Mulheres se unem em redes sociais pelo direito de jogar vôlei no Sesc

Com quadras dominadas por homens, cerca de 100 mulheres compareceram ao Sesc Pinheiros após convocação de atleta amadora pelo Twitter.

Na tarde do domingo 4, os funcionários da unidade Pinheiros do Sesc, na capital paulista, receberam cerca de 100 mulheres em busca de um local para jogar vôlei recreativo. Normalmente, os times femininos não chegavam a completar as 12 posições determinadas pelo esporte.

A procura aconteceu após a estudante Letícia Lavigne, de 24 anos, publicar um pedido nas redes sociais para que mais mulheres fossem praticar o esporte no local. A convocação online aconteceu depois que homens passaram a agredir verbalmente as mulheres que utilizam a quadra. Nas tentativas de partidas mistas, as agressões vinham em jogadas brutas propositais, numa tentativa de intimidá-las e afastá-las do local.

A atividade esportiva, com horário das 14h30 às 16h15, fica reservada somente para mulheres, aos domingos, disponível apenas no Sesc Pinheiros como uma alternativa para muitas garotas que buscam um espaço acolhedor, democrático e gratuito para a prática esportiva.

No local qualquer mulher acima de 16 anos com documento de identidade ou carteirinha do Sesc pode chegar no horário e jogar. Para os homens, a opção é o vôlei misto, também aos domingos, das 12h30 às 14h30, além de outras opções durante a semana. Apesar disso, o horário que seria apenas do vôlei feminino acabou sendo compartilhado com homens, que em um nível avançado jogavam no horário anterior e permaneciam em quadra.

Letícia, que frequenta o Sesc desde outubro de 2017, conta que os problemas com os rapazes começaram em janeiro deste ano, quando a instituição modificou os locais de jogos por conta da programação de verão. Mesmo após uma tentativa de diálogo com a coordenação recreativa, porém, a atitude dos meninos não mudou.

“A situação já estava tensa em semanas anteriores, quando o professor colocou os meninos para jogarem conosco, a fim de completar o time. Naquele dia os garotos disseram em tom alto que forçariam o jogo e “sentariam” a mão na bola para sairmos da quadra. Eu saí, minha namorada saiu porque realmente não dava para jogar com eles. Na semana seguinte, conversamos com a coordenadora e novamente houve uma discussão com os rapazes para que eles se retirassem da quadra”, explica a jovem.

periferia

Com as frequentes discussões, e cada vez mais violentas, Letícia Lavigne decidiu convidar mais mulheres para participar das atividades através de um post no Twitter, compartilhado também no Facebook.

O efeito positivo nas redes rendeu a entrada de mais de mil mulheres no grupo online “Pegas Vôlei”, e a união de mulheres de diferentes regiões da cidade que, sem divulgação e incentivo, não tinham sequer conhecimento do espaço. “Não tem divulgação, muitas meninas me pararam lá para falar que nem faziam ideia de que tinha isso no Sesc, principalmente sem precisar de carteirinha”, ressaltou Letícia.

Ainda assim, a jovem que é grata à instituição acredita que o Sesc deve usar este exemplo e expandir-se para outras regiões com o objetivo de viabilizar a prática em locais periféricos. “O Sesc é o único local que tem vôlei feminino, com o horário só nosso, o que é difícil de se encontrar para mulheres que querem jogar vôlei. Nós gostaríamos que o esporte feminino abrisse em outras unidades na periferia, como no Sesc  Itaquera, ou da zona leste, como o Belenzinho para que possamos levar o nosso grupo para outros lugares”, concluiu.

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