol – esplendorosa de democracia – e a liberdade republicana parecia ter raiado num rasgo de esperança, quando à luz da queda do Estado Novo de Vargas em 1945. Em plena vivacidade eleitoral a incitar os valores da liberdade, Gilberto Freyre, tanto quanto o mestre espanhol, bradou do alto do palanque do candidato à presidência da República, brigadeiro Eduardo Gomes, lembrando o velho pensador, citando-o em praça pública, abrindo sua oratória diante milhares de pessoas, arrematando que o Brasil também lhe doía.

A atualidade política brasileira muito se integra àquela dor episódica e que não desmancharia a morte das gerações futuras – para o mal ou para o bem, contanto que com enlevo a qualquer esperança que fosse para o bem. No entanto, meus caríssimos leitores, estamos perto de mais um embate eleitoral. Votar em quem? Eis a questão. Quem é honesto? Ninguém ao certo sabe. Quem são competentes? Quem não vai roubar mais? Nossos corações andam enfraquecidos de tristeza com o quadro de safadeza dos políticos do Brasil (com raririssíssimas precauções – vide CPIs e o que quiserem desvendar). Entram, além do Legislativo, o Judiciário – Deus do céu! O Executivo nem é bom falar. Portanto, enquanto durar esta “monarquia” de pilantras mandando no nosso País, nossas emoções estarão se transformando num desencanto de viver.

Nascemos no melhor país da face da terra e longe de sermos felizes, quedamo-nos a legisladores e mandatários aproveitadores, frios tais as pedras que nunca saem de seus lugares, salvas para nos ferir. São muitos reis na política brasileira, que nunca pensaram em cultivar flores e sonhos para o seu povo. Bom seria que imitassem o então jovem Honoré de Balzac, depois célebre romancista francês, recusando, peremptório, a sugestão do pai, que queria vê-lo político. – “Quero ser literato’ – respondeu. – “Meu filho, para ser literato, ou rei ou nada.” – “Então, pai, eu vou ser rei.” – Que bom se tivéssemos esses reis a mandarem em nós. E os de hoje ainda nos obrigam a votar!…

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