Mulheres argentinas de pé e lutando

Publicado em: 10/03/2017 às 11:12
Mulheres argentinas de pé e lutando

Português/Español

Por Débora Mabaires, de Argentina, para Desacato.info

No Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, milhares de mulheres tomaram as ruas de Buenos Aires para manifestar-se contra a violência machista.

Na dignidade das rugas das Madres de Plaza de Mayo, poderia ler-se a história da luta contra a violência estatal, a corrupção judicial e das corporações midiáticas; enquanto na pele da mãe que marchava enquanto amamentava seu bebê, podia-se ver que o espírito de luta fez ninho nas novas gerações que hoje se organizam massivamente para reivindicar o papel da mulher na História, na vida laboral e na sociedade.

Começou com um cesse de atividades nos locais de trabalho que se iniciava ao meio-dia e fazendo muito barulho começaram a tomar diferentes esquinas da cidade para confluir no Congresso Nacional às 17 horas, de onde se realizou uma marcha até a Casa Rosada (sede do governo), com a finalidade de ler lá o documento realizado pelas organizadoras.

debora-1

Milhares de mulheres juntas, marchando e exigindo, é um grito esperançoso e também, desesperado.

Desesperado porque no último ano, o Estado deixou de proteger às vítimas de violência de gênero, tirando a assessoria legal e psicológica necessária para poder seguir adiante. Esta quita de direitos se traduz em morte: enquanto em 2016 a estatísticas marcavam um femicídio a cada 30 horas, hoje se acelerou e matam uma mulher a cada 18 horas.

O cesse dos programas de educação sexual e de prevenção de doenças de transmissão sexual, assim como a falta de medicação para o tratamento das mesmas, soma-se à negativa de tratar uma lei que garanta o aborto em condições seguras.

Foi doloroso ver as Mães de Vítimas de Trata, tentando dar visibilidade à desaparição de centenas de mulheres jovens. Os cartazes com fotos coloridas de suas filhas desaparecidas expõem a olho nu o que todos querem esconder: a prostituição; e confronta a sociedade como o horror da escravidão sexual.

debora-2

A precarização laboral fomentada desde o Estado com suas políticas econômicas, é especialmente injusta com as mulheres, sobretudo, quando são mães.

É uma clara denuncia ao machismo que exerce a diário o Poder Judiciário Argentino, muitas mulheres se mobilizaram com cartazes exigindo a liberdade de Higui, uma mulher lésbica que tendo sido vítima de uma surra onde participaram 10 homens, defendeu-se esfaqueando um enquanto tentavam violá-la, e hoje está presa, acusada de homicídio, enquanto que seus agressores estão livres. Está viva graças a um vizinho que saiu de sua casa para defendê-la, no exato momento em que um dos seus agressores ia lhe quebrar a cabeça com uma pedra enorme. Ainda inconsciente pelos golpes, foi levada a uma delegacia, e sem atenção médica, suportou vários dias de dores inimagináveis. Os juízes não tomaram como prova seu corpo ultrajado e golpeado, nem investigaram o acionar policial. Eles também são cúmplices.

Milhares de fotos se reproduziram na marcha exigindo a liberdade de Milagro Sala, a dirigente social de Jujuy, deputada do Parlasul, que é uma das presas políticas do governo. A violência institucional exercida contra ela em particular, contém uma sanha feroz.

Durante a tarde toda, as mulheres argentinas deram uma lição de organização e militância, tendo feito a primeira paralisação nacional contra as políticas do governo de Maurício Macri.

Chegando a noite, milhares de manifestantes se dispersaram com total tranqüilidade, e com a satisfação de ter vivido uma jornada histórica.

Um pequeno grupo, que não alcançava as 50 pessoas, dirigiu-se à Catedral de Buenos Aires, e começaram a pintar as malhas de contenção que protegiam o edifício, enquanto outras botavam fogo num montinho de lixo. Essa foi a desculpa para uma violenta repressão policial, e para que alguns meios de comunicação deslegitimaram a marcha das mulheres.

Um fato mais grave aconteceu duas horas depois, quando um grupo de policiais, ingressou numa pizzaria, distante várias ruas do local dos incidentes na Catedral, e deteve várias mulheres que estavam jantando.

Policiais à paisana sem identificação, outros com roupas sociais, procederam com uma nova demonstração de arbitrariedade e violência.

“… pegaram uma das nossas companheiras dos cabelos, jogaram ela no chão, eu quis defender, me jogaram também e me bateram.

Disseram-nos que éramos umas negras de merda e que por isso íamos presas e que se nos resistíamos iam nos quebrar os ossos e assim nos levaram quatro quadras até os caminhões.

Vivemos um montão de abusos, nos revistaram duas vezes, nos fizeram tirar a roupa, algumas fomos tocadas. Colocaram-nos contra a parede. Não nos deram nem água, não tínhamos onde nos deitar”.

represiionmujeres2_0

Este é o relato de Laura Arnés, jornalista do jornal Página 12, uma das vítimas do Estado que comanda Maurício Macri, que ante a maré de mulheres organizadas, respondeu com golpes de violência institucional contra qualquer mulher.

Macri comeu poeira porque as mulheres argentinas marcharam e fizeram tremer a terra.

Versão em português: Raul Fitipaldi, para Desacato.info

——————————–

Mujeres argentinas de pie y luchando

Por Débora Mabaires, de Argentina, para Desacato.info

En el Día Internacional de la Mujer Trabajadora, miles de mujeres tomaron las calles de Buenos Aires para manifestarse contra la violencia machista.

En la dignidad de las arrugas de las Madres de Plaza de Mayo, podía leerse la historia de la lucha contra la violencia estatal, la corrupción judicial y de las corporaciones mediáticas; mientras que en la piel de la madre que marchaba mientras amamantaba a su bebé, se podía ver que el espíritu de lucha anida en las nuevas generaciones que hoy se organizan masivamente para reivindicar el rol de la mujer en la Historia, en la vida laboral, y en la sociedad.

Comenzó con un cese de actividades en los lugares de trabajo que comenzaba a las  12 horas y haciendo mucho ruido comenzaron a tomar distintas esquinas de la ciudad para confluir en el Congreso Nacional a las 17 horas, desde donde se realizó una marcha hacia la Casa Rosada a fin de leer allí el  documento realizado por las organizadoras.

Miles de mujeres,  juntas, marchando y exigiendo, es un grito esperanzador y a la vez, desesperado.

Desesperado porque en el último año, el Estado dejó de proteger a las víctimas de violencia de género, quitándoles la asesoría legal y psicológica necesaria para poder salir adelante. Esta quita de derechos, se traduce en muerte:  mientras que en 2016 las estadísticas marcaban un femicidio cada 30 horas, hoy se aceleró, y matan a una mujer cada 18 horas.

El cese de los programas de educación sexual  y de prevención de enfermedades de transmisión sexual, así como también la falta de medicación para el tratamiento de las mismas, se suma a la negativa a tratar una ley  que garantice el aborto en condiciones seguras.

Fue desgarrador, ver a Madres  de Víctimas de Trata, tratando de visibilizar la desaparición de cientos de mujeres jóvenes. Los carteles con las fotos en colores de sus hijas desaparecidas, expone a la luz lo que todos quieren esconder: la prostitución ; y confronta a la sociedad con el horror de la esclavitud sexual.

La precarización laboral fomentada desde el Estado con sus políticas económicas , es especialmente injusta con las mujeres, sobre todo, si son madres.

En una clara denuncia al machismo que ejerce a diario el Poder Judicial Argentino  muchas mujeres movilizaron con pancartas exigiendo la libertada a Higui, una mujer lesbiana que habiendo sido víctima de una golpiza donde participaron 10 hombres, se defendió apuñalando a uno mientras la amenazaban con violarla, y hoy está presa, acusada de homicidio, mientras que sus agresores, están libres.  Está viva, gracias a un vecino, que salió de su casa a defenderla, justo cuando uno de sus agresores, iba a partirle la cabeza con una gran piedra. Aún inconsciente por los golpes, fue llevada a una comisaría, y sin atención médica, debió soportar varios días de dolores inimaginables. Los jueces, no tomaron como  prueba  su cuerpo ultrajado y golpeado, ni investigaron el accionar policial. Ellos también son cómplices.

Miles de fotos se reprodujeron en la marcha exigiendo la libertad a Milagro Sala, la dirigente social jujeña, diputada del Parlasur, que es una de las presas políticas del gobierno. La violencia institucional ejercida contra ella en particular, es de una saña feroz.

Durante toda la tarde, las mujeres argentinas dieron una lección de organización y militancia, habiendo hecho el primer paro nacional contra las políticas del gobierno de Mauricio Macri.

Al caer la noche, miles de manifestantes desconcentraron con total tranquilidad, y con la satisfacción de haber vivido una jornada histórica.

Un pequeño grupo  que no alcanzaba a las 50 personas se dirigió a la Catedral de Buenos Aires, y comenzaron a pintar las vallas que protegían el edificio, mientras otras prendían fuego a un montículo de basura.  Esa fue la excusa para una violenta represión policial, y para que algunos  medios de comunicación deslegitimaran la marcha de mujeres.

Un hecho más grave, sucedió dos horas después,  cuando un  grupo de policías, ingresó a una pizzería distante a varias calles del lugar de los incidentes de la Catedral, y se llevó detenidas a varias mujeres que estaban cenando.

Policías sin identificación, otros con ropas de civil , procedieron a una nueva demostración de arbitrariedad y violencia.

 “…Agarraron a una de nuestras compañeras de los pelos, la tiraron al piso, yo la quise defender, me tiraron a mí y me golpearon.

Nos dijeron que eramos unas negras de mierda y que por eso íbamos a ir presas y que si nos resistíamos, nos iban a romper los presos y hacía nos llevaron cuatro cuadras hasta los camiones.

Vivimos un montón de abusos, nos requisaron dos veces, nos hicieron sacar la ropa, a algunas nos tocaron. Nos pusieron contra la pared. Nos nos dieron ni agua, no teníamos ni donde acostarnos”

Este es el relato de Laura Arnés periodista del diario Página 12, una de las víctimas del Estado que comanda  Mauricio Macri, que ante la marea de mujeres organizadas, respondió con manotazos de violencia institucional hacia cualquier mujer.

Macri mordió el polvo porque las mujeres argentinas marcharon e hicieron temblar la tierra.

 

Deixe uma resposta