Mulheres do Oeste Catarinense defendem a Democracia e denunciam Reforma da Previdência

Mulheres denunciaram à violência, ditadura e a reforma da previdência. Foto: Claudia Weinman, para Desacato. info.

Por Claudia Weinman, para Desacato. info.

Vários atos estão acontecendo desde o dia primeiro de março em pelo menos cinco regiões de Santa Catarina. Hoje foi a vez do interior do estado. Conforme Noeli Taborda, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), em São Miguel do Oeste a pauta foi a defesa da previdência pública e universal, contra a proposta machista e excludente do governo de Jair Bolsonaro de retirada da Condição de Seguradas/os Especiais, pois ao invés de comprovar a atividade a Reforma prevê a contribuição que ainda será regulamentada em lei. A idade para as mulheres permanece 55 e homens 60. A denúncia é também pelos tempos de contribuição que em muitos casos, ultrapassam os 40 anos para as trabalhadoras e trabalhadores em geral.

A fila de espera ultrapassa 1,9 milhão de pessoas que precisam receber auxílios-doença e aposentadorias do INSS. Ainda em janeiro, o governo Jair Bolsonaro anunciou que chamaria 7 mil militares da reserva para diminuir as filas de atendimento do INSS. Além do perigo que a militarização do INSS representa, Noeli destacou a denúncia que as mulheres levarão para as ruas no dia 6 de março pela criação do sistema de fila única que coloca todos os processos, de regiões diferentes do Brasil, em um mesmo conglomerado de documentações, sem considerar as realidades diferentes de cada estado. “Cada estado possui uma realidade diferente e precisa de um atendimento humanizado, direcionado e capacitado”, avaliou.

Outras questões de denúncias são: a demora no atendimento nos postos dos INSS, negação de benefícios, aumento da necessidade de se entrar na justiça exigindo os direitos, perda da condição de seguradas especiais na qual as mulheres comprovavam a atividade rural e após as mudanças, precisam provar a contribuição rural que, de acordo com as normas, deve ser feita via bloco rural, no entanto, apenas sete estados no Brasil possuem o bloco de notas implementados, o que significa segundo Noeli, que milhões de camponesas e camponeses não terão acesso ao benefício.

Denúncias:

O mês de março é carregado de simbolismos. É o período de maior mobilização de mulheres camponesas e operárias. É a triste lembrança de um golpe que colocou o Brasil em mais de 20 anos de ditadura. Em 2020 especialmente, o dia 14 é lembrado pelos dois anos do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco. Todos os anos as mobilizações despontam no país para que o povo não viva a experiência  que 64 deixou. 

Porém, o golpe de 2016 que resultou no processo de impeachment da Presidenta Dilma Vana Rousseff, consistiu em ataques subsequentes à classe trabalhadora. Na época, o deputado e agora presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, votou pela retirada da Presidenta usando a defesa e homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. 

Nesse contexto, as mulheres do Oeste Catarinense realizaram intervenções mostrando cenas que remetem à ditadura militar e a ofensiva que vêm sendo defendida pelo governo de Jair Messias Bolsonaro.

Lançamento da campanha nacional

Nesse dia 6 de março aconteceu ainda em São Miguel do Oeste o lançamento da campanha nacional: “Sementes de Resistência: Camponesas semeando esperança e tecendo transformação”. “A ideia é dialogar com a sociedade sobre a produção de alimentos saudáveis, da formação dos quintais produtivos, a defesa e importância das sementes crioulas e de um projeto popular de agricultora. Precisamos dar visibilidade ao trabalho das mulheres, valorizar os conhecimentos populares frutos da ancestralidade”, disse Noeli.

Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.

Confira algumas fotos dos momentos de intervenção em São Miguel do Oeste/SC.

Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.
Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.
Mulheres denunciaram a reforma da previdência e o sofrimento ao povo brasileiro. Foto: Claudia Weinman.
Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.
Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.
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Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.
Foto: Claudia Weinman, para Desacato. info.
Foto: Claudia Weinman, para Desacato. info.
Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.
Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.
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Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.
Fotos: Claudia Weinman, para Desacato. info.

Você pode acompanhar os vídeos com entrevistas e a transmissão ao vivo das mulheres nas ruas:

Abertura:

Conversa com Claudia Baumgardt, de Santana do Livramento/RS e Letícia Helen, do coletivo da Pastoral da Juventude do Meio Popular e Pastoral da Juventude Rural, que compõem o coletivo de mulheres Feministas Classistas.

Entrevista com Noemi Margarida Krefta, do Movimento de Mulheres Camponesas.

Caminhada pelas ruas de São Miguel do Oeste.

Mulheres denunciam comandante Ustra, herói de Bolsonaro. Basta de ideais ditatoriais.

Encerramento do ato em São Miguel do Oeste, na jornada de lutas do #8M.

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ASSISTA AO VIVO HOJE – 18H

-Mobilização pelo Dia Internacional da Mulher em São Miguel do Oeste, com Claudia Weinman.
-Eleições em Israel com Tali Feld Gleiser.
-#8M e Cadastro Nacional de Estupradores, com Guilhermina Cunha.
-Violência doméstica com Melissa Guimarães.
-Informe desde Cricúma com Sabrina Pereira.
-Projetos pra melhorar a gestão do lixo em Florianópolis com o Vereador Marquito

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Claudia Weinman é jornalista, vice-presidenta da Cooperativa Comunicacional Sul. Militante do coletivo da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR).

 

 

 

A opinião do autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.

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